Amor em tempos de Tinder

Que fique claro: eu não sou contra o aplicativo, ou qualquer outra facilidade das redes sociais. Acho que existem certas vantagens nessa forma de conhecer pessoas, afinal você acaba conhecendo gente que não conheceria – seja pela distância, seja pela rotina atribulada. O que eu vejo como desvantagem é a banalização, a quase inexistência do frio da barriga do flerte (afinal quem está ali deixa claro para o que está), a preferência da quantidade pela qualidade; as pessoas clamam “mais amor, por favor”, mas parecem colecionar um número (ainda) maior de transas. O que é bacana também, afinal somos de carne, osso e hormônios. Muitos hormônios.

É verdade que os relacionamentos hoje em dia duram menos, mas não acho que seja menos amor. Acredito ser mais liberdade (e mais aceitação da sociedade) em poder começar e terminar uma relação quando não se é mais feliz nela. Muitas pessoas viveram – e algumas ainda vivem – em busca do tal “felizes para sempre”, sendo felizes pela metade.  Existe o fator egoísmo, também. Afinal se relacionar dá trabalho, é complicado e algumas vezes, desgastante. Qualquer coisa diferente disso namore uma samambaia. Ou fique solteiro. Ou pule de cama em cama. Faça o que te faz feliz.

Mas não aja de um jeito e viva clamando por outro. Não tente esconder o medo da solidão, ou a carência, colecionando relações. Não brinque com os sentimentos. Os seus ou de outra pessoa. Não ache que encontrou sua metade toda vez que achar alguém- de preferência, não ache nunca que encontrou sua metade. Você já é completo. Porque AMOR – embora exista diferentes tipos de – não se encontra em todo lençol, em toda esquina.  Amor não ocorre na frequência da paixão. Quem a cada 4 meses acha que encontrou o amor da sua vida não achou coisa nenhuma! Aliás, desconfio até de que nem saiba o que está procurando.

Claro que eu acho válido procurar o amor em todo lugar, mas esperar que toda e qualquer pessoa se encaixe naquele papel é desculpa para sentar-se à mesa do bar com os amigos e culpar a revolução sexual; é dizer que as mulheres não são mais como antes, que os melhores homens estão casados, que tem muito gay, que homens e mulheres não valem nada. A verdade mais sincera é: valemos, quando encontramos alguém que faz a diferença! E aí é amor, daqueles que a gente ouviu falar, que sonha em encontrar.

 

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Quando perguntam minha  opinião sobre os aplicativos e  relacionamentos, logo surge a  expressão “é por isso que  você está solteira”, seguida da  pergunta por quanto tempo mais eu vou me manter  assim. Sinceramente, não sei. Porque outros relacionamentos, e o tempo, me ensinaram que não adianta seguir apenas o tesão, ficar com alguém só porque eu quero, só porque é lindo, só porque me faz rir, só para me distrair um pouco, se o “resto” – tudo que realmente importa – é carregado de incertezas, discussões, ego, dor e diferenças.

Eu vou ficar com alguém que entenda que, apesar de eu ser feita de deixar de ser, eu nunca vou abrir mão de ser mãe, do tempo que eu tenho para dar ao único amor da minha vida. Eu vou ficar com alguém que me assuma. Que segure a minha mão ao andar na rua. Que entenda que meus amigos – homens e mulheres – são uma extensão de mim. Que não tenha medo de me olhar apaixonadamente na frente dos outros. Eu vou ficar com alguém que não se importe com a opinião dos outros.

Eu vou ficar com alguém que não me proíba de cortar o cabelo. Que aceite que eu sou bagunceira.  Eu vou ficar com alguém que adore cachorros. Que goste de bebês.  Que experimente a minha comida e que respeite meus gostos alimentares – isso inclui miojo cru com doce de leite!  Eu vou ficar com alguém que me lembre de que a vida pode ser leve mesmo em momentos duros.

Vou ficar com alguém que faça planos para o fim de semana, para os feriados. Que goste de esportes – assistir ou praticar. Que não se incomode com o jeito que eu danço. Nem com a minha mania de ser grosseiramente fofa. Que , mesmo com a rotina insana, me mande um beijo por whatsapp só para mostrar que pensou em mim.Que assista filmes comigo. Que ao menos tente experimentar as coisas que eu gosto. Que ouse me permitir adentrar o seu mundo.

Eu vou ficar com alguém que entenda que eu fumo um cigarro todo dia, logo que acordo. Que entenda que hoje eu tenho 19 tatuagens e amanhã posso ter mais. Eu vou ficar com alguém cujos demônios dancem bem com os meus. Com alguém que eu também possa respeitar os limites. Que eu entenda os traumas.

Eu vou ficar com alguém que não dê brechas para o mal entendido. Que faça o que fala e fale o que faça. Que me apoie quando ninguém mais acreditar em mim – nem eu mesma! Eu vou ficar com alguém que acredite que eu sou capaz de tudo aquilo que queira. Com alguém que apesar de saber que consegue viver sem mim, escolha viver comigo.

Muitos dirão que é impossível. Que assistirei a vida passar. Tudo bem, eu não estou com pressa. Enquanto o amor não vem eu estou me divertindo, do meu jeito. Pois quando eu encontrar esse alguém não seremos felizes para sempre. Mas seremos felizes por inteiro.

 

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E se der errado?

Eu acredito que alguém que já teve uma decepção amorosa verdadeira passa um período com medo (preguiça, desconfiança) de se envolver novamente. A primeira questão que surge é “e se der errado?”. É o temor de sentir novamente o coração sendo sugado pelas costas, das entranhas se revirando em loopings infinitos, das lágrimas arderem na face, de passar dias e noites com saudade, de escutar uma música e ser levada ao passado…

E no ápice do realismo cínico que assola qualquer coração partido, a gente sabe que vai dar errado. Um dia. E nosso ego não está pronto para lidar com outra rejeição. Nossa parte boa se eriça ao pensar que você será o responsável por outro alguém ficar do jeito que você já ficou.

Por segurança, e racionalidade, você decide que o correto é não começar nada. E não começa. E os dias ficam menos coloridos, os filmes de romance são trocados pelos de ação com muito sangue (te amo, Tarantino!), o medo vai colando nas artérias até virar amargor, até você se olhar no espelho e reconhecer que adoraria ter borboletas no estômago ao invés de um coração de ferro – ou pior, um espaço oco.

O tal “mal amada” passa pela sua cabeça – “mal comida” também, sejamos sinceras – e você lembra daquela sua professora de Geografia do colegial e como você prometeu à si mesma que não seria assim de jeito algum. Então você começa a sair do casulo. Bem aos poucos. Começa a reparar nas coisas que te fazem feliz de verdade, por menores que sejam. Começa a olhar para si no mundo e no mundo que há dentro de si. E passa a sorrir. E a atrair sorrisos. E se você persistir, descobrirá o melhor tipo de amor que existe. O próprio.

 

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Até que um dia, sem que você espere – pois as coisas boas acontecem assim, de repente – entre tantos “ois” e sorrisos, um “oi” e um sorriso te chama a atenção. E vira conversa. E a conversa vira flerte. E quando você percebe você fica sem jeito com o jeito que ele te deixa.

Você pensa na barba por fazer, nos olhos negros espremidos quando ele sorri, no jeito que ele segura o cigarro e na mania que ele tem de se exibir para você. Porque você esteve fora do jogo por um tempo, mas sabe todas as regras de trás para frente. Até que o inevitável, que vai contra toda e qualquer razão, acontece.

Li dia desses que pessoas que causam arrepios enquanto a gente sorri merecem moradia no peito. Mas arrepio maior causa a sensação que você sente. “E se der errado?”, você se pergunta. Porque você quer listar os defeitos, as diferenças, o fato de ele não ser tão alto. Você quer listar tudo que vai dar errado e compartilha com a melhor amiga, esperando que ela aponte todos os motivos – porque as amigas sempre têm mais motivos que a gente – porque isso vai dar errado. E ela lista. E você escuta. E você sorri. E o sorriso vira gargalhada por conta do absurdo que acabou de ouvir.

Você gargalha porque percebeu que é capaz de se apaixonar! E percebe também que a vida é muito mais do que se esconder atrás de um coração machucado.  Há muitas pessoas no mundo com muito medo de ter uma chance no amor. Não importa quem você ama ou se essa pessoa ama você de volta.  O fato de que você pode amar é que é importante.

E se der errado? Se der errado, deu. Tudo vai dar errado. Um dia.
Você opta por sorrir sem motivo, por dançar que nem idiota no meio da rua enquanto escuta a música que te lembra ele. E não se importa quando crianças apontam e as pessoas riem da sua cara. O dia está colorido! Você escolhe querer dar oi até para o extintor de incêndio, ficar com a pele bonita, com a autoestima “o céu é o limite”, com o bom humor irradiando.

E se der errado? Pense no que está dando certo – e por dar certo entenda com o que está fazendo bem a VOCÊ! “E se der errado?”, você insiste, em uma última tentativa. Se der errado, deu. Tudo vai dar errado. Um dia. É para isso que existe o recomeço. Cheio de primeiros beijos, primeiras vezes, de cor, de sabor, de música.

Simples assim!

 

 

Meu (segundo) 1º beijo

Acho engraçada a importância que é dada a tudo que acontece primeiramente na vida: o 1º beijo, sexo, namorado, carro, trabalho, filho. Claro que são coisas especiais, mas a mistura de sentimentos pode ser tão intensa e tornar aquele momento algo, por assim dizer, inexpressivo perto das outras vezes.

Duvido que sua primeira transa tenha sido magnífica. Ou que o primeiro filho não te apavorou. Meu primeiro beijo? Fiquei com um nojo danado daquela coisa melada, molhada, entrando na minha boca, passeando ali dentro. MUITA coisa mudou nesses 20 anos, claro – ainda bem!

Eis meu ponto: aquilo que deveria ser ‘super-master-blaster-fodasticamente-das galáxias’ acaba sendo uma experiência não tão bacana comparada com as outras vezes. Então, para mim, a gente acaba perdendo aquele brilho, aquela mágica, que esperamos que uma primeira vez de qualquer algo tenha. Porque a primeira vez não torna a acontecer – embora momentos especiais sempre surjam.

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Lembro dos muitos beijos que dei, seja pelo motivo que fosse, e daqueles que se tornaram especiais – e histórias para guardar em caixinhas no coração: o com gosto de caramelo, o da festa à fantasia, o da porta da geladeira, o dado no balcão de um bar de São Paulo, o do reencontro após uma longa viagem, o coberto de lágrimas de saudades. Mesmo assim nenhum deles estava relacionado com o que falei acima.

E claro que a vida iria me surpreender novamente, da maneira que eu menos esperava – como sempre é, ou deveria ser.

Embora houvesse a tensão estampada na cara de ambos, embora houvesse o clima, nunca houve flerte, nem um sinal de que algo aconteceria. Ele estava nervoso e fui conversar com ele. Diante das palavras, pedi que ele me abraçasse – coisa que ele prontamente obedeceu. Pedi que ele me abraçasse forte e ele estalou minhas costas – e senti o sorriso dele se formar em cima do meu ombro depois de eu reclamar. Ainda abraçada a ele, feliz de ele ter sorrido, eu me afastei. Nos olhamos por longos cinco segundos, hesitando. A vontade atropelou a razão e acompanhei todo o movimento de olhos bem abertos, até que os fechei lentamente.

Ele não é o cara pelo qual irei me apaixonar, nem namorar, e jamais casaremos. Ele não está na lista dos beijos que viraram histórias de vida. Mas é o cara que pôs um sorriso bem bobo no meu rosto, que me deu a mágica do primeiro beijo, sem deixar de lado aquele foguinho que nasce no tornozelo e chega até os botões da camisa em segundos.

Ele é o beijo que não quero beijar de novo, porque primeiras vezes não tornam a acontecer.

Todo amor que eu amei, no fundo, eu dediquei a mim e a mais ninguém

Perdi as contas de quantas vezes desejei voltar atrás e refazer meus passos; quantas vezes, no final de tudo, teria sido mais sensato não ter me apaixonado por uma das minhas paixões; quão mais feliz eu teria sido se tivesse dado valor a quem me amava…

Relacionamento desastroso após relacionamento desastroso, me apeguei no passado que nunca existiu (mas que deveria ter existido, de acordo com minha mente pertubada), fiz comparações, fiz burradas na incessante busca de entender porque amei quem amei, porque amei quem não me amou e, principalmente, porque não amei quem teria sido mais fácil e doce ter amado…

E desde quando o que julgamos amor é de fato um? Desde quando a paixão, camuflada do sentimento cantado pelos poetas, nos traz a razão? Pois é…

Certa vez, escutei uma frase do Thiago Lacerda, em uma entrevista: “amor da minha vida é aquele que estou vivendo no momento. Só vou saber se foi mesmo para a vida toda, quando acabar”. Fez e faz sentido, apesar de minha opinião sobre isso não ser exata, nem conclusa…

Comecei a “amar” muito cedo (bem no estilo desse vídeo): foi o professor da escola na infância, o casinho da pré-adolescência, meu primeiro namorado, tive minha paixão doentia e necessitada durante a adolescência, meu amor platônico depois disso, o namorado canalha, o namorado que foi da adolescência até a vida adulta, um namoro relâmpago, o namorado que me deu uma filha… e no meio disso – antes, durante e depois – diversas paixonites, diversas decepções…

“Começo uma nova história e aviso/ Não vai ter lugar prá você onde sobra juízo/ Todo amor que eu amei no fundo eu dediquei/ A mim e a mais ninguém.”

E eu comecei… uma história difícil, complicada no começo, mas que hoje me liberou de todos esses pensamentos, de todas essas comparações, de todas paranóias e, principalmente, libertou meu pensamento de acreditar nas pessoas que diziam que eu não sabia nada sobre relacionamento…

“Todo canto e pranto meu e tudo que sou eu/ Por certo vai vingar/ Então você vai entender que o quanto que eu quis sofrer/ Valeu pelo tentar.”

Precisei passar tudo que passei, amar tudo que amei e sofrer tudo que sofri, para assim, só assim, saber reconhecer o homem que É o amor da minha vida! Não porque ele está comigo hoje (ou porque acredito que vai estar por muito tempo), mas por ele me amar como, e apesar do que, eu sou; por amá-lo; por ter um relacionamento sadio; por nos entendermos, por ter emoção e razão na medida certa; por nos aceitarmos… e por tudo que queria ter vivido e sentido antes… e SINTO e VIVO no HOJE!

Assim pude entender que minha história e meus motivos são meus e somente meus. Não preciso mais explicar, tentar entender, analisar ou querer que fosse diferente. Mesmo que me questionem, mesmo que alguém do passado possa tentar remexer alguma história ou levantar alguma fofoca por pura maldade…

Afinal, “todo amor que eu amei no fundo eu dediquei a mim e mais ninguém”.

Obs: os créditos desse meu conhecimento sobre a música da Angela Rô Rô vão para a mente brilhante por trás desse blog

Por que eu escrevo?

Anos escutando a mesma pergunta e a mesma indignação pousava em minha face. Você pergunta para alguém por que ela respira, come, dorme, se apaixona? Obviamente não; então porque raios vivem a questionar essa vivacidade? Para mim é tão pertinente quanto; a tinta da caneta mistura-se ao sangue das minhas veias.

A verdade é que essa é uma questão difícil, fugidia, sujeita a explicações que muitas vezes rumam para encontrar uma justificativa para toda uma vida. Antes mesmo do divã do Dr. Reinaldo, anteriormente às aulas de Literatura e redação, eu assim o fazia. Assim que descobri coordenação motora para juntar letras, palavras, vocábulos, orações, parágrafos, trechos… crescemos lado a lado, como irmãos siameses.

Já ouvi a Literatura ser apontada como doença e cura, sina e maldição, gozo e delírio. É provável que seja mesmo um pouco de tudo, ou nada disso. Talvez seja melhor nem saber porque dedico tantas horas ao pensar, ao escrever no estilo antigo – entenda-se papel e caneta – e depois publicar isso para qualquer um embrenhar-se minha vida, seja por curiosidade, seja por acaso.

Henry Miller dizia que escrever ajudava a aprofundar o caos à sua volta; eu acredito que eleve minha própria desordem psíquico-destrutiva. Lispector nunca se explicou muito bem, mas acredito que era porque a vida doía. Se não me recordo, confundo-me. Pois a existência é sofrida.

Machuca crescer vendo sua mãe ocupar-se de outras crianças que não são seus irmãos, ser a garota mais impopular da escola, ver as pessoas aproximando-se por interesse. Fere ter tudo e não ter nada ao mesmo tempo, acreditar nas pessoas e sentimentos, se auto-sabotar. Incomoda esperar o telefone tocar, descontar o dissabor na comida e passar a noite acompanhada da televisão, balde de pipoca e Coca-cola zero (ou de amigos tão loucos quanto você, pelo MSN). A Clarice sabia do que (não) estava falando: viver dói.

Há os que escrevem por motivos inconfessáveis. Por vaidade. Para ganhar dinheiro – ou pela tentativa de. Existe gente que escreve para ser admirada. A verdade que todo mundo que escreve tem ego, mas nem todos são egocêntricos. Não a ponto de acharem que suas próprias vidas dariam um livro – ou um blog.

Existem algumas correntes da psicologia que garantem que escrever, alivia. Isso é um ponto de vista: se você vai escrever para si mesmo, para que desperdiçar essa energia? Você já sabe toda a porcaria que está acontecendo dentro de ti. Vai escrever para os outros? Poucos são verdadeiramente sinceros quando passam pelos olhares de aprovação/rejeição. Na verdade não vejo alívio algum, só mais um pequeno tormento. Ah, que se dane a psicologia… estou ocupada demais com minhas próprias questões!

Já me indaguei com sinceridade e coragem (sim, é preciso uma boa dose de coragem para escrever, ainda mais sobre um tema tão específico como… ahn… sua vida, diria) sobre o que me leva, desde que me entendo por gente, a dedicar horas tentando colocar no papel algo que não existe no mundo real. E por diversas vezes acreditei que era para criar um mundo paralelo, meu refugo, minha liberdade e minha prisão. Mas minha visão deturpada e fatídica de mim, acabaram por cerrar-me numa vista míope de duplo segmento: heaven or hell, eu ou meu eu.

Também já teve o tempo em que eu ficava satisfeita em pensar que escrever apenas atendia a um impulso de partilhar com outras pessoas algumas das minhas histórias. Talvez mostrá-las uma coisa menos hipócrita – e assim o mundo seria um lugar mais feliz – ou apenas me gabar de certas coisas; na pior das hipóteses, expôr meu pior e por intermédio da desaprovação alheia, buscar minha rendição.

Atualmente contento-me em pensar que escrevo por puro prazer: para me distrair, desestressar, aliviar minha frustração de não ser  Fernanda Young, confessar meus pecados, exorcizar meus sentimentos – pois me faz bem. E isso basta, não tenho mais a pretensção de transformar opiniões. Tenho até mesmo a sensação de que se um dia parar de escrever, terei um belo motivo para não viver intensamente mais.

De ocasião

A vida sem amor, sem paixão, nem sempre é triste.

Talvez um pouco menos emocionante, mais solitária. Talvez um pouco mais sã, mais saudável e até mesmo mais alegre. Tudo depende da nossa posição no mundo e de como lidamos com nós mesmos.

É o estado de espírito, o auto-conhecimento, a auto-estima e o desapego que nos possibilitam maturidade para vivermos um relacionamento pleno – sem nada de “felizes para sempre”, Jesus! Falo sobre realização independentemente de duração.

Delírios e opiniões à parte, verdade seja dita: nem todo beijo é para romancear, nem todo beijo bom é para transar, nem todo sexo é para namorar, nem todo namorado é para casar.

O cúmulo do absurdo é ter uma vida sem romance. Ah sim, romance, amor e paixão são distintos. Imagine o vazio, a mesmice de uma vida sem cumplicidade, sem intimidade, sem bom sexo, sem ótima companhia, sem risadas.

E às vezes, o romance MESMO é mais difícil de se conseguir. Seja ele de que forma for, o que importa na vida é um romance!

Não, não é ter um caso com aquele cara que transa maravilhosamente bem. É ter um ROMANCE com um homem que você possa ser autêntica na cama, na conversa, na balada. É não precisar de rótulos, liberar-se da hipocrisia, desapegar-se com respeito mútuo, é se ver quando tudo aperta: saudades, tesão, carência, vontade de se divertir.

Um romance assim com sentimentos, respeito e sinceridade. Que não te traga o lado ruim da paixão, nem o sofrimento pós-amor (leia-se pé na bunda). Aquele que te faz sorrir na mínima lembrança, mas que não te atormenta com a distância.

Permita-se viver um romance, um romance INCOMUM de preferência!