Porque toda história tem um começo…

… e esse foi, exatamente, o nosso:

*Para o meu novo objeto de desejo:

“Venho por meio desta, sem rodeios, informar que é VOCÊ quem eu quero! E assim sendo, exponho meu lado mais humano e menos lendário: fraco, medroso e receoso. Sim, por meio desse pedaço de papel exponho demais o que era para ser segredo… mais um grande defeito meu: não sei guardar os MEUS segredos! Não sei bem te dizer quando começou, nem os motivos, mas é fato: quero você TODO, sem pudor algum.

Quando me dei conta, pensava em você! Tudo bem, sempre nos falamos, rimos, conversamos sobre nossas vidas e até hoje o meu interesse por você era nulo. Acontece que sou uma menina dada à epifanias: penso tanto em algo, fico obcecada e – puft! – acontece… e você virou minha recente epifania. Acho que começou quando passei a escutar muito sobre você, quando quis te conhecer ainda melhor, dividir seus segredos.

Só não imaginava um INTERESSE puramente e somente SEXUAL! Ah, você duvida? Então vou dar um exemplo: na hora do banho, pensei em você: como seria bom suas mãos me ensaboarem, vasculhando cada canto do meu corpo, procurando, buscando algo escondido num labirinto de 1,58m. E então você acharia minha boca, me tiraria o ar e sem esperar nem um centésimo a mais, me deitaria no chão gelado, misturado ao seu corpo quente, proporcionando-me sensações ÚNICAS. Nem eu imaginava o poder que tinha em minhas próprias mãos!!! Aí pensei: “puta que pariu, o que é isso Michelle? O ******* é seu amigo!”

– “Mas que se foda, agora ele foi MEU”, retruquei comigo.

Deu para perceber ou você precisa de mais exemplos? Penso em você quando troco de roupa e você poderia estar ali como voyer, quando vejo uma cena de beijo bem dado (o que provavelmente terminará em sexo), quando surge uma onda de tesão do nada e como você poderia dar conta muito bem (é como sua fama corre benhê). Qualquer coisa que me lembre sexo, me lembra você! Hoje escolhi uma calcinha pensando como você gostaria de tirá-la! Ai, minhas epifanias!!!  Acho que no nosso próximo encontro vou de colegial, talvez de Tiazinha, de gueixa… acabei de me lembrar que vamos nos encontrar num cinema! Nossa, que excitante, mas as cadeiras devem ser desconfortáveis!

Viu? É isso que me passa pela cabeça! Assim como a política acaba em pizza, o encontro amigável de Vargas e ****** tem que acabar em sexo! É fato consumado, pois quando a politicagem vai terminar em salada? O medo e o receio ficam por conta da nossa amizade; ela não é de tão longa data assim, mas para mim é valiosa. Não quero que ela se perca pelo óbvio ululante – eu li essa expressão na biografia do Nelson Rodrigues e uso bastante – eu amo você, meu amigo. Não quero ser a fuck buddy de algumas vezes, nem a de sempre, muito menos sua namorada… correria riscos desnecessários! Nesse exato momento, que você tem essa carta nas mãos, desejo dividir uma cama redonda de motel de beira de estrada, com luzes vermelhas – pois o vermelho, que para mim representa tesão/desejo proibido – é sua cor favorita – numa fantasia erótica bem ordinária.

A fantasia tem que ser tão ordinária quanto a realidade, pois além disso você até gosta um pouco do meu namorado. Mas afinal isso contaria? Pois meu namoro anda tão morno… (hey, nem pense em erguer essa duas sobrancelhas aí – como você sempre faz – numa cara fingida de espanto! Se não tem sexo não é culpa minha, ou senão meu ego não estaria nas alturas!). E além do mais, quero você uma vez apenas, para matar minha vontade, meu desejo… e aí que acontece meu dilema: nossa amizade outra vez!

Talvez ela mude, talvez não. Não sei se arrisco, já fiz demais em revelar esse segredo para você! Mas dois meses é tempo demais para mim, preciso gritar o quanto te desejo: QUERO e quero AGORA! Com toda nossa perversão, com tudo que for pedido, sem vergonha, só sexo por sexo, sem hora para terminar. Nessa cabeça atolada de imagens do seu corpo peladão, passa um curta em que você nem terminou de ler tudo, já pegou a chave do seu carro, colocou o cd da sua banda favorita para tocar no rádio do seu carro e está vindo para Rio Claro, só para fazer valer cada palavra minha! Mas, infelizmente, isso é apenas no meu campo de visão imaginário. Essa é uma daquelas cartas que não devem ser mandadas, nem relidas; escreve-se, corrige os erros, lê uma única vez e a rasga em mil pedaços!

E só para garantir, deixa o fogo do isqueiro consumi-la toda. Como você me consumiria, se disso soubesse…!”

* Essa carta tem quase três anos… e quanta coisa aconteceu nesse tempo! Hoje comemoramos um ano de namoro, praticamente casados: vivendo sob o mesmo teto, dividindo muito mais que o tal edredom vermelho! E posso dizer, sem sombra de dúvida, que eu NUNCA fui tão feliz!

Se eu soubesse que teria que ter passado por tudo que passei para estar nos seus braços, eu teria me lançado quantas vezes fossem necessárias naquela empreitada desvairada, louca e politicamente incorreta. Afinal cada um acha a felicidade à sua maneira… e só assim eu achei VOCÊ!

Meu Preto, meu melhor amigo, meu amor: FELIZ UM ANO DE NAMORO!

Tesão é tesão. Amor é outra coisa….

Ninguém nunca disse que  se relacionar é fácil, que existe a fórmula milagrosa para fazer cada pecinha dessa engrenagem de dar nó na cabeça do maior dos geeks,  funcionar. Aí surgem as revistas de fofocas com o segredo dos ‘famosos’ para saber como o relacionamento de 3 anos está dando SUUUUUUUPER certo. Aí vai um segredinho: só amar não basta!

Relacionamento de 3 anos os cambau! Relacionameno foi o dos meus avós, da minha mãe com meu padrasto, de algum raríssimos casais que vejo por aí… quer um exemplo melhor? Assista “Diário de uma Paixão” e você vai ter uma noção do que eu falo. Vivemos na constante busca desse amor que nos supra, nos faça gozar zilhões de vezes e conserte todos nossos problemas; esperamos a salvação montada num cavalo branco e paramos muitas vezes no primeiro lençol de procedência sabe-lá-Deus-onde.

‘Sem tesão não rola’, ‘tem que alimentar o tesão’…. tá, tá, tá! Tesão é IMPORTANTÍSSIMO – não sou hipócrita e usufro bastante da sensação – mas que tal alimentar o carinho, o respeito, a admiração, as coisas mais simples? Quantas vezes você beija seu namorado/marido/amante naquele beijos dos primeiros dias, daqueles que acendem todo o resto do seu corpo ou daqueles que acariciam e acaletam, que dão prazer só pelo toque úmido dos lábios e a mais deliciosa nojeira troca de cuspes? Mas o sexo continua firme e forte…

Idos de 2007  li um estudo de uma psicóloga, cuja a santa é da minha família, que concluía o seguinte: um dos primeiros sinais de que o relacionamento anda mal é ausência do beijo. Só não me matei de rir na frente dela pois adoro a primitcha. Pensei comigo mesma: ‘puta doida, só poderia ter estudado Psicologia mesmo…”. Difícil foi dar razão à moça… foram meses amargando o dissabor, a vontade de receber um beijo – já estava farta de ir atrás deles! Desde então, tomei essa parcela da pesquisa como verdade absoluta na minha vida.

E por experiência própria: tesão é tesão! Pegação, fudelança prazerosa all night long, rapidinhas sensacionais, são os buracos abaixo da linha da cintura que precisam ser preenchidos com dedos, línguas e paus. Se me aprofundar no psiqué aqui, posso dizer que é alma vazia, carência, problema de infância mal resolvido e afins, mas às vezes é só prazer pelo prazer… por favor, um brinde ao hedonismo!

Quando eu ainda tinha um P.A. achava o máximo quase nunca rolar beijo, eu estava ali por sexo. Quando já me descobri na paixonite pelo garoto – tá, é homem, mas ele sempre vai ser garoto porque eu me nego a envelhecer no papel também – morria de vontade de beijá-lo. Punha beijo onde desse para passar uma barata tridimensional, mas nunca, jamais, eu pedia um para ele. É engraçada essa comparação: tem dias que estou cozinhando e meu namorado chega e já peço um beijo, sem a menor vergonha. É tão natural…

O que me leva a mais louca das minhas conclusões:  sim, beijo tem muito a ver com amor. Eu passo minutos inteiros e seguidos beijando o Preto antes de dormirmos e toda vez que não estamos em público, nos atracamos naqueles beijos onde me sinto a Vampira do X-men. E se falta logo já solto alguma brincadeira e como resposta escuto que eu estou carente. Pá puta né?

Namoro/casamento/morar junto… qualquer relacionamento levado a sério exige muito da gente, da nossa disposição, da nossa dedicação, da nossa entrega, do nosso auto-conhecimento, da nossa paciência, do nosso limite.  São trocas e abnegações em busca sim desse amor que esperamos que nos faça melhores, não que nos salvem; que complemente, não que complete. Você precisa de tesão, de beijo, de abraço, de cafuné, de massagem, de risada, de colo, de conversa, de troca, de programas a dois, de tempo para vocês, de momentos com a turma, de momentos individuais, de balada, de respeito ao gosto do outro, de espaço, de compatibilidade, de força, de garra, de desarmamento, de confiança, de lealdade, de flertes inofensivos… porque estamos vivas também.

É preciso estar disposto a dar e receber tudo isso, não só fazer durar enquanto houver química. Porque aí não é amor, é tesão. E tesão é tesão e amor é outra coisa…

Bonitinha, mas ordinária

 
Olho para o celular e fico desesperada, estou atrasada e o elevador parece não chegar nunca! Ele surge com um pequeno “plim” e para minha sorte nem está tão cheio. Mas tem gente bonita. Gente de todas as idades. Gente bem vestida. Parece que vamos todos ao mesmo evento. Mesmo tendo espaço, prefiro ir pro fundo para não amassar o vestido.
Penso nas pessoas que tenho que entrevistar, como falar e sinto o primeiro fio de suor escorrer pela minha panturrilha. O nervosismo sempre me consome antes das gravações. O elevador pára com um tranco e antes de tudo escurecer, percebo que tem somente umas dez pessoas ali dentro. Me espremo no canto, tenho uma claustrofobia leve, tenho medo que o elevador despenque, tenho medo que meu chefe, meu produtor, meu câmera e o promoter achem que tive uma diarréia de nervosismo e fugi!

Minha cabeça gira, meu vestido fica ainda mais colado e sem perceber, uma mão escorrega pelas minhas costas, aperta minha virilha e antes que pudesse berrar com o susto, ele sussurra: “sou eu!”. Eu, é o tal promoter, é um coordenador de eventos fantástico! Todo mundo o conhece em São Paulo, não existe um evento que, se ela não organiza, não compareça. Até inauguração de mercearia, se bobear.

Mas deixem que o apresente como ele é pra mim. Deus – como o chamo – é meu amante platônico virtual favorito (pois só nos vemos em compromissos sociais e precisamos manter a ética trabalhista). Por intermédio de e-mails, conversas instantâneas e alguns telefonemas falamos tudo que temos vontade, sem medo ou pudor. Não necessariamente sobre nós dois, mas nossas experiências, nossas vidas.

Somos, antes de tudo, amigos, e no ambiente de trabalho, colegas. Pois onde quer que estejamos, a tensão paira no ar. Se estivéssemos sozinhos no mundo, transaríamos até a exaustão, nos beijaríamos com sofreguidão, nos comeríamos no sentido antropofágico. A curiosidade, a vontade de satisfazer esse desejo reprimido, nos consome quando nossos olhos se encontram.

Conhecemos-nos há uns três anos, assim que entrei no site. Sou repórter, cubro eventos, entrevisto pessoas comuns, pessoas famosas, pessoas pseudo-famosas. Mas abordo outras questões, outros ângulos, algo mais caliente. Minha chefa costuma dizer que o contraste da minha personalidade sedutora, com meu rosto incrivelmente juvenil, deixa as pessoas diante de uma situação confortável.

Nas horas vagas tento sanar minha frustração genética de ter herdado centímetros de menos e alguns quilinhos a mais, desnecessários para uma topmodel, então poso para amigos, ou para mim mesmo, encarnado personagens sensuais, bem ao estilo Nelson Rodrigues, Lolita e pin-ups, mas isso é uma outra história…

Por a + b, Deus acredita que eu seja uma mestra do sexo, phd na multifuncionalidade das mãos e língua. A imaginação nos permite qualquer coisa…

Voltemos ao elevador: prendo a respiração e assim ele tem o controle total de mim. Ele passa a mão pela lateral do vestido, tenta outro ângulo, explora e percebe que estou sem calcinha (hey, meu vestido é de cetim – na cor cenoura, lindíssimo! – o que vocês esperavam?).

Ele se afasta e lentamente tateia minhas pernas pelo lado de dentro, mais vários fios de suor agora, respiro um pouco, prendo –a de novo, ninguém pode escutar. Ele me encontra! Foi como se todos esses anos estivéssemos esperando esse primeiro encontro, mais provocativo.

Seus dedos prestidigitadores começam a funcionar e uma onda de me toma, me engole e, como se fosse possível, o elevador fica ainda mais escuro. Ele sussurra que meus traços juvenis são potencializadores de tesão, pois neles residem os disfarces necessários para encobrir a lascívia das vagabundas. Contorço-me imovelmente, grito um grito mudo de prazer, estou quase explodindo, quando uma voz lá fora avisa que em segundos o elevador voltará a funcionar.

Agradeço, afinal tinha que trabalhar. As luzes se acendem, arrumo meus vestido, corrijo a postura e tento sair com cara de desespero pelo atraso.

Fiz todas minhas entrevistas, entre algumas delas, bebi, dancei e sorri. Mas quando terminei, percebi que Deus não tirava os olhos de mim. Bebemos mais, dançamos mais, rimos demais; toda dança do acasalamento entre animais no ápice do cio.

Já estava cansada de tanta gente, queria ir embora, queria transar. Não agüentei mais, despedi-me do meu chefe, liguei para Deus e avisei: “no seu carro em 5 minutos”. Levamos menos que isso!

Queria ali na garagem, no carro, em qualquer canto, mas Deus insistiu que eu estava mais linda do que nunca e que  precisava de mim na cama. Agüentamos firme todo o caminho para a casa dele. Dez semáforos, um túnel, duas avenidas. Um viaduto, três portas, dois molhos de chave, outra porta, uma escada e , voilá, enfim sós.

Ele fez meu vestido desaparecer em segundos, estava completamente nua a mercê daqueles olhos famigerados. Liguei o som, comecei a dançar e desprovida de qualquer peça, inicie um strip com as roupas dele. Levou muitos minutos, cada tentativa de enlace era um gemido alto de prazer, meu tesão aumentava mediante suas súplicas pelo meu corpo.

Nenhum dos dois agüentou mais, com um beijo faminto tentamos desafiar a Física para provarmos que dois corpos são capazes de ocupar o mesmo espaço. E assim, sucessivamente, ao longo da noite, até a exaustão…

Acendi um cigarro, enquanto observava o movimento na Paulista pela janela.

-“Por que estava mais linda do que nunca essa noite?”.

-“Porque hoje você foi a minha mulher, e será por mais noites, por algumas mais “.

A chuva tinha começado…

-” Algum problema com isso?”. Balanço a cabeça negativamente, ele se confunde.

– “Muitas mulheres se importariam!”, rebate.

– “Não sou muitas mulheres, HOJE fui sua mulher e serei SUA mais algumas noites… “

Ele abre um sorriso admirado.

 “Ah, o mito, a lenda, a farsa são surreais! Mas a realidade, a realidade… é muito melhor”