Meu (segundo) 1º beijo

Acho engraçada a importância que é dada a tudo que acontece primeiramente na vida: o 1º beijo, sexo, namorado, carro, trabalho, filho. Claro que são coisas especiais, mas a mistura de sentimentos pode ser tão intensa e tornar aquele momento algo, por assim dizer, inexpressivo perto das outras vezes.

Duvido que sua primeira transa tenha sido magnífica. Ou que o primeiro filho não te apavorou. Meu primeiro beijo? Fiquei com um nojo danado daquela coisa melada, molhada, entrando na minha boca, passeando ali dentro. MUITA coisa mudou nesses 20 anos, claro – ainda bem!

Eis meu ponto: aquilo que deveria ser ‘super-master-blaster-fodasticamente-das galáxias’ acaba sendo uma experiência não tão bacana comparada com as outras vezes. Então, para mim, a gente acaba perdendo aquele brilho, aquela mágica, que esperamos que uma primeira vez de qualquer algo tenha. Porque a primeira vez não torna a acontecer – embora momentos especiais sempre surjam.

O-Primeiro-Beijo

 

 

 

 

 

 

 

Lembro dos muitos beijos que dei, seja pelo motivo que fosse, e daqueles que se tornaram especiais – e histórias para guardar em caixinhas no coração: o com gosto de caramelo, o da festa à fantasia, o da porta da geladeira, o dado no balcão de um bar de São Paulo, o do reencontro após uma longa viagem, o coberto de lágrimas de saudades. Mesmo assim nenhum deles estava relacionado com o que falei acima.

E claro que a vida iria me surpreender novamente, da maneira que eu menos esperava – como sempre é, ou deveria ser.

Embora houvesse a tensão estampada na cara de ambos, embora houvesse o clima, nunca houve flerte, nem um sinal de que algo aconteceria. Ele estava nervoso e fui conversar com ele. Diante das palavras, pedi que ele me abraçasse – coisa que ele prontamente obedeceu. Pedi que ele me abraçasse forte e ele estalou minhas costas – e senti o sorriso dele se formar em cima do meu ombro depois de eu reclamar. Ainda abraçada a ele, feliz de ele ter sorrido, eu me afastei. Nos olhamos por longos cinco segundos, hesitando. A vontade atropelou a razão e acompanhei todo o movimento de olhos bem abertos, até que os fechei lentamente.

Ele não é o cara pelo qual irei me apaixonar, nem namorar, e jamais casaremos. Ele não está na lista dos beijos que viraram histórias de vida. Mas é o cara que pôs um sorriso bem bobo no meu rosto, que me deu a mágica do primeiro beijo, sem deixar de lado aquele foguinho que nasce no tornozelo e chega até os botões da camisa em segundos.

Ele é o beijo que não quero beijar de novo, porque primeiras vezes não tornam a acontecer.