Neste Natal…

É, dezembro de 2011 chegou. Natal está aí: ruas, lojas, casas (com exceção da minha) estão enfeitadas. Época que todo mundo lembra de ser bondoso, solidário; época de faturamento alto, dívidas para o ano seguinte, promessas… E mesmo assim, é a época mais linda e mágica do ano!

Mas hoje, andando pela Paulista, eu tive um sorriso largo e uma lágrima rolando pelo rosto.  Eu queria ter tido mais tempo. Mais tempo para ficar com você, mais tempo para entender, mais tempo para ver seu sorriso quando o Natal chegava. Talvez fosse seu único dia feliz de verdade, o dia em que você não se preocupava com o pouco dinheiro, com os IPTUS e condomínios atrasados, se teria ou não comida na mesa. Fosse como fosse, a gente se reunia, arrancava a última moeda do cofrinho e tinha uma ceia de reis.

Era lindo ver seu sorriso. E como isso dói hoje em dia!
Ano passado você não estava aqui, mas parecia que seria apenas uma outra noite que eu passaria longe e no ano seguinte estaríamos juntas outra vez. Mas a verdade é que nunca mais vai ter uma noite de Natal com suas mãozinhas ásperas apertando meus ombros, não vou ter que assitir (aquela porra chata)  a Missa do Galo, não vou mais ter que rezar antes de comer, nem esperar a meia-noite para abrir meus presentes (porque você respeitava todas essas tradições). Eu passei tantos anos escutando que aquele seria seu último Natal, que em 2009 resolvi visitar outra parte da minha família… Mas aquele foi seu último Natal e eu estava a quilômetros de distância!

Justo eu, que peguei uma aversão enorme ao Natal – e só fui redescobrir a graça quando sua bisneta nasceu – hoje me vejo dividida em sentimentos de iguais proporções. Espero loucamente por essa noite, para ver a Manu sorrir, abrir os presentes e me emocionar. E então eu choro sua saudades, me emociono com um pisca-pisca qualquer e saio comprando cada Papai Noel que vejo pela frente – simplesmente porque eles me lembram você.

Ano passado você já não estava aqui. E nesse, se o Papai Noel existisse, eu só pediria por mais um Natal com você! Eu ficaria extremamente feliz de assistir à Missa, nem ligaria se suas mãozinhas ásperas estivessem apertando meus ombros (sempre queimados) e sequer reclamaria da fome! Eu só ficaria sentada no seu colo, devorando a travessa de brigadeiros que a Senhora teria feito para mim.

Esteja você onde estiver Vózinha, Feliz Natal!

Então (já) é Natal…

Não adianta evitar o bendito clichê “o tempo passou voando”, pois foi exatamente isso que aconteceu: 2010 mal chegou e já foi embora!

Passamos o Carnaval, Páscoa e todos demais feriados, todos os demais dias, sempre preocupados com o que fazer, como ganhar mais $, como fazer aquela viagem, quantos quilos perder; se estamos sendo boas namoradas, boas mães, boas amigas…

O que sempre me irritou no Natal é a hipocrisia de algumas pessoas que querem ser boas, melhores, apenas nessa época. Como se nos outros meses não houvesse problemas. Quando percebi isso, decidi fechar a cara para a data festiva!

Até redescobrir todo o encanto único, ímpar e excluviso desses dias…

É a decoração festiva, são as luzinhas piscando em suas diversas cores, é o cheiro (sim, Natal tem seu próprio aroma), são as crianças agitadas ainda acreditando em Papai Noel (e existe coisa mais fofa que a inocência infantil?)… todo esse clima realmente dá inspiração!

Inspiração para acreditarmos, para desejarmos, para vermos algumas de nossas dúvidas cotidianas serem respondidadas e assistir outras tantas surgirem.

E por melhor que seja a parte da troca de presentes, festas, reuniões e tudo o mais, é preciso se concentrar na mensagem. Na minha opinião, não da que a do Salvador do mundo nasceu e blábláblá, mas baseada nesse clima gostoso, amistoso, que é capaz de trazer um sorriso ao rosto sem motivo algum, que faz a gente ajudar alguém que nem conhecemos só  “porque é Natal”.

Esse é o pensamento que deve permear não só o final de ano, mas o começo e o meio dele. Não para que o mundo seja um lugar melhor, mas para que sejamos melhores, para que sejamos mais felizes, mais leves, mais alegres. Para que os dias de tempestade não nos quebrem, apenas molhem um ‘cadinho’…

É isso que o Natal é para mim: um mar de sorrisos, de abraços; uma enorme oportunidade de expressar o amor em todas suas formas! Porque, até então, é a melhor época que temos para falar tudo que sentimos e sermos ouvidos – sim as pessoas são mais receptivas também!

E você, o que precisa falar? Falar com o coração, sem medo, sem ressentimento? Diga tudo, sem pensar, apenas sinta!

FELIZ NATAL!

Carta ao bom velhinho!

” Querido Papai Noel,

sei que faz muitos anos que não nos falamos, nem ao menos um simples olá. Não vou dizer que é tudo culpa do meu crescimento e de como, depois dos 8 anos, a maioria das crianças leva o primeiro baque na vida – você não existe! A verdade é que desde muito cedo eu me desiludi com as pessoas, com as mentiras, com a hipocrisia e as falsas promessas. E assim, joguei no lixo tudo que era pregado para que um dia, quem sabe, talvez, o senhor tivesse a bondade de aparecer na sala da minha casa e realizar meu desejo.

Então eu – por muitos anos, a maior parte da minha vida – não obedeci meus pais, não comi salada, não aprendi o desapego material, não fui dormir cedo (mas se o Sr. contar que dormir 7h da manhã conta, ok) e toda aquela infindável lista que os pais desfiam nos 11 meses do ano que antecedem o Natal.

Preciso ser sincera e dizer que muitas vezes o chamei de cretino, gordo, retardado e outras coisas mais. Porque, para mim, o Sr. sempre foi o Papai do Céu que se fantasiava de velhinho e então a sua onipotência, onipresença eram mais do que justificadas! Ah, sim, minha revolta? Você deve ter assistido também tudo o que passei e por serem lembranças dolororas, prefiro passar adiante. Mas a gota final foi achar que o que me separava da minha filha era tudo o que eu já tinha aprontado nessa vida!

Meu namorado só não chamou um terapeuta porque ele viu que eu estava realmente falava sério! E então, eu resolvi mudar: há pouco mais de um ano eu te vi vi assim, enorme, do lado do meu trabalho. E olhar seu rosto fez com que eu acreditasse em tudo que eu acreditava quando era criança.

Verdade seja dita: minha vida melhorou muitro, obviamente não sem algumas perdas. Perdi amigos que eu gostava mesmo, perdi aquela obsessão por cuidar do meu corpo, muitas vezes perdi a estribeira e cai numa crise de choro sem fim. Em compensação algumas amizades foram reforçadas e hoje elas são essenciais, ganhei o melhor homem que encontrei na vida (sinceramente, ele mudou muito de quando o conheci e hoje ele e uma das pessoas mais fantásticas, íntegras e de bom caráter que conheço), realizei meu sonho de trabalhar na Globo, voltei para academia e tudo quase está perfeito!

Quase pois minha filha ainda está lá e eu, aqui. E hoje nós duas conhecemos a dor da saudades… e por ela sentir, dói muito mais esses dias do que doía antes, sabe? Essa ligação, mesmo com tudo o que tenho, é a única que me mantém viva, batalhando, lutando e melhorando. Aos poucos estou aprendeno a ser menos material, a respeitar mais os outros e seus sentimentos, evito ficar longe de fofocas, intrigas e falsidades, sou mais sociável e educada, como salada, durmo na hora que tenho que dormir, não esculhambei minha relação (bem pelo contrário, nunca tive um relacionamento tão sadio na minha vida), cuido dos meus amigos e rezo toda noite!

Eu sei que o Senhor já sabe de tudo isso, mas todo final de ano eu fico um pouquinho melancólica e nostálgica, então gosto de recorda r tudo que passei. Mas como toda boa carta que se enderece ao Papai Noel, essa tem um pedido de presente de Natal: o senhor já sabe né? Pois é isso, somente e exclusivamente isso que eu quero pra mim… e tudo bem se só chegar em fevereiro, pois é meu aniversário.

Espero que essa você consiga ler esse blog a tempo e julgue que já seja a hora; tomara que eu o encontre no meio da sala da minha casa, para batermos um papinho  e eu contar para minha filha que agora eu realmente tenho o número do seu telefone!

Com amor, M. V.”