Dinâmica dos relacionamentos

Trabalhar com o universo de Internet é altamente instrutivo, sobretudo se tudo se referir à comportamento – siiiiim, agora sou paga para tal!

Entre os temas de discussão do programa estão amores virtuais, ciúmes, vaidade, mulheres na chefia e consumismo.

Minha principal função é pensar, criar pautas, posts que girem em torno da polêmica, que sejam amplamente discutidos e assim render ideias para os roteiristas. Com essa alma de pseudo cronista, hoje me veio à cabeça: como funcionam os relacionamentos.

Porque assim como os seres humanos, cada relacionamento tem sua vida, sua rotina e sua própria dinâmica. O que é do caralho para uma pessoa, pode ser um lixo para outra; o que um faz meio de saco cheio, para outro pode ser incrível e para um terceiro, um verdadeiro absurdo!

É por essa razão que não existe fórmula certeira, que funcione para todos os casais. Mas falando muito de separação, pensei: “e quando os casais não se tocam que já deu o que tinha que dar?”. Será que o amor está mesmo acima de tudo? Ou é o medo de jamais sentir aquilo novamente, ou a mágoa (mesmice, cobranças, rotina) corroendo o discernimento?

Já observei casais de ficantes que mais pareciam namorados, namorados que pareciam casados e casados que pareciam inimigos. O legal de não ter rótulo é você sentir-se livre para deixar a relação tomar o rumo que desejar. Mas e quando acontece ao contrário: quando, por exemplo, os casados que nem são mais amigos, os namorados já nem se beijam mais ou o casal que morava junto, num pré-casamento, deu um passo para trás?

Esse furacão, totalmente devastador, em ambos sentidos, pode estar pronto para cessar ou continuar arrebatando corações, sentimentos e trazendo felicidade. A quem cabe julgar? Quem está dentro e sabe como funciona? Quem está fora e “vê as coisas melhor”?

Vale a pena investir tanto assim? O perdão realmente existe? É o medo que prende uma pessoa à outra? É amor de verdade, daqueles que superam tudo?

Seguindo minha nova linha profissional, vou exercer o padrão _ _ _ _ _ de produção e deixar: envie seu comentário!

Discuta tanto aqui, como por lá!

Um só que faz a diferença

Assim como toda noite, dei uma boa olhada no espelho para iniciar meu ritual de beleza noturna (sim, desde que virei repórter tenho um!). Foi então que percebi um pequeno brilho, mas minha atenção foi desviada por um choro baixinho.
Vi uma garotinha, escondida debaixo da cama, num quarto escuro, assistindo a mais uma briga dos pais. Ela chorava tanto que mal conseguia abrir os olhos, mas chorava em silêncio, tentando salvar seu orgulho.

Quando ela abriu os olhos viu seu pai e padrasto se batendo e então, sem ser avisada, a colocaram num carro e a esconderam: da família, dos amigos, da escola, do mundo.

Quando ela reapareceu tinha 12 anos de idade. Era gorda, feia, desajeitada. Mas era uma ótima menina: tinha muitos amigos, era convidada para todas as festas, era divertida e engraçada. Mas enquanto suas amigas se aventuravam nas terras dos primeiros beijos, ela era rejeitada por qualquer menino.

Então, retirou-se em um ostracismo social, marcado pelo som de suas lágrimas mudas e duras. Viveu no escuro até cansar de chorar.

Voltou à sociedade linda, deslumbrante e orgulhosa. Era sua vez de se divertir e logo aprendeu o poder da sedução. Não houvesse quem lhe escapasse e o poder subiu-lhe à cabeça.

Subiu tanto que ela pouco se importou quantas pessoas magoou, por cima de quem passou. Tão pouco ligou para sua saúde: bulimia e princípio de anorexia lhe renderam sua primeira paixão e, então, quando se curou, seu coração foi estraçalhado!

Nesse caminho ela sofreu abusos, indiferença, hostilidade, humilhações. Umas eram conseqüência dos seus atos, outras lhe eram dadas gratuitamente.

Um filho perdido, amores perdidos, orgulho perdido, família perdida… ela se perdeu! Ela chorou. Ela gritou. Gritou até perder o ar. Quase desfalecida, alguém a segurou pela anelar direito e ela ficou bem. Bem como nunca mais foi, feliz de verdade com o amor da sua vida.

Mas essa pobre menina fora criada às avessas: não lhe foi ensinado que o que ela tinha era pouco para ela, mas sim que ela nunca seria boa o bastante para tudo que tinha, na versão de sua mãe. Então a garotinha aprendeu a arte da auto-sabotagem, da autodestruição.

Tornou-se Ph.D e tudo que lhe parecia bom demais, seu cérebro processou como algo a ser excluído. Portanto, seu subconsciente tornou-se mais forte que ela mesma.

E assim foi construindo os alicerces de sua vida: seu padrasto morreu, sua família dissolveu-se, o poder aquisitivo diminuiu, sua mãe surtou (de vez) e ela tentou não se importar. Criou seu próprio mundinho por meio de personagens, reais e fictícios.

Erros demais, caprichos demais, estragos demais, ego demais, vícios demais, escolhas erradas demais, sedução de mais, vidas para administrar demais, poder demais… Ah, se eu conseguisse assistir esses relances bem detalhadamente teriam se passado muito mais do que 10 anos.

Mas voltando à mim: aquele brilho estreante no meu pequeno ritual era um enorme fio de cabelo branco; um único, mas tão comprido e iluminado que saltava aos olhos.

E, então, meus 25 anos, 5 meses e 4 dias pareceram pesados demais. Fechei meus olhos até tudo ficar escuro e senti, novamente, o sabor amargo de minhas lágrimas mudas, esperando que meu orgulho ressurgisse…

 

 

Quando passa a ser sério

 

 

Mais um dia como dona-de-casa e mais um filme na Tv. Mas não é qualquer filme, é o meu favorito: “O Casamento do Meu Melhor Amigo”; e não pude deixar de extrair algo importante.
Em determinado ponto, a personagem da Julia Roberts (Julianne) e do Dermot Mulroney (Michael) estão em um barco-restaurante e ele comenta sobre a importância de falar as coisas no instante em que elas acontecem, que há um instante para cada coisa ser dita e que depois daquele instante, tudo passa e a mesma coisa, ainda que seja dita, não é a mesma, não tem o mesmo impacto.

Há 10 anos me pergunto o motivo de Julianne ter desconversado, não ter falado que o amava, apenas hoje entendi que é o medo que a deixa paralisada. Talvez tenha demorado em compreender, pois sou conhecida por não ter medo de falar o que me vier à cabeça, de seguir meus impulsos. Então me deparei com certas questões: o que eu temo? O que a maioria das pessoas teme? Quando superamos um medo? Será que todo mundo tem medo de alguma coisa?

Nenhum medo é bobo, nem idiota, embora existam os medos comuns; de barata, rato, aranha, escuro, injeção. Mas quero falar daqueles medos que nos petrificam, que são difíceis de serem superados. Somente cada um de nós sabe o que nos deixa sem reação, que nos faz aceitar coisas que normalmente não aceitaríamos. A morte me vem à cabeça agora, mas todos nós morreremos mesmo, então…

Paralisa-me pensar na solidão. Não aquela que sentimos de vez em quando, mas uma permanente e dolorosa. Embora tenha amigos incríveis, eles têm vida própria. Embora eu tenha uma filha, filhos são criados para ganhar o mundo, não para grudar-se em nossas saias. É aquela solidão de não ter um companheiro, de não ter alguém que envelheça ao meu lado. É imaginar que meus dias passarão de lembranças, de rever minha juventude pelos os olhos da minha peuqena.

Porque as mulheres que casam não são como eu!

Às vezes me pego pensando se uma vida normal aconteceria comigo… e hoje, talvez pela primeira vez, eu percebi que não é uma vida padrão que me faria feliz, porque enfim eu vi que eu não sou uma mulher padrão. Posso parecer forte como um muro, mas qualquer um que olhe dentro dos meus olhos por mais de cinco segundos consegue ver que, de verdade, eu sou uma criança assustada, e que muitas das minhas reações explosivas não são nada mais que uma defesa.

Mas tem uma coisa que eu realmente não posso negar: cada vez que eu caio, cada vez que eu acho que a coisa vai mesmo pro saco eu tenho alguém que me chacoalha e que me lembra que a vida sempre caminha para frente. E um dia eu sei que eu vou acreditar nisso, até porque eu vou entrar em terapia de eletro choque se eu não acreditar – rs!

Uma vez eu li um cartão postal com um sapo e estava escrito “Un jour ton prince viendra” (um dia seu príncipe virá). Por mais que hoje eu não tenha nem o sapo, no fundo eu sei que a coisa vai andar… no MEU padrão e para frente!

texto escrito a quatro mãos: minhas e da minha irmã