Antigas verdades viraram mentiras….

Algumas descobertas vêm com a força de uma patada de elefante: te desmontam, te partem ao meio, te deixam dolorida por MUITO tempo, te desorientam. Provavelmente é quando você descobre uma mentira, uma decepção, uma traição: você nem se lembra como foi parar nessa situação, mas com certeza escutou, ou viu, os sinais. O elefante nada tem de silencioso.

Mas não quero falar de coisas que te pegam – mais ou menos – de surpresa. Quero falar da cobra coral verdadeira: ela se mascara como uma cobra não peçonhenta, te ludibria com cores vibrantes, quando você consegue enxergá-la.

Quando não, ela se mistura às folhagens, esconde-se em locais bem seguros e escuros (para ela) e se você tiver sorte, nunca nem a enxergará. No entanto, se você não for esperta o suficiente para se render a sua beleza, passará pela serpente que ela realmente é… e vai fugir – ninguém pode ser tão burra assim!

Se você for realmente uma pessoa nascida na sexta-feira 13, logo depois da sua mãe ter visto um gato preto e os enfermeiros terem passado com a maca dela por debaixo da escada, você está fodida!

A serpente vai se aproximar sorretaramente, sem fazer barulho, vindo do nada e vai te acertar m cheio. A dor da picada vai te desmontar, te partir ao meio, te deixar dolorida por MUITO tempo, te desorientar. Você nem ao menos sabe quando ou porque essa peçonhenta surgiu, não escutou, nem viu nada… ou simplesmente ignorou os locais escuros e seguros (para você).

Provavelmente é quando você descobre que sente saudades de uma ex-amiga que jurava nem querer ver a cara, que brigar com as pessoas que te amam não vale a pena ou quando encontra um ex-amor e percebe que ele não é tão ex assim.Foi assim que desmontei, fui partida ao meio, que fiquei EXTREMAMENTE dolorida, desorientada.

Como se tivesse tomado um soco na boca do estômago: me faltou ar, cambaleei, o tempo parou. Você estava tão lindo, tão simples e no momento que nossos olhos se cruzaram e você sorriu para mim, eu soube.Eu não tinha sido acertada por um elefante ou picada por uma serpente, eu tinha sido atingida por uma verdade que tentei transformar – com relativo sucesso – em mentira:

EU AMO VOCÊ!!!

Cause I don’t believe in anything…

… and I, I wanna be someone to believe, to believe, to believe,yeah” – Mr. Jones, Counting Crows
Nos meus finais de semana – quando tiro folga do serviço doméstico – assisto o maior número de filmes que consigo – sejam alugados, “Sessão da tarde”, “Tela quente”, sessão da madrugada, o que vier. E como tenho uma mãe que ama histórias BEM românticas, acabo entrando na onda.
Deparei-me com uma película (juro, não lembro o título) em que o casal é separado por escolhas pessoais, estudantis, profissionais, acabam conhecendo outras pessoas e cada um segue sua vida. Bom, nada diferente do que acontece com a maioria dos casais na realidade…

O que me intrigou na verdade é que muiiiiiiiitos, muitooooos anos depois eles se reencontraram e voltaram a viver aquela linda história de amor interrompida como se a sabedoria juvenil tivesse desatado quaisquer laços e como se os amores de depois não tivessem existido. Então eles viveram mentiras? Não amaram as outras pessoas de verdade?

Saindo do rolo de 8mm… quando pode-se ter a certeza de que um amor terminou? Paixões reacendem? Ou nunca terminaram? Como, quando, onde e por que ressurge, como se tantos e tantos anos não tivessem mudado cada indivíduo?

Pergunto-me por qual razão um amor assim, que supera anos, família construída, foi então posto para escanteio. E não entendo! Da mesma forma que não entendo porque ficamos mais agressivas e sensíveis- também – na TPM, porque o preço do cobre interfere no preço da celulose, porque o fundo de ações vai bem quando a Bolsa está mal, porque as baratas sobrevivem à bomba atômica, mas se espatifam na primeira chinelada certeira, porque homem é hipócrita,etc. – pois não entendo tantas coisas…

Tentar me explicar que existem diferentes tipos de amor seria perda de tempo. Não sou xiita e sei que tem amor de pai, de amiga, de família, de objeto, mas amor de casal não tem como ser diferente! Não existe meio amor, amo mais que a outra. Existe diferentes formas de expressar amor, existe tesão, paixão, carinho, querer bem… mas amor é amor.

Indigno-me sim! Pois quando não se tem fé nas pessoas, é preciso ter crença em algo. Pois só dá valor a isso, quem foi ludibriado. E se acharem que estou loca, experimentem viverem o outro lado.