Como naquele filme que eu não canso de assistir

O alarme do interfone disparou para avisar que o táxi tinha chegado. Você me acompanhou até o elevador, de mãos dadas, meio que querendo me deter, meio que tendo a certeza de me carregar para fora da sua vida. Nos beijamos, com lábios longos, como se não quiséssemos dizer adeus. Eu te abracei, com força, querendo morar em seus braços para sempre. Você segurou meu rosto em suas mãos, como se quisesse para sempre se encontrar nos meus olhos…

Olhei para o chão e me desvincilhei – precisava ir para qualquer lugar longe de nós dois. A porta do elevador se fechou atrás de mim e quando me virei, seus olhos negros marejados foram a última coisa que consegui ver. Me senti como a Julia Roberts em “O Casamento do Meu Melhor Amigo”: eu poderia ter dito que te amava, mas deixei o momento passar. E lágrimas escorreram pela meu rosto.

Desta vez eu tinha certeza que tínhamos nos despedido para sempre.

Anúncios

Um dia

Embora eu tenha muitas datas na cabeça, o Onze de Outubro é uma das poucas que ocupam meu coração.

Ela tem sua marca na minha pele, mas é na minha alma – e nos meus sorrisos – que ela realmente se faz presente.
Há alguns anos pouco tem a ver com o amor que um dia senti, esse de homem e de mulher. Mas é sempre amor, mesmo que mude, mesmo que acabe. E o amor acaba? Gosto de acreditar que ele se transforma. Em raiva. Ou rima. Em carinho. Talvez nostalgia. Mas amor é para sempre. Eternizado como for. Como eu eternizei.

1385201_10200688962491472_802222017_n

Porque sempre que encosto no ossinho direito da bacia eu vejo dias de um verão sem fim. Dias de sol, de namoro no portão. Do Axl Rose assobiando e você dedilhando o violão. De partidas de tranca enquanto devorávamos o chup-chup da Dona Josi – que só agora sei que é Dona Luzia.

Porque no dia de hoje eu sempre me lembro que corações puros existem – eu tive o mais lindo deles em minhas mãos. Lembro do seu sorriso tímido, da sua simplicidade exacerbada e de como isso mudou TODA a maneira de eu ver a vida. Como seus 16 anos, tão ingênuos, colocaram minha prepotência e arrogância no chinelo. Achei que te ensinaria tudo – e algumas coisas ensinei muito bem – mas eu aprendi muito mais.

Eu fecho os olhos e toda minha adolescência passa em gargalhadas altas, em olhares profundos e sinceros. Em amizade. Em companheirismo. Nessa retrospectiva nem lembro que tive momentos horríveis. Porque você estava de mão dada comigo, me explicando pacientemente que as coisas boas vêm para aqueles que merecem. E eu merecia – você dizia insistentemente

Ali, aos 18 anos, eu soube pela primeira vez o que era amar. E ser amada sem medidas. Até sorrio com a língua entre os dentes, espremendo os olhos.

E marquei no meu corpo, já que raramente toco minha alma, para sempre me lembrar que aquele verão durou 1460 dias. E que esses dias serão a melhor lembrança da minha adolescência só enquanto eu respirar.