Michael & Eu

EU sei que o nome do filme é “Marley & eu”, mas ó dei uma leve plagiada. Estou longe de ter os mesmos dias de cão como o do filme, mas enfim, pasmem, tenho um cão!

Saí para comprar uma fantasia para a Manu e voltei com um cachorro (e todos seus apetrechos) debaixo dos braços.  E olha, que desde que o falecido perdeu o poodle que me acompanhou por 12 anos, jurei que não teria mais cão algum!

Mas foi como paixão-obssessão à primeira vista: ele olhou para mim, de dentro de sua pequena morada, através de um vidro todo lambido e me encantei pelos olhinhos que mal podia enxergar. Me apaixonei pela tentativa de suas patas em me alcançarem e enlouqueci quando segurei toda sua pancinha redonda em minhas mãos.

Um amor instantâneo que jamais tinha experimentado – embora já tivesse tido alguns cachorros – se apoderou de mim e trouxe o pequeno shih tzu, batizado de Michael Jackson, para casa.

Estava toda feliz, contente, empolgada, in love até que chegou a primeira noite e me lembrei do que bebês são capazes (sejam eles humanos ou caninos): xixi e cocô fora do lugar, choros, latidinhos… foi uma semana de angústia, de noites mal dormidas e minha casa nunca esteve tão limpa – pobre MJ. não pode nem pensar em fazer xixi (e agora ele faz no lugar certo) que já estou eu atrás com papel toalha, desinfetante, pano e lenço umedecido atrás do coitado.

Eu nem sei onde estava com a cabeça quando dentro da minha rotina (casa, filha, marido, trabalho, freela, academia) pensei em comprar um cachorro. Para que passar tudo com um bebê de novo? Ainda mais um que não me entenderia! Devia estar bem bêbada  às 9 horas da manhã daquele dia!

Mas é quando chego em casa e sou recebida com festa ou quando sento para descansar e ele se aninha no meu colo, que me lembro porque. É porque tudo seria um pouco menos colorido, menos alegre sem essa bolinha peluda de quatro patas que hoje faz parte da nossa família. Não teria a menor graça andar descalça sem sentir umas mordidinhas no dedão ou tacar uma bolinha na parede e ficar observando ele todo desesperado para brincar.

Incrível como uma família parece mais completa com um bichinho que nos faz companhia, que nos ensina outra forma de amar. É, já diz o ditado: coração de mãe sempre cabe mais um!

Tchau setembro maldito!

O dia de hoje amanheceu mais cinzento que qualquer outro que já vi nessa Selva maluca. Estava tão cinzento quanto meu humor, quanto minha esperança, quanto minha alma… parece que faz anos a última vez que me senti como São Paulo nos seus piores dias. Mas hoje eu acordei assim. E nem uma ida à famosa 25 de Março me animou… voltei de lá com as mãos praticamente vazias!

A madrugada que precedeu os palidérrimos raios de sol da manhã, foi o golpe final de um mês que mais pareceu agosto, ou o pior inferno astral ever... melhor: foi agosto de uma matilha de cachorros selvagens loucos misturado ao inferno astral acumulado e uma pitada de tpm de 45 dias.

E o que não aconteceu, ficou num quase extremamente dolorido – minha família quase foi destruída, eu quase participei de um projeto bacanudo pacas… já dizia o poeta: ” Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase./ É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.”

Senti como se tivesse construído um frágil castelo de cartas e desse singelo ponto comecei a questionar minha força, minha habilidade como mãe, minha gana em vencer, meu amor, minhas razões, minhas competências profissionais. “O que estou fazendo aqui?” ; “porque não desiste logo e volto para casa da sua mãe?”;  “Encare a verdade é veja que você não é nada do que pensou ser”; “tudo que você construiu é ilusão”; “sua filha não ficará por muito mais tempo”…cinco malditas frases que retumbaram a noite inteira na minha cabeça: um prego sendo martelado sem piedade; uma enxaqueca latejando cada vez mais forte; uma faca cega cortando meu pulso cada vez mais fundo…

Mas agradeço à sabedoria universal – e de alguns homens – de terem criado o dia e a noite; dividido o dia em horas; criado as semanas, os meses, os anos… porque dentro de algumas horas será um novo dia de um novo mês, que poderá me trazer uma nova esperança, uma visão melhor de mim mesma. Dentro de 1 hora e 8 minutos já será outubro… e todos os desastres pessoais/profissionais de setembro estarão no passado. Me sentirei livre para recomeçar, reencontrar minha força e me certificar que não estou aqui à toa, por estar.

Então vai embora setembro, vai mesmo. A gente nunca se deu bem mesmo… para que continuar fingindo? Eu te odeio, sempre te odiei! Me deixe sentir a doçura de outubro, pois essa paixão é de longa data e linda!