Eu já não sou o que eu era, devo ser o que me tornei

Por anos li, reli e escutei a citação de Coco Chanel nas cartas e conversas com meu, então, melhor amigo. Sempre achando que eu tinha mudado, sempre acreditando que eu era uma pessoa diferente a cada acontecimento…

Por anos fui Lolytha, meu alter ego, a expressão máxima de M******* V*****, com nada sutis requintes de crueldade, over sharing, sedução, espontaneidade exarcebada e ostentação. Essa fui eu por mais de 10 anos.

Apesar de gostar de ser o centro das atenções, no fundo, desejava ser aquela pessoa que tem a vida planejada, aquela mulher centrada com responsabilidades e que visa o futuro, a mulher que todo homem quer para chamar de sua para sempre – e não por uma noite. Mas mesmo assim, fui vivendo conforme minhas vontades, minhas crenças e meus pequenos shows, nem sempre particulares.

A vida deu sua volta de 547º, como se estivesse respaldada em diversos shots de tequila. Ninguém pode passar por tanto e continuar sendo a mesma pessoa…

Foi isso que percebi em um pequeno jantar em casa, com o marido e amigos. Enquanto contava duas histórias que envolviam água, formatura e leite materno, viajei no tempo, no espaço e aquela pessoa me pareceu a melhor amiga que tive anos atrás. Antes de dormir, me dei conta que falava de mim e senti um enorme vazio ao constatar a falta que sentia de mim mesma. Porque sem ao menos me dar conta, eu mudei. Me tornei aquela mulher que julgava impossível ser…

“Até cortar os póprios defeitos pode ser perigoso. Ninguém sabe qual é o pilar que sustenta o edifício inteiro.”

Não é de todo ruim mudar, bem pelo contrário. Ganhei experiência e vivência, obtive novas visões e opiniões… novos modos, hábitos, gostos e postura. Passei a valorizar coisas que pareciam sem importância, aprendi a administrar melhor situações que exigem muito de mim e a respeitar meus próprios limites; sei que não é preciso provar mais nada a ninguém (principalmente para mim mesma) e, enfim, encontrei a estabilidade que sempre fui atrás, de uma maneira ou de outra.

Depois de tal consciência, é estranho habituar-se, compreender que já não somos mais quem sempre fomos. Também não se apaga o passado, muito menos o que fizemos. É um pé cá e outro acolá, fazendo duas pessoas tão distintas, serem una. Há de se ter a renegação, a contradição, o medo do desconhecido…

E nessa corda bamba reside a habilidade da equilibrista em achar o lugar comum de tantas divergências, sabendo que mudar (para melhor) faz parte da evolução natural daqueles que se dispõem a tal. Mas que fugir da sua essência, é o primeiro passo da auto destruição.

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