Antiguidades…

Eu sei que vou chorar,
a cada ausência tua eu vou chorar,
mas cada volta tua há de apagar
o que esta tua ausência me causou.

Mais um adeus,
uma separação.
Outra vez solidão,
outra vez sofrimento.

Volta, querido…
tenho os olhos cansados de olhar para o além.
Vem ver a vida…
sem você, meu amor, eu não sou ninguém.

Que é pra acabar com esse negócio
de você viver assim.
Vamos deixar desse negócio
de você viver sem mim.

Não, não seja a vida sempre assim:
escravizada a uma ilusão,
como um luar desesperado
que chora dentro do meu coração.

De tudo, ao meu amor serei atenta.
Quero vivê-lo cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu encanto;
e rir meu riso e derramar meu pranto.

Se você quer ser meu namorado,
você tem de vir comigo em meu caminho.
E talvez meu caminho
seja triste para você.

Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos,
os seus braços meu ninho
do silêncio do depois,
do infinito de nós dois.

A felicidade é como a gota
de orvalho numa pétala:
brilha tranquila
e cai como uma lágrima de amor.

A minha felicidade está sonhando
nos olhos do meu namorado.
Passando, passando,
oferecendo beijos de amor.

São tantos seus encantos
que para os comparar
nem mesmo as belezas que têm
as auroras do mar…

O amor é uma agonia,
é uma alegria
e de repente
uma vontade de chorar.

Eu sem você
não tenho por quê,
porque sem você
não sei nem chorar.

Andam dizendo na noite
que eu já não te amo,
que eu saio na noite
e já não te chamo.

Que eu ando talvez
procurando outro amor.
Mas ninguém sabe, querido,
que este céu não existe.

Pois vai curtir teu deserto, vai.
Porque o perdão também cansa
de perdoar
depois que já perdeu a esperança.

Pois tudo que nasce
tem sempre um fim triste.
Até meu carinho,
até nosso amor…

_Idos de 2000, durante uma aula de literatura sobre dadaísmo – versos de Vinícius e Tom. Tem dedicatória sim, mas não vale a recordação…

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Uma pequena nota sobre maternidade

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Isso é algo que NINGUÉM avisa: o cordão umbilical não é cortado, NUNCA! Não o deles, mas o nosso. Uma espécie de laço invisível nos liga como se nada tivesse sido cortado, drenado e jogado fora. É intríseco e reforçado, capaz de resistir a bombas atômicas de milhares de kilowatts.

“Os filhos devem ser criados para o mundo e blá blá blá”… essa é a frase que mais escuto e é verdade; apesar de tudo os filhos não são nossos, nem devem ser criados para viverem na barra de nossas saias. Mas quem resiste a uma manha mais caprichada por um colo?  Por um pouco de carinho e atenção? Como dizer “não posso, estou ocupada” quando sua filha pede para você sentar ao lado dela porque ela é quem vai contar uma história para você. Ou como não achar graça de ver a pequena te ajudando a arrumar a casa para poder ir passear logo?

Tampouco sei que criá-la é algo fácil. Em uma semana direto, 24 horas por dia, houve momentos que desejei que ela dormisse antes só para eu respirar um pouco mais profundo ou jogar tranca com minha família, ou somente dormir mais cedo. E então aquela mãozinha pequena segurava a minha e sua vozinha fina me chamava para assistir Nemo pela 4ª vez no mesmo dia… eu não resistia.

Não entendo as mães que reclamam de ficar com os filhos mesmo quando eles vão para escola e o único tempo que lhes resta é dispensado à televisão, babá ou sei lá o que. Talvez porque elas os vejam todo dia, talvez porque estejam extremamente cansadas… eu aproveito cada segundo com ela, cada brincadeira, cada banho, cada filme, cada música, cada passeio, cada manha, cada bronca, cada beijo, cada abraço, cada instante… porque logo mais eu vou para São Paulo ou ela para Santos… e aí são muitos, muitos instantes longe.

Toda mãe deveria agradecer por ter seus filhos todos os dias, por poder pegá-los na escola, por morar com eles, por ter alguém que ajude. Porque por mais que você tenha escolhido ir em busca de uma vida melhor para os dois, aquele período de distância fere como ferro em brasa. E nem a alegria do reencontro suprime, pois logo depois vem a maldita despedida. Talvez ela não sinta a minha falta como eu sinto a dela, deve achar tudo uma grande diversão… duas casas, duas cidades diferentes, tantos ‘tios’ e ‘tias’.

Mas definitivamente meu cordão umbilical permanece grudado, com a força de mil tubinhos de superbonder. E toda vez que a vejo indo embora, me sinto mais forte para buscar meus objetivos e poder tê-la do meu lado todos os dias, dormindo e acordando ao meu lado e escutando ela falar ‘quero ver Nemo, mamãe!’.

Tomar ou não tomar? Eis a questão

Minha roomie vive reclamando que não temos um espelho suficientemente grande em casa… mentira dela! Temos um espelho do tamanho ideal onde se consegue ver quase todo o corpo, o porém fica por conta dos defeitos e excessos que ele mostra. O bendito fica bem em frente à porta do meu quarto; por mais que eu o evite, assim que acordo, ainda adormecida, dou de cara com ele e com a triste realidade.

Digo triste realidade pois sou uma dramática exagerada, mas já dizia Mamãe que nós temos que nos amar… como vou me amar com uma protuberância abdominal que insiste em saltar de qualquer vestuário? E os braços que parecem as coxas do Cristiano Ronaldo??? Ok, ok, é mais uma hipérbole, mas sabe quando incomoda? Na verdade me dei conta disso no Carnaval, quando dentro do vestiário do clube (e por um milagre, sozinha) me deparei com aqueles espelhos dantescos e pude me analisar…

Cara, como meu namorado transa comigo? Eu procurei qualquer parte no meu corpo que fosse atraente… não achei nenhuma. Eu havia engordado 5kg – ou mais – minha cintura inexiste e meus peitos aumentaram consideravelmente. Não vou mencionar o resto da tragédia, afinal ninguém merece, mas só de ver a barriga se pronunciando, foi o começo do fim.

No maior dos meus radicalismos cortei todos os doces (já são 32 dias sem), resolvi seguir uma reeducação alimentar e comecei a caminhar/correr no Parque Ibirapuera. Não vi efeito nenhum em quase um mês… até meu amigo me relembrar, com uma crítica of course, como eu estava sequinha no Natal e agora andava bem roliça. Quase entrei em desespero! Para quem passou a adolescência sendo tachada de mascote do Santos Futebol Clube, Hipopó e filha da Silvia Popovic, o peso é algo torturante!

Decidida, procurei uma amiga que toma sibutramina, um remédio bastante utilizado para emagrecer. Não que ela fosse gorda, pelo contrário, mas ela sempre esteve seca. Magrinha, barriguinha chapada, braços fininhos, gambitinhos equilibrando o resto do corpo… LINDA! Fui lá para saber tudo sobre a droga. Durante a narrativa, tive imensa vontade de também ser uma drogada. Queria sentir fome alguma, boca seca para tomar bastante água e ver o peso dimunuindo frequentemente. Claro que não existe milagre é também é preciso fazer exercícios e uma dietinha saudável, mas eu estava convencida!

Procurando no Google eu só li relatos horríveis de pessoas que emagreceram, engordaram o dobro depois; tinham enxaquecas péssimas, viraram dependentes da droga. Pensei: “FUDEU!” e resolvi não tomar nada. Por ironia do destino, em duas semanas numa correria doida, perdi 2kg. Na minha opinião, e na do maldito espelho do meu apartamento, ainda faltam 4kg (isso seria eu ainda mais magra que no Natal). Repensei minha decisão outra vez: será que valia a pena arriscar??? São só 4 quilinhos, depois eu paro, juro que paro!

Mas lembrei de uma amiga da faculdade que emagreceu 30 kg com o Vigilantes do Peso (nos encontramos semana passada, ela está belíssima!) e pensei na força de vontade que meu namorado está tendo para emagrecer. Se ele, que ama batata frita, pizza, macarrão, hamburger e não come frutas e verduras, não precisa de remédios  por que eu preciso? Pelo amor né? Ele quer perder 4 vezes mais quilos que eu!

Ainda não cheguei à conclusão alguma, pois tomar ou não tomar é tão difícil quanto ser ou não ser. Porque ou você luta contra a mídia, capas de revistas, você mesma e seus preconceitos e assume seus 3kg a mais que te impedem de ser chamada para participar de um Big Brother ou você entra no esquema e paga o preço.

É reconfortante saber que meu namorado me deseja mesmo que eu não tenha 50kg, mas para eu me amar um pouquinho mais eu preciso disso. Louco não é? No fim é melhor entrar no esquema dele (dieta + exercício) porque ainda conseguimos passar um tempo juntos. Definitivamente meu remédio não é para perder peso, mas para me livrar de neuroses!