Bright mornings

Acordar cedo é mais perturbador que simplesmente levantar da cama quando gostaria de passar mais horas com ela, abraçada aos meus travesseiros, confessando segredos por intermédio dos meus sonhos. É a única hora de silêncio e quietude do meu dia, onde converso apenas comigo em questões filosóficas egocentristas, cujo filme da minha vida passa em pequenos takes e atemporalmente. Talvez por isso seja tão raro esse despertar quando a manhã ainda confunde-se com a madrugada na qual adormeci…

Há alguns dias estou presa na cilada do saudosismo, perguntando-me da necessidade das pessoas na minha vida. Visitando profiles, revisitando meus cd’s de fotos, vasculhando minha memória… quantas gente, tantas histórias. Pulei da cama hoje cedo – para ser sincera, arrastei-me –  indagando o porquê delas terem passado por mim. É incontestável que cada uma (essas nas quais tenho pensado) deixou uma marca, por menor que seja.

É engraçado observar como mudamos: nossas vidas, nossas histórias, nossos rumos, nossas conquistas. De como um dia planejamos algo e saiu tudo diferente. Uns casaram-se, outros tiveram filhos, mais alguns saíram do País. Contudo, algumas companhias perduraram, assim como permaneceu aquela alegria contagiante do momento que nem lembro, mas ficou registrado numa fotografia; da ingenuidade do começo da adolescência, dos sotaques e gírias compartilhados; das brincadeiras Morro acima; das festas madrugada adentro e de como aos poucos cada um foi partindo…

Chega quase a ser triste, mas a verdade é que durou o tempo necessário para ficar somente boas lembranças. Obviamente, algumas delas seria bom ainda ter por perto, ao alcance de um telefonema, de uma passada de carro na porta da casa apenas para dar uma risada. Mesmo que ainda estivessem perto, eu já não disponho de tanto tempo como há 10, 5 ou 2 anos atrás. Minha vida fez um giro de 547º. Porém, dá uma vontade de reunir essa turma toda numa endless party… ou como costumavam ser as nossas: um final de semana inteiro, trocando o bíquini por um shorts e camiseta, voltando para o bíquini e indo assim até o churrasco de domingo à noite.

Hoje são outras pessoas, outros pensamentos, outras manias, outras disponibilidades, outros tempos. E com isso outras marcas, outros aprendizados, outros conceitos, outras questões neuróticas (por minha conta). Cada um vai preenchendo meu álbum de sorrisos, colos, momentos, broncas, brincadeiras. São os pequenos grandes prazeres que fazem toda a diferença…

E é meu sorriso nessas manhãs – um sorriso que quase ninguém vê – que explicita toda a felicidade de ter pessoas como vocês na minha vida.

Doce outubro

Desculpem-me o trocadilho com o filme estrelado por Charlize Teron e Keanu Reeves, mas meu mês é outubro. Não novembro.

Não é porque a primavera já tenha despertado, as árvores estão floridas ou as pessoas parecem mais apaixonadas. Talvez essa última razão tenha sido um dia, mas não no fatídico ano de 2008. Tampouco é pelo céu cinzento nas manhãs da Selva de Pedra ou pelo vento gélido batendo na ponta do meu nariz durante as trilhas noturnas debaixo de um luar sem brilho estrelado.

Outubro não é o mês do meu aniversário, nem o da minha filha, mas é o MEU mês. Datas que cavaram marcas profundas na minha vida – e na minha pele – são outubrinas; todas elas, por menor importância que pareçam ter. Eu sou uma detalhista com excepcional memória…

E, por assim ser, hoje acordei pensando em você…não teria como ser diferente.

Lembrei da sua risada, do seu sorriso sincero, das suas piadas bobas, dos seus trejeitos cômicos e característicos e de quanto tempo eu não vejo mais isso. Isso tudo que um dia eu desejei e lutei para permanecer na minha vida – por mais tempo que o necessário para ser feliz.

Andando por essas ruas e repirando esse ar pesado, tudo me faz lembrar você. Não tem um caminho sequer na minha rotina diária que não tenhamos caminhado juntos. Eu queria não estar lembrando de NÓS nesse momento, mas não padeço do bem da memoria seletiva. Algumas recordações não são disassociáveis, infelizmente.

No entanto, acima de tudo, preciso ressaltar que minha vida sem você está a um passo da felicidade, é verdade. Porém, sinto falta do melhor amigo que já tive…

Se hoje estou aqui, por bem ou por mal, é graças a você. VOCÊ me mostrou São Paulo, você lutou ao meu lado – e por mim durante um período, você comemorou cada vitória – independentemente do tamanho, você fez com que eu acreditasse no meu potencial, você segurou minha mão quando tudo parecia desabar. E quando tudo, enfim, ruiu, eu só consegui ver seu rosto de desapontamento. Eu tinha perdido meu melhor amigo…

Por um breve instante, na verdade um hora inteira, dentro do seu carro, em meados de agosto, eu te vi de novo: incentivando, apoiando, fazendo eu acreditar que venceria e tomando a decisão de ficar com nossa filha para eu estar agora frente a frente com esse monitor, despejando tais pensamentos desconexos que só fazem sentido para mim. E que faria também para você, se você os lesse.

Imagino o esforço que meu instante de euforia tenha te custado…

Cada pequena conquista na minha carreira, cada batalha pessoal vencida, cada desafio superado hoje eu desabafo com meu melhor amigo, cujo lugar, de certa forma, ele lhe tomou. Mesmo assim, sempre passo a  mão no telefone, porém não aperto o send; sempre inicio um e-mail contando tudo, mas nunca envio… saber que agora tanto faz é desagradável. Sempre penso em como você ficava feliz e comemorava tudo isso, no entanto entendo sua posição hoje. Sei que você não me quer mal, você não me quer perto.

Você não foi somente o homem pelo qual eu REALMENTE mudei minha vida ou realizou meu sonho de ser mãe. Você foi meu amigo, o melhor de todos e nada mudará os últimos dois fatos.

O que estou tentando dizer é que hoje eu acordei pensando que é seu aniversário e eu não vou te cumprimentar. Não vou dividir a alegria dos seus 26 anos, não cantarei ‘Parabéns prá você’ ou te ligarei à meia-noite… [ “I wish I could still call you friend, I’d give anything ]. De qualquer forma, te desejarei tudo o que sempre desejo – mesmo que você não acredite em mais nenhuma palavra minha – porque sua amizade é minha marca mais profunda, minha recordação mais revivida, minha saudade mais amarga.

Outubro continua sendo um mês para ser comemorado: foi ele o começo de TODA nossa história, nos idos da década de 80 e vindos do século XXI. Outubro ainda é um mês doce, sempre será… [ And I won’t forget you my friend… what happened? ]

FELIZ ANIVERSÁRIO!!!