Resumindo: que se foda a mãe!

Plagiei o título do texto da Clara Averbuck? Plagiei sim, pois ao correr meu olho pelo Facebook, como faço toda manhã, o texto me encontrou, me deu um soco no estômago e, logo depois, o Estatuto do Nascituro deu-me dois beijinhos na bochecha!

Esse Estatuto foi a pior coisa que li nos últimos 30 anos! E olha que li sobre pessoas que foram mortas para serem transformardas em deliciosos salgados no interior do País; li sobre uma adolescente que planejou a morte dos pais para ficar com a herança; li sobre uma pílula natural que faz emagrecer 20 kg em um mês (sem dieta e exercícios); li a trilogia de 50 Tons de Cinza.

Eu sou uma pessoa polêmica, mas é muito raro você me ver envolvida em discussões polêmicas nas Redes Sociais. Eu acredito que todas as pessoas tem suas crenças e valores, que se posicionam por algo. Eu não penso na preservação dos animais, não sou vegetariana, ecopentelha ou, sequer, religiosa. Mas eu me posiciono sobre os direitos que desejo para minha filha. Direito que foi negado a mim, amigas/colegas/conhecidas. Direito de poder escolher sobre a vida que quer levar, direito de ter seu corpo e intelecto preservados.

28-de-setembro-Dia-da-Lei-do-Ventre-Livre

A opção de você fazer um aborto não quer dizer que todo mundo vai sair abortando por aí (até porque está longe de ser um processo super-ultra- mega bacana e nada traumático), mas que a mulher não vai ser obrigada a levar uma gravidez de risco ou de um filho anacéfalo. Ou simplesmente o direito de assumir que errou e reconhecer que o aborto ainda é o melhor destino do que ser aquele tipo de mãe que joga o filho no lixo ou deixa nos orfanatos incríveis que temos no Brasil! Por que não poderia?

Também garantiria a essa mulher, que talvez tivesse sido estuprada, não ter que carregar, por cerca de 9 meses, a evidência desse ato. Já pensou: além de passar por um puta trauma de ter seu corpo brutalizado, ainda ter que carregar um peso extra – em todos os sentidos – porque a lei não te permite tomar conta do próprio corpo, da própria vida?

Eu não sei quem são os relatores desse Estatuto e nem gostaria de desejar mal algum, mas quem sabe uma dose de REALIDADE caísse bem, sabe? Não as notícias do jornais, que falam de uma terra primitiva, distante, longínqua, machista, brutalizada e absurda (Sqn). Alguém assim, próximo;  tipo filha, irmã, sobrinha, esposa…

IMAGINA que louco se essas pessoas tivessem contato com o mundo real?  Ou a reformulação da Lei do Ventre Livre (que fizesse jus ao nome)?