365 dias


Mima

Naquela manhã em que o  amor deu seu primeiro suspiro rumo a uma morte dolorosa e lenta, havia cacos por todos os lados. Dos artigos de decoração, dos corações explodidos, das lágrimas que tocaram o chão, da confiança estilhaçada, da sua dor e raiva metralhadas. Naquela manhã tudo virou um sonho distante (e um pesadelo revisitado em imagens com blur, vez ou outra); do passado, presente e futuro que vivemos e viveríamos sempre…

Desde o ano passado o amor morreu três vezes: março, outubro e janeiro. E hoje  você resolveu aparecer. Você sempre me tirou o sono, de um jeito ou de outro, mas nunca tinha vindo para mostrar que minha vitimização tanto fez como faz – mesmo que a vitimização tenha sido apenas um método, bem comum, para aliviar a dor; um coração palpitante e um pouco de raiva para passar por cima daquela tristeza-rolo compressor-dos infernos.

E logo depois, já acordada e desperta para a vida, fui acometida por uma saudade súbita de todos os 53 meses antes daquela manhã, fui apunhalada por lembranças que a minha memória não aprendeu a deletar, bloquear ou qualquer coisa que pudesse não aparecer como telas de pop up. Ela me pegou no meio da corrida e corri dela a 14km/h, mas só consegui suar como se tivesse  sido trancada em um sauna no deserto e arranjei uma fadiga muscular nas coxas.

Antigas verdades viraram mentiras! Um tapa na cara, de costas de mão, com o peso de 10 elefantes brancos do Himalaia  para encarar a realidade: o término, o abandono, a superação rápida, o desalento e todas essas pontas soltas que desconcertam. Desconcertam não porque eu gostaria de te ver triste e chorando, mas porque me dá aquela sensação que não foi o que foi.

A gente conseguiu ser tanta coisa ao mesmo tempo… E agora somos só lembrança. Mas se nosso começo não foi rápido, como poderia acreditar que o fim seria? A verdade que em situações assim, a distância, o papel assinado, nada  disso faz diferença! Sem querer e de repente? Não teria sido amor se o fim fosse rápido como arrancar o band aid de um machucado. O fim demora um tempo para ser o fim mesmo.  Tarefa difícil essa de tirar da cabeça o que, na verdade, é do coração.

E apesar de tudo, do que sinto, do que escrevo e do que acredito, o fim, sem dúvida, vai chegar. E quando chegar, vou comemorar.

Mesmo não sabendo por quê.

*muitas frases têm inspiração dos tweets da @soulstripper