But I can’t help falling in love with you

Lembrar de você aumenta o silêncio que se encontra no meu quarto. O vento da madrugada parece sólido e quase congela as lágrimas que começaram a se desenrolar, desobedecendo cada forca inútil desperdiçada na ânsia de reter as pestanas. Tudo mudou tanto. Mas continuo sendo a garota de sorriso luminoso embaixo da seta de neon, esperando seu cafuné. Daquelas que passeiam pela Antiga Baixa Augusta, esperando que talvez tenha amor em Essepê. Daquelas que, ao ganhar um elogio, nem sequer levanta a cabeça; está farta de noites de sexo vazio – mesmo sonhando a semana toda com o encontro de corpos. O meu e o seu. Mais nenhum.

Uma descarga elétrica, por favor! Meu ar some só de pensar no que éramos. O amor ficou no passado. Já diria Cher: “do you believe in life after love?”. Eu não, não mais. Pensar amar, escrever amor, tentar dizer amor são atos que me dão crise de pânico. Não porque eu tenha pavor do sentimento; ele é apenas uma lembrança muito dolorida de um passado que, muitas vezes, imploro para esquecer. Não porque não foi lindo e divertido e alegre e feliz e completo e a realização dos meus sonhos e tudo sei-lá-mais-o-que. Mas porque não sei como seguir sem. Sem deixar que ele desapareça, como um sonho bom, bem antes de acordar para um novo dia.

Mas continuo gostando de pensar em você. No que éramos. De quantas vezes você me disse que eu era seu mundo, sendo que sequer me sentia parte dele.  Cappuccino, filme, um bom livro, enrolada no edredom. Esperando sair do casulo e voar borboleta. Pousar no seu ombro e ser sinal de sorte. Nunca mais o toque de Midas ao contrário. Ou qualquer dessas coisas que você disse quando me tirou da sua vida. Ser parte do seu mundo, como nunca me senti. Me livrar do peso de ser todo ele. Ser leve como a borboleta que pousa no seu ombro.

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Soa tão utópico. Soa tão egoísta. Soa como um raio de sol em dias cinza e gelados, encobertos pela neblina, carregados de cheiro de maresia. Mas aí chega a distância se amarrando ao tempo. O tempo se prolongando. A distância aumentando o tempo. O tempo distanciando o que éramos. O silêncio que se impõe. A indiferença intoxicando meus sonhos. A cama vazia. O quarto em silêncio. A cabeça girando em um caleidoscópio de recordações. E o coração que sofre micro infartos a cada saudade. Nunca mais ser o que éramos.

Seu sorriso branco, perfeito, com a covinha do lado esquerdo. Seus olhos negros, pequenos, quase rasgados. Sua boca grande. Seu pé gordinho. Sua tatuagem no braço esquerdo. Seus ombros delineados pelos anos de vôlei. Seu pensamento rápido e afiado. Sua gargalhada que é capaz de preencher esse quarto vazio. A temperatura elevada do seu corpo. Seu profissionalismo. Seu protecionismo. Suas lágrimas ao assistir alguma animação. Seu otimismo. Sua inteligência. Sua coleção de camisetas. Sua curiosidade. Seu romantismo. Seus tudos. Até seus defeitos.

Eu quase estive certa de que não morreria de você. E é exatamente por isso que não consigo evitar me apaixonar por você. Constantemente.  

PS: TEXTO ORIGINALMENTE ESCRITO EM SETEMBRO DE 2012. ACABEI ACHANDO NO MEIO DOS MEUS RASCUNHOS…

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365 dias


Mima

Naquela manhã em que o  amor deu seu primeiro suspiro rumo a uma morte dolorosa e lenta, havia cacos por todos os lados. Dos artigos de decoração, dos corações explodidos, das lágrimas que tocaram o chão, da confiança estilhaçada, da sua dor e raiva metralhadas. Naquela manhã tudo virou um sonho distante (e um pesadelo revisitado em imagens com blur, vez ou outra); do passado, presente e futuro que vivemos e viveríamos sempre…

Desde o ano passado o amor morreu três vezes: março, outubro e janeiro. E hoje  você resolveu aparecer. Você sempre me tirou o sono, de um jeito ou de outro, mas nunca tinha vindo para mostrar que minha vitimização tanto fez como faz – mesmo que a vitimização tenha sido apenas um método, bem comum, para aliviar a dor; um coração palpitante e um pouco de raiva para passar por cima daquela tristeza-rolo compressor-dos infernos.

E logo depois, já acordada e desperta para a vida, fui acometida por uma saudade súbita de todos os 53 meses antes daquela manhã, fui apunhalada por lembranças que a minha memória não aprendeu a deletar, bloquear ou qualquer coisa que pudesse não aparecer como telas de pop up. Ela me pegou no meio da corrida e corri dela a 14km/h, mas só consegui suar como se tivesse  sido trancada em um sauna no deserto e arranjei uma fadiga muscular nas coxas.

Antigas verdades viraram mentiras! Um tapa na cara, de costas de mão, com o peso de 10 elefantes brancos do Himalaia  para encarar a realidade: o término, o abandono, a superação rápida, o desalento e todas essas pontas soltas que desconcertam. Desconcertam não porque eu gostaria de te ver triste e chorando, mas porque me dá aquela sensação que não foi o que foi.

A gente conseguiu ser tanta coisa ao mesmo tempo… E agora somos só lembrança. Mas se nosso começo não foi rápido, como poderia acreditar que o fim seria? A verdade que em situações assim, a distância, o papel assinado, nada  disso faz diferença! Sem querer e de repente? Não teria sido amor se o fim fosse rápido como arrancar o band aid de um machucado. O fim demora um tempo para ser o fim mesmo.  Tarefa difícil essa de tirar da cabeça o que, na verdade, é do coração.

E apesar de tudo, do que sinto, do que escrevo e do que acredito, o fim, sem dúvida, vai chegar. E quando chegar, vou comemorar.

Mesmo não sabendo por quê.

*muitas frases têm inspiração dos tweets da @soulstripper

A última vez que te vi

Era uma manhã quase fria-lá- fora-bem quente-debaixo-dos-edredons de setembro; era aquele breve período em que você acorda, mas sua cabeça ainda está sob efeitos dos delírios oníricos, quando sonho e realidade se misturam e tudo tem um blur suave e delicado, como aqueles efeitos dos frames do Snapee (você  sabe, o primo japonês do Instagram!).

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Eu te beijei, te abracei e sorri feliz por conta dos 3 últimos dias – foi como se o Natal tivesse chegado mais cedo, mesmo sendo Setembro, o mês que eu nunca gosto; o agosto cheio de desgosto atrasado. Era um quarto tão claro, um sonho tão lindo e você… Tão real!

 

Depois de horas confessando meu amor ao pé do seu ouvido –  pela ponta dos meus dedos, nas trocas de salivas e sêmens e gozos e gemidos e suor, escutando música, vendo filmes e  descrevendo sonhos e planos de “um futuro -que um dia foi palpável – mas agora era tão distante – mesmo desejando voltar ser parte – das nossas vidas” – na hora de me despedir, eu não disse que te amava, que queria morar para sempre em você ou que seria para sempre sua – somente sua.

Fiz a declaração mais justa dentro a promessa de nos encontramos novamente em 15 (longos) dias. ‘Eu vou sentir sua falta’, foi o que sussurrei entre um bocejo e um sorriso. Você abriu o sorriso perfeito, exibindo a covinha do lado esquerdo, beijou meus lábios e disse que sentiria minha falta também… E me pareceu sincero. Sincero até demais. Os 15 dias depois nunca mais chegaram… Eu não sabia que nos despediríamos assim, apenas com palavras. Mas se soubesse, não teria escolhido outras.

Eu vou sentir sua falta em manhãs, tardes e noites; dormindo, acordando, trabalhando ou simplesmente vivendo a vida, seguindo em frente. Por todos os dias, para sempre, eu vou sentir sua falta. Você está tatuado no meu corpo e na minha alma.

Mas não é porque duas pessoas se amam que elas têm que ficar juntas; pois nem sempre é sobre o quanto se ama. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. Nunca mais.

 

 

ps: texto original publicado aqui 

… e ainda assim, sorrir!

“Saudade é quando eu saio de você e te esqueço aqui dentro.

Saudade é quando a lembrança fica com a cópia da chave do melhor momento.

Saudade é quando a alma continua dentro da gente, mesmo que o corpo tenha ido embora.

Saudade é quando o meu aqui vive aí, mas daqui mesmo.

Saudade é quando longe de você te sinto dentro de mim.

Saudade é o mesmo instante só que distante.

Saudade é quando sou o que um dia fomos.

Saudade é quando a alma gostaria de ser abraçada por aquele momento de novo e sente frio.

Saudade é quando o coração esquece que o amor acabou.

Saudade é a lembrança querendo colo.

Saudade é quando o fim ficou pela metade.

Saudade é a memória do amor.

Saudade é um sentimento que vive em cima da hora.

Saudade é a sobra da sua falta.

Saudade é dormir pra esquecer uma pessoa e sonhar com ela.

Saudade é odiar esquecer o que eu amo lembrar.

Saudade é quando o amor sente falta de ser de novo.

Saudade rasga a presença e na nudez da ausência costura a falta de voyeur.

Saudade é quando você olha pro rosto de qualquer outro e lembra dele.

Saudade dói porque vive pra matar o que continua dentro da gente.

Saudade é quando o amor é enterrado vivo.

E a pior saudade que existe é da saudade de alguém.” – Fernanda Estellita

ps: eu discordo; não existe saudade maior do que aquilo que estava por vir

O amor é brega

E a verdade é que ele só não é brega quando é nosso!

Eu cresci escutando Zezé Di Camargo e Luciano, Fafá de Belém e Roberto Carlos. E a verdade é que perdi as contas de quantas vezes vi minha mãe, meu pai e meu padrasto cantarolando as letras do Rei. Fosse pelo lançamento de um  CD, fosse pelo show exibido todo final de ano na Globo, fosse em declarações.

Algumas dessas músicas marcaram a história da minha família e, claro, ficaram na minha cabeça. Vez ou outra até as canto para fazer minha filha dormir. E sim, sou brega, amei demais e usei umas duas canções do amigo de fé, camarada, citado para exprimir todo meu sentimento de um jeito que ele faz como poucos! E tem quase cinco meses que fugi de todas as canções dele…

Então hoje lendo o blog do André Kassu me deparei com parte de uma letra que não me recordava.  Kassu falava de sua mãe, que faleceu há pouco, então o trecho era lindo… Curiosa que eu sou, cacei nesse mundão grande do Google.

BURRA! Melhor seria ter continuado na busca desenfreada, e inútil,  pelo $ que acredito ter perdido. Calma, a música é boa, boa demais! E é por isso que eu não deveria ter escutado…

 

 

“Das lembranças que eu trago na vida, VOCÊ  é a saudade que e eu gosto de ter… Só assim sinto VOCÊ bem perto de mim outra vez..”

Estranhos com memórias

Eu sempre precisei falar: para entender, para conscientizar, afirmar ou simplesmente desabafar.
Eu sempre tive o que falar: fosse opinião, fosse piada, fosse uma merda gigantesca, fosse uma citação.
Poucas vezes me faltaram palavras: em surpresas, em situações embaraçosas, em momentos de vergonha, em momentos de choro…

Então na falta do que dizer, eu precisei escutar…

 

Uma pequena nota sobre maternidade

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Isso é algo que NINGUÉM avisa: o cordão umbilical não é cortado, NUNCA! Não o deles, mas o nosso. Uma espécie de laço invisível nos liga como se nada tivesse sido cortado, drenado e jogado fora. É intríseco e reforçado, capaz de resistir a bombas atômicas de milhares de kilowatts.

“Os filhos devem ser criados para o mundo e blá blá blá”… essa é a frase que mais escuto e é verdade; apesar de tudo os filhos não são nossos, nem devem ser criados para viverem na barra de nossas saias. Mas quem resiste a uma manha mais caprichada por um colo?  Por um pouco de carinho e atenção? Como dizer “não posso, estou ocupada” quando sua filha pede para você sentar ao lado dela porque ela é quem vai contar uma história para você. Ou como não achar graça de ver a pequena te ajudando a arrumar a casa para poder ir passear logo?

Tampouco sei que criá-la é algo fácil. Em uma semana direto, 24 horas por dia, houve momentos que desejei que ela dormisse antes só para eu respirar um pouco mais profundo ou jogar tranca com minha família, ou somente dormir mais cedo. E então aquela mãozinha pequena segurava a minha e sua vozinha fina me chamava para assistir Nemo pela 4ª vez no mesmo dia… eu não resistia.

Não entendo as mães que reclamam de ficar com os filhos mesmo quando eles vão para escola e o único tempo que lhes resta é dispensado à televisão, babá ou sei lá o que. Talvez porque elas os vejam todo dia, talvez porque estejam extremamente cansadas… eu aproveito cada segundo com ela, cada brincadeira, cada banho, cada filme, cada música, cada passeio, cada manha, cada bronca, cada beijo, cada abraço, cada instante… porque logo mais eu vou para São Paulo ou ela para Santos… e aí são muitos, muitos instantes longe.

Toda mãe deveria agradecer por ter seus filhos todos os dias, por poder pegá-los na escola, por morar com eles, por ter alguém que ajude. Porque por mais que você tenha escolhido ir em busca de uma vida melhor para os dois, aquele período de distância fere como ferro em brasa. E nem a alegria do reencontro suprime, pois logo depois vem a maldita despedida. Talvez ela não sinta a minha falta como eu sinto a dela, deve achar tudo uma grande diversão… duas casas, duas cidades diferentes, tantos ‘tios’ e ‘tias’.

Mas definitivamente meu cordão umbilical permanece grudado, com a força de mil tubinhos de superbonder. E toda vez que a vejo indo embora, me sinto mais forte para buscar meus objetivos e poder tê-la do meu lado todos os dias, dormindo e acordando ao meu lado e escutando ela falar ‘quero ver Nemo, mamãe!’.