You always hurt the one you love…

Não sou, nunca foi ou tenho a menor pretensão de me tornar crítica de cinema. Gosto é gosto, e pronto! Mas gosto quando um filme mexe comigo; não na superfície (lágrimas, gargalhadas, susto), mas no mais profundo do meu eu. Que me faz pensar, que não sai da minha cabeça. Seja para o lado bom, seja para o lado ruim.

O filme “Blue Valentines”  narra a história  das personagens de Michelle Willians (a eterna Jen de Dawson’s Creek) e Ryan Gosling. O pecado, para mim, é a tradução: nada de “Namorados para sempre”, como achei que seria! O filme retrata, com cortes no tempo e dadaísmo de sentimentos, a ascensão, apogeu e queda de um relacionamento. Daqueles que pareciam que iam durar para sempre, mas cujas diferenças de valores, de desejos e pormenores rumam ao divórcio. E nem tão amigável assim!

É triste, melancólico e ao mesmo tempo romântico, cativante, poético até! Existe algo mais bonito que ver um amor genuíno nascer, proveniente da ingenuidade, dos sonhos e da esperança dos “felizes para sempre”?

A narrativa é um soco na boca do estômago, respirar algo tão palpável congela os pulmões. Realismo e realidade puras! Você para de se perguntar SE uma relação vai terminar para QUANDO ela vai terminar. Não, não é inspirador para casais apaixonados, mas finca seus dois pés no chão.  Por mais que você tenha assistido o excelente Diário de uma Paixão, também com o Ryan, e desejado um amor daqueles, é este filme que te faz cair na real e perceber que a mídia, entre tantas coisas, vende realidades paralelas. Não sou pessimista, amargurada, mal amada ou recalcada, mas hoje as pessoas optam tanto pelo supérfulo, pelo menos complicado, pela quantidade que esquecem de observar as pequenas coisas. Aquelas que importam, que não devem ser deixadas para trás, que fazem a vida menos difícil e muito mais feliz. E por isso Blue Valentines vira o retrato de uma geração.

You always hurt the one you love… the one you shouldn’t hurt at all. You always take the sweetest rose and crush it till the petals fall.
You always break the kindest heart with a hasty word you can’t recall. So if I broke your heart last night, it’s because I love you most of all”