Pelos olhos teus

 

“Essa mulher aí tem um cabelo liso, daqueles bons de perder a mão no meio, e quando molhados dão aquela sensação de se perder no meio deles.
Ela tem uns olhos curiosos, meio de meninas, apesar de claramente tristes. Grandes, abertos, curiosos; daqueles  de imaginar que vão te olhar por longos minutos antes de tomar qualquer decisão.

Essa mulher aí tem uma boca sem simetria, mas grande, de promessas e um sorriso ‘meio-que-sempre-presente-sem-querer-sorrir’. Tem um nariz empinado, meio arrogante, mas que se explica pelo conjunto nessa cara de menina meio petulante… Mas graciosa, das boas de desafiar e levar com você!

A promessa dos seios, sempre  sob o jogo do ‘mostra-esconde’ do decote…

Essa mulher aí tem mãos pequenas, com unhas curtas que parecem cansadas de serem roídas ou tímidas de se verem crescidas; seria, no passado, chamar de mulher nervosa. Mas quem gosta das calmas?

Essa mulher aí tem pele clara, pele lisa, pele…Quantas tatuagens escondidas? Dá para fazer as contas? E quem se importa com números, mesmo?

Essa mulher aí…”

. dionísio .

 

THIS!

A bagunça do dia a dia e a distância que tomei de certas pessoas – e de mim mesma – às vezes rendem olhares espantados com determinadas atitudes. Até aqueles que sempre estiveram perto podem me olhar com cara de ponto de interrogação!

Então, não vou pedir desculpas no caso de eu te desapontar. Vivo hoje com o que acredito ser melhor para minha vida, ao invés do que com aquilo que você espera de mim!

Eu perdoo, eu relevo, eu tento até não conseguir (pois é só assim que eu desisto de algo – e quando desisto, não volto mais, esgoto todas minhas possibilidades ali). Eu não compro briga alheia, eu não faço fofoca nem “passo informação adiante”; eu pondero antes de dar minha opinião quando esta é pedida e me calo se vejo que aquela pessoa não vale a pena para mim. Eu não me meto na vida, ou briga, de casal nenhum, mesmo sabendo de coisas que eles deveriam saber – cada um tem aquilo que merece!

Eu estudo publicidade e comportamento em livros que minha insônia permite, faço análise, falo sozinha, converso com o skype e sou capaz de anotar qualquer ideia/palavra que me venha à mente. Eu sempre tenho lápis e papel na mão, mil coisas na cabeça… Mas aprendi que a boca a gente usa para desejar coisas boas, dar colo ou bronca para os AMIGOS ou beijar muito as pessoas que eu amo.

Eu ainda me revolto, eu ainda tenho pensamentos negros e palavras duras. Mas nada que socar o travesseiro e uma overdose de Valeriana não curem!

“E daí?”, você se pergunta. E daí que provavelmente você não tem mesmo nada a ver com isso. Mas quem disse que escrevi isto para você? Eu tô me olhando no espelho e tô gostando do que eu vejo. Se você não gosta ou me julga sem conhecer… Aí sim é problema seu!

E como já escutei um grande amigo dizer muito: e tenho dito!

The bright side of life

 

Não lembro onde ou quando escutei a frase do título, mas lembro do que pensei quando ouvi: “bright side pra quem?”.

Eu lembro que era o início do fim; do fim de muitas coisas (e do início de tantas outras), mas principalmente que era o fim de mim mesma. E então eu só conseguia acreditar que não conseguiria fazer nada, que não conseguiria passar por aquilo, que não teria forças para seguir, que eu tinha perdido tudo.

Filha no colo, lágrimas escondidas sob meus óculos gigantes, remédios no bolso, ombros amigos e eu caminhei dia após dia até parar diante de mim mesma. Geralmente em encontros semanais com 3 horas de duração, muitas vezes em noites de insônia, em trechos de filmes e nas palavras de muitos e muitos livros. Até perceber, uns 2 meses depois, que o que estava me acontecendo também era uma oportunidade. Uma oportunidade de o fim de mim mesma ser o início da pessoa que eu sempre gostaria de ter sido.

Se você já viu o filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, pode fazer a comparação com as cenas que Wayne tenta sair da prisão subterrânea:  você usa uma corda para tentar sair do poço, mas enquanto tiver a corda, nunca de verdade, se desprende de quem você sempre foi. É uma falsa segurança, pois você acaba caindo de novo. É preciso ter coragem de se livrar da ajuda e se arriscar. É um salto de fé!

Você nunca sabe quão fundo pode ser o fundo do poço até se deparar com uma situação dessa. E aí vai de você querer sair de lá ou não.

Eu não digo que saí, que sou uma pessoa novíssima em folha… É um tanto difícil deixar de ser quem você foi por pelo menos uns 15 anos. E nesses  5 meses ainda tô escalando o muro e vez ou outra me prendo à corda. Saber identificar, conseguir visualizar, entender quando seu mecanismo de autodestruição é acionado – e conseguir brecá-lo – são pequenas vitórias que se conquista a cada dia. Às vezes eu escorrego mesmo, e feio, e perco minhas conquistas pessoais e algumas outras. Dói? Dói! Choro? Pra caramba! Mas hoje vejo como mais uma oportunidade de aprendizado para chegar mais perto de quem estou começando a ser.

Para quem sempre foi 8 ou 80, encontrar o meio-termo é um árduo caminho. É preciso brigar muito consigo mesmo, mais do que com qualquer outra pessoa. Porque, afinal, ninguém é culpado pelas suas neuroses, traumas e medos. Assim como não dá para creditar sua felicidade no outro, tampouco suas tristezas.

Eu posso chorar que só tem mais uma dose de vodka na minha geladeira ou eu posso comemorar que ainda tem mais uma dose de vodka me esperando quando eu chegar em casa hoje. E depois de muitos e muitos dias, que mais pareceram anos, eu entendi que o bright side of life está aí, todos os dias, nas pequenas coisas, nas pequenas conquistas. Pois as coisas são o que são e estão como estão, o jeito de olhar para elas é que as transforma!

… e ainda assim, sorrir!

“Saudade é quando eu saio de você e te esqueço aqui dentro.

Saudade é quando a lembrança fica com a cópia da chave do melhor momento.

Saudade é quando a alma continua dentro da gente, mesmo que o corpo tenha ido embora.

Saudade é quando o meu aqui vive aí, mas daqui mesmo.

Saudade é quando longe de você te sinto dentro de mim.

Saudade é o mesmo instante só que distante.

Saudade é quando sou o que um dia fomos.

Saudade é quando a alma gostaria de ser abraçada por aquele momento de novo e sente frio.

Saudade é quando o coração esquece que o amor acabou.

Saudade é a lembrança querendo colo.

Saudade é quando o fim ficou pela metade.

Saudade é a memória do amor.

Saudade é um sentimento que vive em cima da hora.

Saudade é a sobra da sua falta.

Saudade é dormir pra esquecer uma pessoa e sonhar com ela.

Saudade é odiar esquecer o que eu amo lembrar.

Saudade é quando o amor sente falta de ser de novo.

Saudade rasga a presença e na nudez da ausência costura a falta de voyeur.

Saudade é quando você olha pro rosto de qualquer outro e lembra dele.

Saudade dói porque vive pra matar o que continua dentro da gente.

Saudade é quando o amor é enterrado vivo.

E a pior saudade que existe é da saudade de alguém.” – Fernanda Estellita

ps: eu discordo; não existe saudade maior do que aquilo que estava por vir

O amor é brega

E a verdade é que ele só não é brega quando é nosso!

Eu cresci escutando Zezé Di Camargo e Luciano, Fafá de Belém e Roberto Carlos. E a verdade é que perdi as contas de quantas vezes vi minha mãe, meu pai e meu padrasto cantarolando as letras do Rei. Fosse pelo lançamento de um  CD, fosse pelo show exibido todo final de ano na Globo, fosse em declarações.

Algumas dessas músicas marcaram a história da minha família e, claro, ficaram na minha cabeça. Vez ou outra até as canto para fazer minha filha dormir. E sim, sou brega, amei demais e usei umas duas canções do amigo de fé, camarada, citado para exprimir todo meu sentimento de um jeito que ele faz como poucos! E tem quase cinco meses que fugi de todas as canções dele…

Então hoje lendo o blog do André Kassu me deparei com parte de uma letra que não me recordava.  Kassu falava de sua mãe, que faleceu há pouco, então o trecho era lindo… Curiosa que eu sou, cacei nesse mundão grande do Google.

BURRA! Melhor seria ter continuado na busca desenfreada, e inútil,  pelo $ que acredito ter perdido. Calma, a música é boa, boa demais! E é por isso que eu não deveria ter escutado…

 

 

“Das lembranças que eu trago na vida, VOCÊ  é a saudade que e eu gosto de ter… Só assim sinto VOCÊ bem perto de mim outra vez..”