O amargor dos segredos

No meu ponto de vista, segredo é um dos maiores mistérios da humanindade. Todo mundo tem um, guarda um, guarda o do outro ou quer saber de um, Às vezes não guarda, mas mesmo assim fica sabendo. E aí quando se espalha… é aquela fofocagem, boataria que passa de ouvido ao outro cada vez maior, mais intrigante, mais surpreendente.

E ao mesmo tempo é angustiante: se o segredo é algo muitas vezes inconfessável você se pega pensando no que fazer com a informação; se é algo importante demais na vida de outra pessoa, você tenta ajudá-la sem saber como e como disfarçar isso.  Uma faca de dois gumes, nesse caso.

Às vezes é aquele segredo que faz bem para você, para seu ego: aquela transa maravilhosa que você guarda só para si,  aquele Jimmy Choo parcelado em 70 vezes, mas que é seu. Aquele olhar ‘arranca-roupa’ num dia que você estava meio para baixo, mas que seu marido mega ciumento nem pode desconfiar ou até mesmo um ex pelo qual você sofreu horrores te confessando (via MSN, e-mail) que você fez diferença na vida dele. Enfim, coisas dessa estirpe.

Mas o lado ruim dos segredos são os dos seus próprios, daqueles que só você sabe e que não confessa a ninguém pois reluta em consenti-lo, se nega a acreditar que possa ser verdade. E por vergonha, medo que se materialize, guarda só para você. Vez ou outra, durante surtos pseudo esquizofrênicos, sai a tagarelar com plantas, flores, bichos de pelúcia ou a fumaça do cigarro para ver se aquele nó, se aquela ardência que vive a trafegar pela boca do estômago, garganta, peito, córneas, desaparece, alivia ou te larga de vez.

É aquele segredo que embola no meio da garganta e você não sabe o que fazer com ele: se o vomita e põe tudo que conquistou a perder, se o engole junto com as verdades que te assombrarão por mais tempo que deveriam, se o leva para o túmulo quando morrer. Ou se vai vivendo um dia atrás do outro, jogando para o fundo do baú que é seu cerébro, tentando ficar menos quieta, menos incomodada, até parar de doer.

E enquanto não se descobre o que fazer, vai chorando sozinha esse amargor. No meu ponto de vista.

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Modelo exemplar

Michelle 031É interessante observar a continuação de um ser na vida pós parto; não a mãe, mas o pequeno Alien que há pouco habitava uma bolha d’água (e não tinha guelras!). Lá pelos seus dois anos a menina imita a mãe em tudo: maquiagem, trejeitos e não desgruda da saia. Na casa dos 13, começa a ser rebelde ‘com todas as causas do mundo’: quer distância da progenitora e dá-lhe arranca rabo. Aos 16 é o golpe final em qualquer coração maternal: EU JAMAIS SEREI COMO MINHA MÃE, NUNCA!

Ah, falou!

Então lá pelos 20  – se você tiver a mesma sorte que eu, melhor que minha mãe – vocês passam a ser mais amigas, dividem roupas, acessórios e sapatos. Perto dos 30, deitada no divã do psico você simplesmente escurraça até a 14ª geração do Freud e manda aquele puto do Oscar Wilde tomar no cu por um dia ter sentenciado que a desgraça de toda mulher é virar sua mãe.  Com um Prozac na mão, um pouco mais conformada, você esbanja meio sorriso amarelo e esconde a lágrima que para na borda do seu retrô modernoso.

O fato é que conversando com meu roomie, percebi o quanto influenciamos nossos filhos. E como isso pode ser ruim! Imagino a Mini Me, com 6 anos chegando na ecola, com o nariz mega empinado, na sua galocha Cavalera e atrás do seu retrô Chilli Beans, abrindo sua bolsa Kipling, remexendo algumas Stabilo e caçando a meia maçã com suco de soja light que levou para o recreio. E ai que alguém ouse  lhe perguntar porque não está comendo mais!

“Eu não quero ser gorda, as gordas são infelizes, tem auto-estima na base do salto 15. Minha mãe me ensinou a contar quando eu tinha 4 anos e desde então faço a dieta das notas e na Internê achei essa balinha (imaginem um comprimido parecido com o Tic-tac) que me deixa sem um pingo de fome. Quando crescer, quero ser magra, daquelas de cintura fina, mas com curvas. Não basta ser inteligente no mundo corporativo ainda dominado por um machismo velado. E como futura investidora de bancos multinacionais, preciso ser impecável desde já. Como Mamãe Vargas sempre diz: eu sou um LUXO!”

Não, eu não chego ao extremo… não tanto assim. Todavia, contudo, porém, preciso me supervisionar constantemente. Ou eu fico obcecada pela magreza, ou pela compulsão alimentar, ou me revolto com as injustiças trabalhistas, ou desejo ser mais workaholic do que sou. Por mais que eu saiba que certas coisas me fazem bem em determinado momento, não é, de maneira alguma, o que devo passar pra Versão Mini.

Aqueles besteirols americanos sempre trazem a B.E.AT.I do high school... se deixar, crio o monstro que a põe no chinelo antes de aprender a falar corretamente! O pior é que às vezes nem percebemos devido à correria, ao estresse, à competição que somos obrigadas a encarar – e vencer, ao desdobramento de inúmeras pessoas numa única só! Criança tem que brincar, correr, ser educada, ter espontaneidade na vida enquanto ainda pode.

Me arrepio ao ver meninas de 10 anos vestidas como Rainhas do Baile Funk e os apelos sensuais para essa faixa etária. Por mais que a mídia/sociedade siga nesse rumo, devemos ser a mudança que queremos ver. Se quero minha filha feliz, tranquila e criança pelo tempo que ela deve ser, passarei a ser o melhor que puder.

Dentro de casa, fora da Selva.