Coisas que só acontecem comigo: caixotes de feira

Ok, ok… eu já vou começar com desculpas porque sei que estou MEGA em dívida com vocês, pessoal! Mas, em compensação, inicio essa nova coluna no Blog, “coisas que só acontecem comigo (CSAC)”, pois muitas vezes existem situações que se não são trágicas, são cômicas! E no final eu só consigo rir do ridículo que eu causo…

Passeando pelo mundo dos blogs aí afora, me deparei com essa belezura aqui:

E essa:

E mais essa:

Pronto! Foi tudo que bastou para minha mais nova epifania surgir e eu sair correndo atrás dos caixotes de feira!

Fui em supermercados, hortifrutis, barracas de feira e… nada! Até que um simpático feirante topou me fazer uns precinhos bacanas pelos 9 caixotes que consegui – não, eles não dão as caixas pois também pagam por elas! Com a Manu em um braço e nove caixas gigantes em outro, o que eu poderia fazer?

O mesmo simpático feirante me ofereceu aqueles carrinhos tipo empilhadeira, sabem? Pois bem, estou lá eu, feliz da vida, brincando com a Manu quando eu vejo as caixas deslizarem e irem pra cima dela. Saí correndo e enfiei o braço na frente! Graças que um outro feirante nos ajudou, empilhou tudo, amarrou (e até trouxe tudo aqui em casa)… um fofo! Mas no processo, vendo se a Manu estava bem, vi gotas de sangue pingarem e percebi que meu anelar direito tinha sido retalhado na lateral!

Hora de segurar o choro e a agonia, afinal ser mãe é ser forte… vai dar qual exemplo, né? (já basta eu ter chorado essa semana no exame de sangue!). Mas foi quando olhei pro mindinho que berrei… eis que o feirante:

“Nossa, você se machucou muito Senhora?”

E eu, com a voz embargada: “meu mindinho, meu mindinho… a unha dele, quebrou no TALO!”

Eu acho que ele quis me socar, mas só quem tem a unha fraca e difícil de crescer consegue entender o desespero!

Bom, agora, algumas horas depois, os caixotes estão empilhados no canto da sala, o dedo está bem e a unha está pintada de vermelho!

😉

Se você quiser ver outros exemplos, clica aqui. Ou se você, assim como eu, quiser aprender… vai aqui ó!

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Fazer o bem faz bem

Por mais clichê que seja a frase acima, nada define melhor a prática de uma boa ação.

É fato que meu lado humanitário aparecia esporadicamente, dependendo do meu humor oscilante, mas quando fui convidada para conhecer a Casa Vida, não resisti: crianças. Pegaram meu ponto fraco. Dia de sol, temperatura amena, feriado, boa companhia… estava para começar os dias que denomino perfeitos.

Ao chegar lá, fomos bem recebidos pela irmã que coordena a Instituição que cuida de crianças portadoras de HIV. Isso por si só já me é triste, quando observo algo sério depender do Estado e da boa vontade alheia. Crianças geram gastos, precisam de atenção, de carinho, de alegria. Imaginar-me hoje com a certeza de uma doença que vai me matar aos poucos, é o antônimo máximo de felicidade.

Deparei-me com 22 rostinhos, que nem pareciam saber dessa realidade. No entanto, sabiam da importância que tinham uma visita: muitas delas significam uma adoção, um lar, uma família. Não estava ali por esse motivo, pelo menos não dessa vez…

Passamos a tarde toda brincando com as crianças. Dancei, empurrei motos, contei histórias, girei estrelas, assisti danças, conversei, cantei, dei colo, carinho, atenção. Quebrei os dois preconceitos que me restavam como se fosse um frouxo nó de cadarço feito por qualquer uma delas. Brinquei e pulei tanto que as broncas vieram para mim.

Diferente não poderia ser; me encantei por uma menina, Jenifer. Oito anos, meiga, carinhosa, quieta. Sempre achei que SE um dia eu adotasse uma criança, não seria como ela.  Para ser sincera, eu nunca me peguei pensando em adotar uma criança, sempre quis que minha filha nascesse de mim, que isso era ser mãe de verdade. Nada como viver e aprender…

O interessante da Casa Vida é que, pelo menos para nós, não foi pedido dinheiro. Mas as coisas que as crianças precisavam. Ali cada anjinho tem uma história diferente: uns foram abandonados, outros estão sob custódia da Justiça, alguns foram tirados dos pais por conta dos maus-tratos. Assim como cada um já se encontra em diferentes estado de saúde. Era impossível não se indignar ou se revoltar com certos relatos.

Despedir-me deles foi difícil, doloroso. Eu não queria dizer para Jenifer que eu só ia aparecer mais uma vez ali, que eu não a levaria para casa para fazer companhia à minha filha. Numa humildade que não me é pertinente, beijei-lhe diversas vezes, mais que qualquer outra criança. Eu não sabia se a estava deixando ou deixando quem ela despertou em mim. Mas segui firme, até entrar no carro.

Dane-se que eu não gosto que me vejam chorar, eu desabei na frente de uma pessoa que pouco conheço. Fazer o que? Eu não sou, de fato, a muralha que tento parecer.

O que se passa na cabeça de um adulto soropositivo que engravida? Ele não sabe que essa criança vai sofrer ou com a doença ou com a quase certeza de crescer sem os pais? Que animal pode se considerar mãe e espancar um filho pequeno (ou seja lá a idade)? Eu nem sabia mais se minhas lágrimas eram de tristeza, raiva, frustração, sensação de impotência ou felicidade.

Sim, felicidade sim. Eu tenho uma filha absolutamente perfeita: linda, esperta, saudável. Minha vida então? Do que eu teria coragem de reclamar agora, ó Pai? E sendo assim, bate uma culpa por eu ter tanto e ainda não me sentir plena, de estar longe da minha filha, perdendo parte da infância dela. Me culpar por ser tão egoísta e de ter tanto para fazer para ajudar os outros e eu ter demorado quase 26 anos para enxergar isso.

Ainda voltarei lá, levar as coisas que combinamos. Não sei como vai ser; sei que por mais humana que isso me faça sentir, não posso ir lá sempre. Não somente pela falta de tempo, mas porque tenho plena convicção que me apegarei demais àquelas crianças e que, de uma forma ou de outra, cedo ou tarde, elas irão embora de alguma maneira. E eu não vou estar pronta. O que me faz pensar em Jenifer o tempo todo…

Se eu fosse casada, amanhã já estaria entrando com a papelada para adotar essa menina. Mas como assistí-la definhar aos poucos, como assisti meu primo, meu pai? Eu não tenho essa força. Dizem que se você procura se manter afastado, esses pensamentos jamais te atormentarão.

Ainda bem que me curei dessa cegueira e que, agora, todos os dias são perfeitos…

Ps: quem quiser ajudar de alguma forma, basta deixar um comentário e eu entro em contato. Obrigada!