Por que eu escrevo?

Anos escutando a mesma pergunta e a mesma indignação pousava em minha face. Você pergunta para alguém por que ela respira, come, dorme, se apaixona? Obviamente não; então porque raios vivem a questionar essa vivacidade? Para mim é tão pertinente quanto; a tinta da caneta mistura-se ao sangue das minhas veias.

A verdade é que essa é uma questão difícil, fugidia, sujeita a explicações que muitas vezes rumam para encontrar uma justificativa para toda uma vida. Antes mesmo do divã do Dr. Reinaldo, anteriormente às aulas de Literatura e redação, eu assim o fazia. Assim que descobri coordenação motora para juntar letras, palavras, vocábulos, orações, parágrafos, trechos… crescemos lado a lado, como irmãos siameses.

Já ouvi a Literatura ser apontada como doença e cura, sina e maldição, gozo e delírio. É provável que seja mesmo um pouco de tudo, ou nada disso. Talvez seja melhor nem saber porque dedico tantas horas ao pensar, ao escrever no estilo antigo – entenda-se papel e caneta – e depois publicar isso para qualquer um embrenhar-se minha vida, seja por curiosidade, seja por acaso.

Henry Miller dizia que escrever ajudava a aprofundar o caos à sua volta; eu acredito que eleve minha própria desordem psíquico-destrutiva. Lispector nunca se explicou muito bem, mas acredito que era porque a vida doía. Se não me recordo, confundo-me. Pois a existência é sofrida.

Machuca crescer vendo sua mãe ocupar-se de outras crianças que não são seus irmãos, ser a garota mais impopular da escola, ver as pessoas aproximando-se por interesse. Fere ter tudo e não ter nada ao mesmo tempo, acreditar nas pessoas e sentimentos, se auto-sabotar. Incomoda esperar o telefone tocar, descontar o dissabor na comida e passar a noite acompanhada da televisão, balde de pipoca e Coca-cola zero (ou de amigos tão loucos quanto você, pelo MSN). A Clarice sabia do que (não) estava falando: viver dói.

Há os que escrevem por motivos inconfessáveis. Por vaidade. Para ganhar dinheiro – ou pela tentativa de. Existe gente que escreve para ser admirada. A verdade que todo mundo que escreve tem ego, mas nem todos são egocêntricos. Não a ponto de acharem que suas próprias vidas dariam um livro – ou um blog.

Existem algumas correntes da psicologia que garantem que escrever, alivia. Isso é um ponto de vista: se você vai escrever para si mesmo, para que desperdiçar essa energia? Você já sabe toda a porcaria que está acontecendo dentro de ti. Vai escrever para os outros? Poucos são verdadeiramente sinceros quando passam pelos olhares de aprovação/rejeição. Na verdade não vejo alívio algum, só mais um pequeno tormento. Ah, que se dane a psicologia… estou ocupada demais com minhas próprias questões!

Já me indaguei com sinceridade e coragem (sim, é preciso uma boa dose de coragem para escrever, ainda mais sobre um tema tão específico como… ahn… sua vida, diria) sobre o que me leva, desde que me entendo por gente, a dedicar horas tentando colocar no papel algo que não existe no mundo real. E por diversas vezes acreditei que era para criar um mundo paralelo, meu refugo, minha liberdade e minha prisão. Mas minha visão deturpada e fatídica de mim, acabaram por cerrar-me numa vista míope de duplo segmento: heaven or hell, eu ou meu eu.

Também já teve o tempo em que eu ficava satisfeita em pensar que escrever apenas atendia a um impulso de partilhar com outras pessoas algumas das minhas histórias. Talvez mostrá-las uma coisa menos hipócrita – e assim o mundo seria um lugar mais feliz – ou apenas me gabar de certas coisas; na pior das hipóteses, expôr meu pior e por intermédio da desaprovação alheia, buscar minha rendição.

Atualmente contento-me em pensar que escrevo por puro prazer: para me distrair, desestressar, aliviar minha frustração de não ser  Fernanda Young, confessar meus pecados, exorcizar meus sentimentos – pois me faz bem. E isso basta, não tenho mais a pretensção de transformar opiniões. Tenho até mesmo a sensação de que se um dia parar de escrever, terei um belo motivo para não viver intensamente mais.

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Na Riviera

Outra vez mais encontro-me nos teus braços, procurando respostas que já não possuem perguntas. Divago no teu peito definido, nu, suado e lambuzado de saliva. Meus cabelos espalham-se por ele, grudados como se fossem os tentáculos que já quis possuir para nos enlaçar, nos dias que desejei sermos para sempre eu e você.

Mais um deleite. Apenas pelo ápice da consumação do meu eu antropofágico, cerrando olhos, punhos e dentes diante do pré-orgasmo, pré-convicções, pré-verdades. Desarmo-me perante tua lembrança, recordando as noites que esperei em vão todas essas declarações. Essas que você faz agora, ao pé do ouvido, enrolando uma mecha do meu cabelo… como se estivesse disposta a ouvir, somente balanço a cabeça, almejando estar em outro corpo, em outros lençóis.

E enquanto sua narrativa – hoje tediosa e incrédula – segue, imagino uma mão um pouco menor que a sua, percorrendo minha panturrilha, buscando a recompensa morro acima. Vasculhando, buscando, explorando, encontrando. E, então, a boca abafa meus gemidos, fazendo calar-me com uma língua que ultrapassa limites do imaginável e num movimento ágil, enlaçamos pernas e corpos, rolamos na cama king size embrulhada em lençóis de cetim. O ritmo empregado provoca suores, fazendo-nos deslizar na refrescância do tecido e permanecemos unidos na perfeita argamassa de suor, saliva, sêmen, gozo e desejo que não finda. E sentimento que não se define. E o silêncio que explica tudo. E a certeza de algo vindouro.

Despertada de um devaneio, inicio o ciclo que não se fecha, em mim ou em você. Descubro que tampouco somos suficiente para nós dois, nunca fomos: nem ontem, nem hoje, nem amanhã. Você permitiu que eu ficasse livre tempo demais, com vontade de viver demais. Atualmente meu desejo encontra-se a quilômetros de nós dois.

Mesmo assim devoro-te, devoro-me e nesse instante, relego ao relento o teu sentimento. Um outro coração… e desse ponto de partida, questiono toda minha vida.

 

_Texto original de 25/03/2004, mas adaptado – e muito bem situado – para o hoje_

Mais um!!!

Meu lado infantil berra quando eu recebo e-mails com meme. Eu até responderia pelo mesmo modo, mas precisava atualizar os posts e deixo aqui minha resposta para você tá Cabeça?

E fiquem à vontade para responderem e fazerem (e deixem um comentário avisando para eu ler), lá vai:

QUATRO TRABALHOS QUE TIVE EM MINHA VIDA:

1-Livraria Siciliano
2-UniSantos (estágio)
3- Chilli Beans
4- Portal Itodas

QUATRO LUGARES EM QUE VIVI:
 
1- Morro Santa Therezinha (o melhor lugar do mundo para se viver)
2-Santos
3-Rio Claro
4- São Paulo 

PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTIA QUANDO CRIANÇA:

1-Chaves
2-Xuxa
3-Sessão da Tarde
4- Carrossel

PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTO:

1-CQC
2-Friends
3-Hoje em dia
4-Discovery Channel

QUATRO LUGARES EM QUE ESTIVE E VOLTARIA:

1-Ilha Bela
2-Ilhéus
3-Hotel Estância Barra Bonita 
4- Angra dos Reis

FORMAS DIFERENTES QUE ME CHAMAM:

1-Meu apelido
2-Flor
3-Mamãe
4-Comadre

QUATRO PESSOAS QUE TE MANDAM E-MAILS TODOS OS DIAS:

1-A mãe da minha ‘irmã’
2-Meu ex professor
3-Meu irmão
4- Inúmeras assessorias de imprensa 

QUATRO COMIDAS FAVORITAS:

1-Frango assado
2-Strogonoff de Carne / Frango
3-Sushi e sashimi
4- Arroz, feijão, ovo frito, bife e batata frita.

QUATRO LUGARES EM QUE DESEJARIA ESTAR AGORA:

1-Ao lado da minha filha
2-Em uma praia MARAVILHOSA
3-Em Santos com meus amigos
4-Passeando com o Wall-e

QUATRO LIVROS:
 
1- Hell
2- Harry Potter, todos 
3-O abusado
4-O mundo de Sophia

QUATRO AMIGOS QUE CREIO QUE ME RESPONDERÃO:

1-Comadre
2- A caiçara
3-Árabezita
4- Compadre

QUATRO VÍCIOS:

1-Café
2-Internet
3-Sapato
4-Maquiagem

 

Bom, beijo para quem é de beijo e bom fim de semana!

Um dia de cada vez, ou até que a TPM nos separe!

Olha, às vezes só rindo – ou chorando, ou sendo bipolar – para entender  os fatos da minha vida. Tudo bem, eu aceito que tenho dívidas BEM altas com o destino, vida, Deus… dêem o nome que preferirem, mas eu tenho. No entanto, preciso começar do começo… pois nenhuma mudança vem do nada – muito menos uma crise (mais uma!) de consciência.

Estou eu, na Redação, a fazer hora para assistir Divina Comédia Stand Up (com Danilo Gentilli) e uma tela no MSN surge. Gente, qualquer hora eu tenho um infarto com esses pop-ups monstruosos!  Sério, naquele dia, naquela hora, naquela TPM, encarar o caso do meu ex-namorado (ou melhor explicando: a mulher que deu início a derrocada da minha auto-estima, da qual ainda estou me recuperando – a auto-estima, não a mulher) foi demais. Mas eu havia decidido conquistar um lugar no limbo, pelo menos, e escutei o que ela tinha para me falar. Por favor, alguém tem um estilete? Valium? Não, ninguém? Tudo bem, eu me conformo com duas barras de chocolate, batata frita e Marlboro Light. Mas no outro dia falei com ela, e mais um, e mais outro ali, e assim está indo….

Serei sincera: eu até a espero no Messenger acredita? Eu gosto de conversar com ela e não sei o motivo ao certo. Acho que porque isso fez com que eu entendesse melhor que todo mundo deve ser ouvido e conhecido antes de um julgamento, porque ela era um fantasma e encará-lo me fez enterrar todo meu último relacionamento de uma vez por todas, porque me sinto mais humana, mais humilde e alguém melhor. Ok, aí seria só tirar proveito não é? Não, eu me preocupei mesmo com ela, no dia que ela estava triste…

Nesse exato momento a Fada vai surgir e dizer que eu tenho a séria patologia de precisar ser amada por todo mundo. Amore, believe me, essa era uma pessoa que eu não fazia a menor questão. Mas ela é legal! Tá bom Fada, me dê um ou dois do seu Lexotan… sim, algo MUITO estranho está acontecendo comigo.

Eu tinha resolvido assumir que estava apaixonada, mas descobri que não estava. Era carência. Aí fiquei quieta. Mas ao escutar que o avô de 83 anos da minha estagiária e a sogra da minha mãe estão namorando… Querido do balcão, me passa 3 fatias enormes desse bolo de bem-casado? Sim com bastante açúcar, por favor! Tem como pôr chantilly? Não só no capuccino? Um duplo por favor!

No meio da Faria Lima, sentada, chorando, comendo, bebendo e fumando. Praguejando ‘n’ coisas que não entendia, que não queria ver. Parecia (?) uma criança mimada cujo presente foi negado… eu estava reclamando do que na minha vida afinal, porra? Toda ação gera uma reação e eu ainda estava pagando as minhas… fair enough!

Eu vi tantos casais bizarros naquela semana e me olhei, eu não estou tão mal. Mas relacionamento tem mais que isso, bem mais. E justo naquela madrugada simulei minha teoria ‘do ser interessante de início era pior, pois quando me conheciam mesmo eu era um porre’, tinha ido pôr água abaixo, explicada nos melhores detalhes e versão que já escutei de mim. E nem era a Fada. Mas algo continuava ‘errado’…

Diante da orgia gastronômica, tóxica, filosófica e egocêntrica, meu corpo estendeu a bandeira branca. A vesícula estava espremida, o fígado retorcido, o estômago doído, o coração partido, o pulmão pesado e a cabeça… eu ainda tinha uma?

[ Fada, você poderia vir até aqui nesse instante agora? Me traz o pó de Pirilimpimpim, pelo amor de Deus!!! Eu vou tomar uma decisão drástica AGORA: ai, me enfiei no primeiro ônibus com destino a Rio Claro para pôr a cabeça em dia! Além do Lexotam, tem Gardenal? Eu acho que eu não estou atinando! Socorro… ]

Esse clima bem seco, essa certeza da distância da praia, da capital (às vezes acho que seria tão bom me esconder para sempre, mas tem algumas pessoas que amo tanto em ambos lugares e eu sou uma viciada em amigos), o céu todo estrelado, a loja de milk-shake, o hamburgueiro na esquina de casa, o velhinho do pudim de pão… eu quero que o fim de semana dure mais! Minhas neuroses, com exceção da minha mãe, meio que somem aqui.

Enfim, eu parei e pensei uns pontos, pois precisava selar o compromisso comigo mesma. Eu larguei o cigarro (Fadaaaaa, me interna!), vou continuar tentando ser alguém melhor e eu vou me alimentar decentemente (ok, ninguém me socorre). Cansei de fingir que fazia dieta, fingindo que não comia, que não sentia fome. Eu devorava pacotes inteiros de bolacha, tomava sorvete, devorava latas de leite condensado, comia pipoca… e com remorso vomitava tudo escondido. Foi quando o alarme de 10 anos atrás ressonou: mais soros, mais vitaminas, mais tristeza, mais desespero dos meus amigos, mais terapia (tudo bem, isso seria benéfico, mas…) E o resultado? 3 kg a mais do que considero ideal, falta de fôlego e ego no subsolo.

Fora a estética que preciso no meu trabalho, minha saúde e auto-estima estavam indo pelo ralo, literalmente. Eu aprecio quem vive bem com seu corpo, mas obviamente eu não sou asssim. Minha auto-estima esconde-se sob a capa de gordura sim, ai como queria que fosse diferente… Eu sei que beleza passa e que não é fundamental, por isso tomei outras decisões, outras reações. Me livrar dos meus vícios foi a mais libertadora, sem dúvidas… um dia de cada vez!

Talvez, mesmo com a melhor das intenções, eu não resolva todas minhas paranóias. Eu vou me questionar ‘o que ela tem que eu não tenho?’ pelo menos uma vez mais. Eu queria que essa coisa passasse sabe? Não estou na caça desenfreada por alguém, mas tem dias que tudo que eu queria era um abraço apertado e um peito para eu me aninhar que não fosse embora logo depois, muito menos evaparosse depois do objetivo conquistado. Como minha TPM vai berrar daqui uns dias,  vou dizer que preciso de alguém, que vou morrer sozinha criando gatos; entrarei num choro compulsivo, entoando o mantra ‘ninguém me ama, ninguém me quer’. Difícil isso de ser mulher viu? Melhor não prometer nada que eu não posso controlar com a  força de vontade!

Estou na luta pela perda dos 3kg que estão me deixando em estado depresso-depreciativo permanente, pela vontade de engolir vegetais e água e pela liberdade dos meus pulmões. Quero ar puro, cheiro de sabonete, organismo enriquecido e barriga zero. Assim meu ego fica com 2, 20 m de novo (já diria Compadre), minha auto-estima eleva-se e minha saúde agradece. Até que a próxima TPM dê sinal e eu abandone tudo, temporariamente.

Não é fácil: parece que faltam partes de mim. Esse é o problema dos vícios não é? A gente acha que consegue se libertar a qualquer hora e passa mal quando vê um bolo de chocolate, sua quando olha o maço de cigarro ou chora quando se olha no espelho. Gente, porque escrevi isso aqui tudo? Que baboseira! É a abstinência, só pode… sem cigarro, frituras ou doces há 48 horas! Será que consigo atinar? Desculpa não escrever mais, estou indo tomar meio litro de café… árabe!

Beijo.

 

[ Ah sim, o estupim da revolução: as conversas no MSN. Afinal se a mulher que ‘me destruiu’ diz que me acha uma mulher de fibra, melhor que eu leve isso em frente, certo? ]

Foi uma vez…

 Começou assim: com uma história pré-montada na minha cabeça, com um beijo, seguido de dois canos, uma balada, mais um sumiço, um cinema e depois a indiferença dele… assim como alguns como ele (como quase todos), anos atrás, numa vida diferente.

E essas mesmas histórias, essa mesma inconstância, incrivelmente, acabaram com a minha espera. Minha insegurança e vontade de controlar os acontecimentos, desapareceram e só vim agradecer. Bendito seja o dia que ele surgiu e me deixou sem ar, prontar para acreditar no amor, no romance. O amor só é romântico quando não é concretizado; portanto, agradeço ainda mais todas suas falhas, sua distância. Arranquei a ilusão, o platônico e o fugaz… não quero sobrar de vítima da circunstância.

Nunca estive tão dona do meu arrebitado nariz. Eu não dependo de mais ninguém, sentimentalmente, e agora posso brincar sem medo e pouco me importando com que ele irá pensar ou sentir… o problema não é meu, que simples! Se eu soubesse que era tão fácil controlar meus anseios, não teria desperdiçado uma ou outra lágrima e noites em claro.

Que coisa mais piegas, remota. Ainda existe nesse mundo pessoas que sofrem por um amor não correspondido? Aliás, que tipo de idiota se apaixona com a falta de reciprocidade? Deixemos bem claro, que ele me deu tudo que necessitava para eu cair e também não cair nessa… e eu não caí. Talvez nas vezes que saímos, durante a balada, o cinema ou conversas no carro, mas a ressaca posterior cessava minha paixonite.

Eu achei que poderia ter sido, mas meu príncipe encantado está no limbo. Ele se matou porque um dia desses eu lhe mostrei o quanto o ser humano –  e no caso eu – pode ser frio, cruel, vingativo, egoísta e inconseqüente. E assim, também, eu parei de acreditar que príncipe encantado existe. Como tudo, enfim, leva ao tédio, quer estivéssemos andando no Ibirapuera, assistindo um filme ou no Astronete, não passava, literalmente, de alguns minutos, com promessas curtas. Eu tenho preguiça de algumas pessoas… efêmero. Lástima, querido, essa é a vida, acredite se quiser.

Não vim falar dele, fiz isso alguns posts atrás. Nem veio mostrar como minha vida será daqui para frente – até porque não sei, nem o que eu decidi. Escolhi que a partir de hoje somos efêmeros, que não vou esperar mais nada dele, que  não quero mais jogar. Pá-pum: é ou não é, não tenho paciência para o descaso, para a indiferença, para o medo. Apesar de sempre escutar que não existem regras, elas existem sim: ou você vive como uma idiota cheia de sonhos frustrados; ou você vive racionalmente como gente de carne, osso e hormônios, ou decide de uma vez por todas saber o valor que tem e deixar que alguém que te merece, te conquiste. Eu optei pelo terceira alternativa.

Na vida, muitas coisas devem ser engolidas assim: objetivas, rápidas, debochadas, a seco, frias e cruéis… e mesmo assim, numa espécie de sadismo, prazerosas pois são sinceras. Tampouco quero falar da vida como ela deveria ser, não tenho a pretensão de transformar o mundo com meus pensamentos, muito menos que eles sejam compreendidos – basta que eu os entenda. Isso cansa, é complexo e hoje eu não quero pensar muito. 

Quero apenas me recordar da liberdade que hoje repousa na minha lembrança, do incerto, do arriscado, do misteiroso, do ser por prazer… de quando eu era muito mais Lolytha e muito menos eu. Ainda me permito relembrar minhas mentiras tão necessárias ao longo de oito anos. E por mais que tenha sido ele quem deu o tiro certeiro, ele foi a saideira – será que foi por isso então? Ele não teria conseguido agüentar a tempestade? Coitado, não pôde chegar ao fim do arco-íris e, portanto, não ganhou a recompensa.

Talvez ele já tenha sido o que um dia fui, mas para falar a verdade não me importo com o que ele vai sentir. O problema é dele. De agora em diante não quero os problemas dele,  o carinho dele, só a amizade me basta – ele é divertido para caramba. Talvez ainda o queira como acho que deveríamos pôr um ponto final, com uma saideira decente de ser lembrada, do jeito que pode fazer bem para o meu ego e que não me cause dores latejantes nos quadríceps e tríceps.

Permita-me, a partir desse instante, ‘falar’ diretamente com você.

Ali, assim, mais pra cá, meio sereno, meio safado, meio moleque, mais selvagem… que lindo você. Nessas horas até aceitava que a vida era menos chata, sabia? Pensando bem, acho que é isso mesmo, é tudo muito sádico e daqui a pouco vou dormir, escutando Sinatra e pensando no nosso único ponto em comum, acho.

Mas deixa então eu falar de você, Praga. Eu até gosto quando você me chama assim: praga também, peste, tonta. Acho que homem quando elogia muito, com coisas como benzinho, amor, linda, me enjoam. Prefiro os brincalhões que me chamam assim, ou de metida, insuportável. E depois dão aquele sorriso meio infantil que imediatamente transforma meu sangue em água e eu começo a pingar, molhar, babar, tremer, ensurdecer, quase enlouquecer.

Quanta gana, que sede, tá quente, ofegante. Posso te matar? No fundo, odeio saber que uma coisa tão extraordinária não pode ser minha definitivamente, porque eu escolhi assim. Por isso eu prefiro matar, assim também fuzilo minha inquietação. Mas na verdade nem te quero pra sempre. Hoje eu não vim falar disso, ou de nada, chega de conversas… continua com essas mãos enormes desbravando cada lugarzinho, não deixa faltar nada. Ah, e me chama de safada de novo, eu adorei. E se você puxar meu cabelo mais uma vez desse jeito vai ganhar uma trufa, criança grande.

Que fascínio pelo teu hálito, com o odor do mesmo Marlboro que o meu. O inalo, quero morrer sufocada nele, assim perto da nuca, que delírio seria morrer assim, aqui, sobre seu corpo. Quer bater? Bate! Ficou com vergonha, seu besta? Achou que você coordenaria esse espetáculo? Você acreditou quando fui meiga, te chamei de amorzinho e agora está com medinho de me machucar, bichinha? Não é o tapa que vai doer; sua cicatriz é interna, mas estancou.

Fica de frente para mim, mas não sorria, por gentileza, ainda não. Cala-te, cerra esses olhos e deixa teu corpo estremecer. Deixa-me desviar os olhos desse teu corpo grande e suado sob meu comando, deixa-me divagar, pensar em qualquer coisa. Qualquer coisa que não seja você.

Porque eu tive que sofrer tanto nessa vida? Já chorei tanto. Porque existe tanta guerra e fome? Para que tanto dinheiro? Bastava você, eu, Sinatra, Marlboro Light e eu teria toda a felicidade nas minhas pequenas mãos. 

Acho que vou parar de divagar, estou a um passo de gritar; o mundo precisa saber que eu encontrei o pote de ouro no fim do arco-íris, no banco do carro, no sofá da sala, no banheiro da balada, no teu colo… eu achei. Não precisamos morrer para conhecer o paraíso, basta não amar, não se iludir, não escutar os sinos, basta se permitir viver as coisas como elas realmente são.

 

Desse jeito eu garanto para você que o parquinho de diversão não fecha nem de segunda-feira. Olha essa montanha russa cheia de loopings! Você adora cada brincadeira, gosta tanto da gangorra e é lá que eu sento, te apertando bastante, subindo e descendo num frenesi gostoso. E toda vez que paramos um pouco, nos sentimos na xícara que roda… a gente sorri e eu desejo que bolinhas de sabão surjam para poder escorregar ainda mais em você. Nunca imaginei que essa argamassa de Omo, suor, semêm, gozo e saliva seria tão perfeita.

Até que eu me rendo, me entrego e me canso… por hoje eu não quero mais. Pode deixar que se precisar vou te procurar, você está na listinha vip; é assim que funciona. Atrevido, ele me chama para brincar mais. Não, garoto, não me olha assim, com esses olhos mais experientes e mais moleques que os meus. Você já viu tanto nesse mundo, tem anos a mais, porque ainda se deslumbra com a dicotomia que reside em mim? Eu te avisei que era viciante, não avisei? Então porque você não se preocupou em cuidar, em me manter perto? Agora é tarde, sinto muito!

Pára de fazer esse bico, de me olhar desse jeito! Entre uma tragada e outra, corro o risco de imaginar um filho assim: com esse sorriso, esses olhinhos, essa boca tão pequena comparada com o resto de você. Pelo amor de Deus, não sorri,  não agora, você vai estragar tudo. Para que o contato? Dê-me espaço para me afastar de você! Não me beija assim, devagarzinho, pedindo carinho; não alise meus cabelos, não use de palavras meigas. Eu não quero titubear na hora do tchau!

Porque você não diz que está com pressa, com sono, cansado? Arrume-se, ligue o carro e tchau. Você enlouqueceu ou recobrou o juízo e viu o que perdeu? Achas que eu sou o que, hein?  Uma criança – sim, talvez eu seja, mas não é o caso discutir isso agora –  esperando por você, quando você estiver pronto? Eu estive pronta, eu entrei no jogo… você foi quem chegou na beira do precipício e teve medo de pular. Eu espatifei lá no chão, mas agora estou reconstruída, recomposta.

Quero me livrar do teu cheiro, do teu gozo, da tua boca… AGORA, VAI, SAI. Obedeça-me e lhe recompenso com uns beijinhos quando partir. Sim, está na hora de eu ir para o meu apartamento, tomar um banho e esquecer de você… esse teu nome e rostinho de canalha não irão me convencer do contrário. Logo será um novo dia e eu preciso me libertar de você… quanto antes, melhor. Solta minha mão, já disse que não fico nem mais um minuto!

Despeço-me com um olhar doce, cínico, dissimulado, praticado tão bem ao longo dos anos que me especializei em sedução. Vai, deixa eu abusar, é minha despedida e preciso viver Lolytha ao máximo, antes que a ******** ressurja e eu fique aqui, me embrenhando nos pêlos do teu peito, aninhada no teu colo.

Conforme combinado, concedo-lhe dois beijinhos e saio, desfilando no meio da rua, fingindo e controlando a felicidade marcada no meu ventre. A parte mais interessante, e humanamente vergonhosa, desse show é ver o quanto é fácil iludir o outro. Camufla-se de diversão quando sou eu a ilusionista, mas quando iludida – assim, como você o fez – eu amarguei lágrimas. Sem crise, toda ação tem uma reação, mas agora eu preciso tomar alguma coisa. Sozinha.

Subo os seis andares, cantarolando Elvis Costello. Adoro me sentir fatal, mas se canto ‘She’, melhor que fosse amada… preciso de um capuccino mais do que nunca, não quero remoroso! Aproveito que não tem ninguém em casa e acendo um cigarro, acompanhada de um enorme copo da bebida quente que lava minha garganta. O Sol que nascerá daqui uns instantes poderia ser compartilhado com você, mas não quero, eu mudei. Eu quero mais do que você me deu, eu mereço mais. Quero alguém que se importe, que marque presença mesmo na distância, que faça tudo ou nada comigo, que cuide de mim, que me desafie… lamento informar Praga, você não é o competidor que achei que fosse.

Está amanhecendo e minha cama tem o edredom mais aconchegante e quentinho. Bocejo pela última vez antes de cair no primeiro sono, mas ainda tenho tempo para sentir o amargo da vida na boca. Esse é o momento do dia que eu ainda falho: quando me deito e me vejo tomada por pensamentos e cercada somente de mim. Lembrei que naquela sacanagem eu ainda tive o descaramento de pensar no antigo você… imperdoável! Suponho que precisaria de mais prática, mas eu não quero.

Vendo na horizontal, uma imagem diferente da sua formou-se e chorei com uma vontade desesperadora e breve. Estava com sono, tinha pressa de dormir, queria apagar o que aconteceu. A imagem me acompanhou, um rosto tão sereno, tão tranqüilo… muita coisa faz sentido nessa hora. Dormi, exausta, tinha que trabalhar no dia seguinte. Quando acordei, o mesmo rosto ainda estava impresso em mim e estava tentanda a acreditar de novo que o mundo é bom.

 

[ O texto original, pode ser lido aqui. Pois quando a aluna supera a mestre, merece! ]

Na cama comigo mesma: antes só do que mal-acompanhada!

Algumas das melhores transas que já tive foram comigo. Quer dizer, comigo e Sérgio Marone, comigo e algum dos meus ex’s numa noite solitária, comigo e com meu professor, comigo e um estranho que atendi na Chilli Beans etc. Na minha cabeça vale tudo e quem coordena esse espetáculo erótico sou eu.

Masturbação é uma palavra horrível, assim como ósculo, refestelar, menstruação. Mas além de divertido, o ato em si propicia transas (imaginárias) magníficas, orgasmos incríveis e o silêncio – e espaço – necessário pós-cópula. Sem contar que se conhecendo, fica muito mais fácil dizer ao indivíduo XX quais são suas preferências.

Se para a grande maioria dos homens esse assunto é normal, deveria ser também para mulheres. Não estou falando para sairmos por aí disputando campeonatos de siririca. Acredito apenas que esse tema não deveria ser opressor, tratado como tabu, algo que não se conversa. Masturbação é sexo sim, e de qualidade! Por isso torna-se uma prática necessária.

Porque relaxa, porque à vezes desejamos gozar e não transar, porque é gostoso imaginar, porque o fazer não deve limitar a imaginação, porque a imaginação nos faz aprender, porque somos curiosos. Porque é rápido, porque é um momento só seu, porque temos de nos amar acima de qualquer coisa/pessoa, porque algumas paixões devem ser narcisícas, porque é uma forma de narcótico, porque é um prazer.

Porque estamos sempre pensando em sexo, porque depois a gente esquece, porque não é traição, porque é pacífico, porque não é uma disputa, porque você sempre sai ganhando. Porque dá uma chacoalhada nas idéias, porque faz bem à circulação, porque é muita tentação, porque é apenas uma sacanagem, porque não faz mal à ninguém, porque ninguém escapa de uma onda de tesão repentina.

Porque pensar já é fazer, porque fazer é coerente com certos pensamentos, porque coerência também pode excitar, porque nem tudo é uma experiência “moral-intelectual-sentimental”, porque dá uma espalhada, porque faz bem aos músculos.

Porque te faz enfrentar um dia de cão com mais disposição, porque nem sempre é fácil fazer companhia a si próprio nas noites de inverno, porque insônia é um inferno, porque não se pode perder uma chance assim “tão a mão”, porque se fica à vontade consigo mesma, porque o pecado não existe. Porque SE houvesse pecado é para isso que serve o perdão, porque o perdão só é dado para quem realiza algo, porque pode ser de mentira, porque faz parte do mundo real, porque a verdade é um processo de crescimento, porque nem sempre é confortável encarar a realidade, porque de vez em quando é preciso uma fuga.

Porque alimenta o ego, porque o ego é a maior personificação da humanidade, porque a humanidade se alimenta do bel-prazer, porque nem sempre queremos dividir o pouco que temos, porque basta estarmos acompanhados de nós mesmos, porque – quer queiramos, quer não – morreremos conosco e numa hora dessas é melhor estarmos em boa companhia.

Se você precisa de motivos, estão aí. Esqueça o pré-conceito, o machismo passivo-agressivo social e vá ser feliz!

SE TOCA!!!

 

Doce outubro

Desculpem-me o trocadilho com o filme estrelado por Charlize Teron e Keanu Reeves, mas meu mês é outubro. Não novembro.

Não é porque a primavera já tenha despertado, as árvores estão floridas ou as pessoas parecem mais apaixonadas. Talvez essa última razão tenha sido um dia, mas não no fatídico ano de 2008. Tampouco é pelo céu cinzento nas manhãs da Selva de Pedra ou pelo vento gélido batendo na ponta do meu nariz durante as trilhas noturnas debaixo de um luar sem brilho estrelado.

Outubro não é o mês do meu aniversário, nem o da minha filha, mas é o MEU mês. Datas que cavaram marcas profundas na minha vida – e na minha pele – são outubrinas; todas elas, por menor importância que pareçam ter. Eu sou uma detalhista com excepcional memória…

E, por assim ser, hoje acordei pensando em você…não teria como ser diferente.

Lembrei da sua risada, do seu sorriso sincero, das suas piadas bobas, dos seus trejeitos cômicos e característicos e de quanto tempo eu não vejo mais isso. Isso tudo que um dia eu desejei e lutei para permanecer na minha vida – por mais tempo que o necessário para ser feliz.

Andando por essas ruas e repirando esse ar pesado, tudo me faz lembrar você. Não tem um caminho sequer na minha rotina diária que não tenhamos caminhado juntos. Eu queria não estar lembrando de NÓS nesse momento, mas não padeço do bem da memoria seletiva. Algumas recordações não são disassociáveis, infelizmente.

No entanto, acima de tudo, preciso ressaltar que minha vida sem você está a um passo da felicidade, é verdade. Porém, sinto falta do melhor amigo que já tive…

Se hoje estou aqui, por bem ou por mal, é graças a você. VOCÊ me mostrou São Paulo, você lutou ao meu lado – e por mim durante um período, você comemorou cada vitória – independentemente do tamanho, você fez com que eu acreditasse no meu potencial, você segurou minha mão quando tudo parecia desabar. E quando tudo, enfim, ruiu, eu só consegui ver seu rosto de desapontamento. Eu tinha perdido meu melhor amigo…

Por um breve instante, na verdade um hora inteira, dentro do seu carro, em meados de agosto, eu te vi de novo: incentivando, apoiando, fazendo eu acreditar que venceria e tomando a decisão de ficar com nossa filha para eu estar agora frente a frente com esse monitor, despejando tais pensamentos desconexos que só fazem sentido para mim. E que faria também para você, se você os lesse.

Imagino o esforço que meu instante de euforia tenha te custado…

Cada pequena conquista na minha carreira, cada batalha pessoal vencida, cada desafio superado hoje eu desabafo com meu melhor amigo, cujo lugar, de certa forma, ele lhe tomou. Mesmo assim, sempre passo a  mão no telefone, porém não aperto o send; sempre inicio um e-mail contando tudo, mas nunca envio… saber que agora tanto faz é desagradável. Sempre penso em como você ficava feliz e comemorava tudo isso, no entanto entendo sua posição hoje. Sei que você não me quer mal, você não me quer perto.

Você não foi somente o homem pelo qual eu REALMENTE mudei minha vida ou realizou meu sonho de ser mãe. Você foi meu amigo, o melhor de todos e nada mudará os últimos dois fatos.

O que estou tentando dizer é que hoje eu acordei pensando que é seu aniversário e eu não vou te cumprimentar. Não vou dividir a alegria dos seus 26 anos, não cantarei ‘Parabéns prá você’ ou te ligarei à meia-noite… [ “I wish I could still call you friend, I’d give anything ]. De qualquer forma, te desejarei tudo o que sempre desejo – mesmo que você não acredite em mais nenhuma palavra minha – porque sua amizade é minha marca mais profunda, minha recordação mais revivida, minha saudade mais amarga.

Outubro continua sendo um mês para ser comemorado: foi ele o começo de TODA nossa história, nos idos da década de 80 e vindos do século XXI. Outubro ainda é um mês doce, sempre será… [ And I won’t forget you my friend… what happened? ]

FELIZ ANIVERSÁRIO!!!