Quem paga o motel?

Assim como todo tema que se refira ao assunto sexo, a conta do motel é algo que divide opiniões – e como eu sempre resolvo dar as minhas, sinto-me um extraterrestre diante de tanta coisa que ouço e leio por aí.

Para ser bem sincera, quando iniciei minhas atividades extracurriculares de filha única criada com seis irmãos, motel era um pavor para mim. Ficava imaginando que meus irmãos saberiam, que meu pai ou meu parasto poderiam me ver, que meus amigos tomariam um susto, minhas amigas me reprovariam e o recepcionista do estabelecimento saberia que eu estaria transando! Enfim, uma verdadeira paranóia cujos resquícios perduram (francamente, que mulher acha confortável ficar na fila do motel enquanto algum funcionário volta e meia aparece para falar com o cara que está dirigindo?).

No começo desse  ano 3 casais de colegas foram para o mesmo quarto de motel e se divertiram bastante, pelo que eles contaram. Não que isso me deixasse pasma, mas sim o fato de uma das meninas ter transado com seu melhor amigo e dito que não dividiria a conta (BEM alta) de maneira alguma. EU FIQUEI EM CHOQUE! Alguém vai para o motel sem vontade ou obrigada? NÃO! Pela narrativa a Joana* adorou ter transado a noite inteira com o Caio*, divertiu-se horrores com os amigos e disse que foi sensacional! Mas ficava repetindo a frase: “Ní*, cobra lá dele porque eu me recuso a pagar isso, não sou vagabunda!”.

As machistas que me desculpem, mas sinceridade é fundametal – e perdoem-me o trocadilho: vão tomar no cu! A mulherada lá do passado queima sutiã, reinvidica direitos iguais; uma geração mais recente vibra com a conquista do mercado de trabalho, celebra a liberdade sexual e na hora de pagar motel dá uma dessa? Vai entender. Motel não é como restaurante, que se você não gostar do prato, pede para trocar. Na hora do rala-e-rola o que está ali, está ali – ajoelhou vai ter que rezar!

Aí vem a mulherada dizendo que isso é obrigação de homem, que é gentil da parte dele e blá-blá-blá. Queridas, vocês também transaram/treparam/meteram/foderam/fizeram amor! Rola toda uma preparação quando o cara dos sonhos te chama para sair? Claro que rola, mas e daí? Isso só reforça minha opinião que você quer dar para ele tanto quanto ele quer te comer! Se ele te convidou para uma noite especial, se tem todo um clima por trás, ok. Também não estou pregando que somente mulheres devam bancar o bel-prazer, mas é absurda essa ideia de que vai tudo  – perdão pelo trocadilho outra vez – no cu do cara (tem quem curta…).

Eu já rachei conta, já paguei (porque era uma coisa que eu queria fazer para um ex), já fui bancada. Algumas vezes  curti mais que outras, mas quem está na chuva é para se molhar, mesmo! Para ser justa e dizer a verdade,  só fico muito fula de pagar motel quando o serviço é que nem restaurante ruim: você pensa 20 vezes antes de pagar os 10% do garçom!

Se você é um cara que vive bancando essa conta, ou uma mulher que gostaria de economizar um pouco nesse setor (porque pagar sozinho é péssimo para ambos) é só ler essas dicas de como pagar menos no motel e incrementar a relação!

E, por favor, não me passe por aqui e escreva um livro defendendo toda a inocência feminina! Esse mundo tá tão cheio de puta  enrustida como de cafa fofinho. E tenho dito!


*Obviamente os nomes foram trocados!

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Mocinha de estilo…

Não é que hoje eu resolvi deixar a pouca modéstia que me resta de lado (rs*), somente plagiei o título dado pela Ju. Eu sempre curti moda e desde que vim trabalhar em São Paulo fiquei mais antenada, seja com o que se vê nas passarelas, seja com o que vemos na rua. Isso não quer dizer que eu seja uma fashionista, uma pessoa ultra mega moderna ou que meu figurino seja alinhadíssimo com as últimas tendências.

Isso – posso dizer –  se deve ao fato de me vestir conforme meu humor e minha conta bancária (algo que sempre espantou a Fada, e a mim, é habilidade de encontrar roupas bonitas e bacanas por preços baixíssimos – meu vestido de Natal custou R$ 25). Por conta disso, meu  guarda-roupa é repleto de peças básicas e alguns coloridos neutros; minha aposta para ousar são – e sempre serão – os sapatos e acessórios. Quanto mais diferentes forem, melhor!

Eu tenho uma obssessão por todo e qualquer adorno que se refere à cabeça e, acreditem, sempre foi muito zuada pela família e amigos. Desde pequena sou apaixonada por fedoras, toucas, boinas, presilhas, laços, bonés, tiaras e casquetes. Mesmo quando ninguém usava chapéus, eu já tinha uma coleção! E a vida de Sampa te permite explorar suas vontades com mais frquência que outros lugares, porque moda para mim é isso: você usar o que gosta, o que fica bem em você, com estilo e passar longe do ridículo.

Tenho enorme admiração por pessoas que criam moda e saem do lugar comum, inventando, fazendo exclusividades e propondo alternativas. Recentemente me apaixonei por três mulheres incríveis, cujas peças ou já estão no meu vestuário ou na minha wish list:


O Sra. Caseiro tem todo meu carinho especial porque eu vi essa marca crescer. Criado por Renata Caseiro, quando ela decidiu transformar o hobby em algo lucrativo. Nem sei quantas peças vi se transformarem, quantas comprei e quantas ainda vou comprar.

Com linha Pet, Kids e Adultos você pode encontrar tiaras, fivelas, colares, grampinhos, bolsas, carteiras esportivas, broches, bandejas, artigos de decoração e chaveiros.  Flores são sua marca registrada, mas eu sou APAIXONADA pelas bolsas e tiaras-faixas. Difícil encontrar um modelo igual ao outro!

Se você quiser conferir, siga esse caminho!

Minha mais recente paixão vem lá de Ribeirão Preto. Conheci as criações da Ju Padilha (a moça do começo do post)  na noite de Revéillon quando fui presenteada por uma amiga com umas das muitas tiaras criadas no Interior. O talento e a sensibilidade que essa moça tem são simplesmente de tirar o fôlego: tanto as tiaras quanto as presilhas lembram casquetes, tem um ar retrô. Mas tão moderno e delicado que é impossível ter um acessório apenas (eu já tenho 3!). A Ju trabalha com inspirações como os azuis de Van Gogh e terra depois da chuva.

No blog dela você encontra –  além das maravilhosas tiaras –  camisetas, presilhas, canecas e MUITA arte. Estou na torcida para que a arte da Ju saia de Ribeirão e ganhe o mundo!

Com uma pegada mais urbana e descontraída, vem os acesórios criados por Tate Coelho. Só de conhecê-la você já saca que existe um ‘q’ de diferente. O Ateliê Menina das Flores é todo feito em casa, somente pela Tate, e daí vem sua exclusividade e originalidade. Muita cor e objetos simples que se transformam em adornos que transformam qualquer produção.

A linha segue o ritmo da grande moda e, portanto, existem as coleções primavera-verão e outono-inverno. Entre pulseiras, brincos, relicários, grampos e tiaras, você também encontra cachecóis, cintos, toucas e broches feitos de crochê. Para diversificar ainda mais: carteiras, porta-moedas e porta -Ipods. Sem contar algumas peças de roupa… e no aguardo para o lançamento da primeira coleção da Tate, ainda esse ano.

Você pode ver os produtos aqui ou ir até a Loja Endossa, que fica na Rua Augusta (SP).

Fica a dica!

AMIGO é aquele que apunhala pela frente

Não tenho bem certeza se paramos para pensar em aspectos da vida toda virada de ano, se os fatos coincidem ou se chegamos em um ponto que é preciso se auto-esbofetear e acordar para a vida.

Minha Fada predileta – assim como nossa turma – costuma dizer que eu tenho um dedo certeiro para escolhas erradas. Durante muito tempo discordei, acreditando firmemente que as pessoas que considerava amigas, também eram as minhas. Mesmo quando elas aprontavam, mesmo quando me magoavam…

Tem uma Infeliz(e) que já me roubou, se aproveitou de onde eu morava, já me virou a cara inúmeras vezes e eu lá, firme e forte, defendendo esse ser. Uma Fulana que todo esse “bando”  – e mais alguns outros –  diziam que ela tinha inveja de mim e  os encarava pasma, pois a tal nunca teve – sob qualquer ótica – motivo para isso.

Foram anos mesmo, dando murro em ponta de faca, discutindo com meus AMIGOS, defendendo essas duas. Mas então você percebe a diferença entre falar mais tempo com uma pessoa pelo Msn do que ao vivo e de falar com a outra somente por mensagem instântanea; percebe que amizade não é ser escondida dos outros e depois ser “presenteada” com inúmeras fofocas; e, tampouco, exigirem que você seja diferente do que você é porque essa pessoa não gosta! A bem da verdade, nunca fui santa… se por santa você quiser dizer alguém que segue seu comportamento. Verdade absoluta: tudo na vida são escolhas, eu fiz as minhas. Mas nunca para prejudicar ou magoar deliberadamente. Acho hipócrita que as pessoas esperem uma postura de nós que sequer elas mantém!!!

Mesmo com todos os fatos e falações, eu ainda lutei e chorei pela amizade delas, pois me faziam falta, de fato. Aí foi aquela coisa de se amar e respeitar um poquinho mais, sabe? Não preciso de fofocas, de falsos sentimentos e que eu mude para alguém gostar de mim. Amizade é gostar até com os defeitos; não concordar com as atitudes, dar bronca, rusgas são absolutamente normais. Precisei escrever para ter a certeza, HOJE, que não é tanto faz. Simplesmente não faz. Melhor: Infeliz(e) e Fulana não fazem mais parte de mim, da minha vida… e tudo tem sido, e fluído, melhor desde então!

Ter poucos e EXCELENTES amigos (embora faltem 2 homens e 2 mulheres na foto) é o que eu desejo para mim mesma e até para as pessoas citadas, para aquelas que eu não suporto e, também, para as que  não conheço. Porque somente com AMIGOS a gente consegue ser a gente mesma, ser feliz e ter pessoas que estarão conosco em qualquer situação; ao alcance de um teclado, de um telefonema, de um abraço. São essas pessoas que te carregarão pelos anos, pelas lembranças, pelas conversas de bar em bar.

Aposto que muita gente descobriu isso antes de mim, mas antes tarde do que nunca!

Quem é essa “velha” no meu espelho?

Toda vez que alguém da minha família descobria mais alguma tatuagem, ou um piercing ou um corte de cabelo radical que eu adotava, logo soltava a expressão “essas coisas da juventude”. Era o suficiente para estragar meu humor por uma semana, afinal estava tentando apenas ser feliz e não uma adolescente tipicamente rebelde, levada por modismos e prazeres no meio da dor.

Para ser sincera, eu nunca me tatuei ou me furei pensando na dor ou que apareceria mais que qualquer outra pessoa da minha idade; minhas tatuagens contam histórias únicas e pessoais, meus piercings são apenas enfeites que até hoje (10 anos depois) eu acho atraentes. Todavia, bem no finalzinho do ano passado,  tive um pequeno vislumbre do que os “jurássicos” familiares tentavam dizer. Junto com namorado,  filha, sobrinha e amigas corajosamente me enfiei em um estúdio de arte corporal para dar mais um adorno ao meu corpo. Era um piercing no nariz, nada de mais para quem já havia feito no mesmo local outras três vezes.

Nada demais? Seria, se eu não tivesse começado a suar quando lembrei a dor que era, se  quase não tivesse desmaiado quando – para tomar coragem – assisti outra garota passando pelo que eu estava prester a passar. Com  a mesma coragem que sentei na maca, pulei dela em segundos. Obviamente não faltaram coros de “amarelou”, “fraquinha” e “medrosa”. Mentalmente mandei à merda os os 11 pares de olhos que me encaravam e desafiavam. Fazer o que?

Se tal fato fosse há 3 anos, tenho certeza que eu teria ido em frente, passado por algo que não queria, apenas para provar que eu era forte o bastante para continuar. E algo que parece bobo, pôs uma nova perspectiva na minha vida: quantas vezes não fazemos algo por insistir que não voltar atrás é sempre o certo a fazer? Quantas “mutilações” – físicas, psicológicas, mentais – nos permitimos para nãos sermos vaiadas, para fazermos parte da turminha, para tentar provar algo para nós mesmos? Porque quando se é jovem o bastante para ser jovem, o amanhã não importa mesmo. Vai vir alguém é bradar o tal juízo… ahã! Que atire a primeira pedra quem nunca fez algo desse tipo na vida, uma cagada.

Pensei ter dado um exemplo errado a minha filha, mas não. Eu fui forte o suficiente para mostrar que as pessoas mudam de opinião, que não importa sob que pressão você esteja é sempre importante se respeitar, que modismos são modismos e coisas de jovens são coisas de jovens. Quando me olhei no retrovisor – e suspirei com saudades do piercing que jamais estaria ali outra vez – demorei um tempo para reconhecer a pessoa no espelho. Coco Chanel sempre dizia: “já não sou o que eu era, devo ser o que me tornei”.