Fora de mim

Tenho sido cautelosa, tanto quanto a linha tênue que separa o cuidado do medo. E o medo retorce meus lábios num sorriso irônico! Quase grito a esmo “desculpa mundo, não sobrou nada!”.

529163_4331718696173_2024989347_n

Sou desajeitada, caio sozinha andando na rua, levantando da cama, descendo as escadas. Meu histórico médico possui tombos homéricos, já caí tanto de amores pra lá e pra cá…

E quando quase me convenço que é inevitável – depois de esvaziar o coração, sentir o peito oco, sentir o vazio que ocupa tanto espaço – que é quase normal acreditar que assim a vida seguirá: batidas que servem apenas para bombear o sangue,você me encara nos olhos. Esses olhos negros me atravessam, enxergam o que nunca ninguém viu e meu repertório de argumentações cessa.

Leio  versos de 140 caracteres, assisto filmes independentes, escuto músicas antigas, vejo fotos bonitas, acredito em publicidades fofas e devoro textos bregas manuscritos, numa tentativa vã. Não sei o que tento, se mal me movo, mal desvio os olhos… Você me arranca do meu devaneio, sem dó, e não entendo o motivo de você estar sorrindo, marcando sua covinha, enquanto junta as munições para atirar na minha cara todo seu discurso. As palavras não ditas são as que falam mais e as sussurradas me atingem como dois tiros de sal no meio do peito.

Sou estilhaçada em todos os sentidos e não me preocupo em juntar os cacos: ainda que eu negue, eu sou feita de amor. Ainda que eu fuja, eu estou em queda livre.