Adeus 2012!

Não seria nada injusto dizer que 2012 foi um ano daqueles! Daqueles cujas memórias ainda são recentes, doloridas. Bem ruins de se lembrar…

No começo eu perdi o chão; meu marido, meu melhor amigo, meu cachorro, meu lar, meu emprego, alguns colegas. Achei que 2012 era sim o ano que o mundo acabaria. Pelo menos o meu.

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Me cerquei de tristeza e culpa e arrependimento e sensação de derrota e remédios e calmantes e cigarros. Mandei 13kg pelo ralo, junto com jatos de vômito que continham fragmentos de um coração.

Até que – para ser bem clichê – tive um click e tudo mudou. Resolvi deixar a vida fluir, como deveria ser, sem tentar controlar todos os acontecimentos!

Voltei para minha cidade, me descobri na minha profissão, reencontrei velhos amigos, conheci muita gente nova – e boa, fiquei mais próxima da minha filha, aprendi que família é, não só aquela que escolhemos para viver, mas também aquela a qual sempre pertencemos.

O melhor é que me achei; entre vinhos, amores, dores, sessões de terapia, colos, abraços, dissabores, lençóis, documentos, ventos, lenços, lágrimas, prozacs, filmes, músicas e muitas palavras.

Passei a encarar a vida com mais otimismo – 2012 foi horrível, mas nada, nunca, me ensinou tanto, me remodelou tanto e me deu tantas oportunidades para que eu seja quem eu quiser ser; chegar além de onde posso ir…

Mas eu me despeço sim, com certa euforia. Você me pôs em sofrimento demais, entre lágrimas demais. Não quero um adeus melodramático; apenas apertemos as mãos como velhos amigos e você levará embora tudo que tirou de mim. Pois estou em busca de outros sorrisos. Ainda mais agora que a felicidade não me assusta, quero tudo novo de novo!

Pode vir 2013! Pela primeira vez em (muito quase) 30 anos, eu estou pronta para viver exatamente o que a vida me proporcionar.

 

ps: eu imagino que você não leia mais esse blog, mas caso sim, preciso lhe dizer uma única, e última, coisa: se nunca mais nos falarmos novamente, saiba que eu fui modificada, para sempre,  por tudo que você foi enquanto esteve comigo e por tudo que você significou para mim.

Come what may…

Existe uma beleza nessa solidão voluntária. Existe beleza em tudo que ela me traz; autoconhecimento, discernimento, textos, livros, filmes, passado virando passado.

Existe um “que” de egoísmo. Não daqueles desmedidos, mas daquele necessário. Daquele que a gente só enxerga em tempos assim. Daquele que faz crescer um amor que muitas vezes é deixado de lado.

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A felicidade sempre me doeu como se tivesse a intensidade de uma batida de trem. Mas só porque acreditei que aquilo era tudo que merecia, que receberia. Hoje encaro o trem de frente, sem que as luzes me ceguem, sem que a velocidade me desconcerte. Quero tudo novo, de novo!

E eu não vou justificar, dizendo que fui ferida e quero me permanecer assim, intocada, até que nada mais mexa dentro de mim. Eu tenho sangue correndo nas veias, um coração bombeando cada parte dos meu 1,59m e 8 milímetros de altura. Sou feita de carne, osso e hormônios. Da ponta do pé até a raiz do fio de cabelo.  Sou o que quiser ser sendo; vou sendo como posso e me descobrindo a cada passo.

Sou dessas mocinhas filhas da puta vitimizada de comédia não romântica, dessas que aprontam bastante e que no final – se é que tem um – conseguem um final feliz alternativo. Porque o “happy end”  não significa ter alguém ao lado; significa ser capaz de encarar as decisões, de arcar com as consequências, de aprender com os erros, de expressar os sentimentos, de ser íntegra e verdadeira consigo mesma, de fazer o melhor a cada dia – para si mesma e para aqueles que se ama.

Porque talvez o final feliz seja simplesmente isso: seguir em frente!

A última vez que te vi

Era uma manhã quase fria-lá- fora-bem quente-debaixo-dos-edredons de setembro; era aquele breve período em que você acorda, mas sua cabeça ainda está sob efeitos dos delírios oníricos, quando sonho e realidade se misturam e tudo tem um blur suave e delicado, como aqueles efeitos dos frames do Snapee (você  sabe, o primo japonês do Instagram!).

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Eu te beijei, te abracei e sorri feliz por conta dos 3 últimos dias – foi como se o Natal tivesse chegado mais cedo, mesmo sendo Setembro, o mês que eu nunca gosto; o agosto cheio de desgosto atrasado. Era um quarto tão claro, um sonho tão lindo e você… Tão real!

 

Depois de horas confessando meu amor ao pé do seu ouvido –  pela ponta dos meus dedos, nas trocas de salivas e sêmens e gozos e gemidos e suor, escutando música, vendo filmes e  descrevendo sonhos e planos de “um futuro -que um dia foi palpável – mas agora era tão distante – mesmo desejando voltar ser parte – das nossas vidas” – na hora de me despedir, eu não disse que te amava, que queria morar para sempre em você ou que seria para sempre sua – somente sua.

Fiz a declaração mais justa dentro a promessa de nos encontramos novamente em 15 (longos) dias. ‘Eu vou sentir sua falta’, foi o que sussurrei entre um bocejo e um sorriso. Você abriu o sorriso perfeito, exibindo a covinha do lado esquerdo, beijou meus lábios e disse que sentiria minha falta também… E me pareceu sincero. Sincero até demais. Os 15 dias depois nunca mais chegaram… Eu não sabia que nos despediríamos assim, apenas com palavras. Mas se soubesse, não teria escolhido outras.

Eu vou sentir sua falta em manhãs, tardes e noites; dormindo, acordando, trabalhando ou simplesmente vivendo a vida, seguindo em frente. Por todos os dias, para sempre, eu vou sentir sua falta. Você está tatuado no meu corpo e na minha alma.

Mas não é porque duas pessoas se amam que elas têm que ficar juntas; pois nem sempre é sobre o quanto se ama. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. Nunca mais.

 

 

ps: texto original publicado aqui