Vivendo, amando, chorando e aprendendo

Conversando com um amigo certo dia, passamos a debater sobre relacionamentos e o aprendizado que tiramos deles. Posso dizer claramente que meu relacionamento sadio para muitos não é encarado como relacionamento, então se for para rotular ‘namoro’… é, eu nunca tive um saudável.

Mas isso não quer dizer, como bem lembrou meu amigo, que eu não saiba algo sobre relacionamento. Cada relação deixa uma lição e forma opiniões. Certas, erradas, depende do ponto de vista. As pessoas têm a péssima mania de avaliar as relações alheias, de criar fórmulas ‘certeiras’, ignorando a individualidade e singularidade humana.

Não sou, e nem tenho a pretensão, conselheira amorosa – afinal como poderia? – muito mesmo formadora de opiniões. Nem quero que alguém se baseie em mim para fazer as próprias escolhas. Mas tenho meus pensamentos e crenças, eis alguns:

* TODA relação tem que ter começo, meio e fim

Aos 15 anos, escutei meu professor de literatura falando sobre a funcionalidade de uma relação. ‘Ah, terminei o casamento…’ ;’Nossa, quanto tempo?’; ‘9 anos, mas não deu certo, acabou’; ‘É não deu…’
Claro que deu! Deu certo durante nove anos – sem contar namoro e noivado – só que um dia desgastou, acabou ou descobriu-se um novo amor. A vida é assim: mutável e cheia de surpresas, com vários amores, ou não.

Não sei de onde veio a  idéia que todo casamento tem que durar para sempre, que todo amor é infinito… sou do time ‘que seja eterno enquanto dure’. Claro que às vezes dói, que uma das partes ainda ama… mas sacode a poeira, bola no jogo. Se ninguém morre de amor, por que haveria de morrer de separação?

* Eu não acredito mais no ‘opostos se atraem’

Preciso mesmo explicar, dado meu último relacionamento? Ok…porque sempre uma parte vai ceder muito, se adaptar demais e com o tempo será a parte mais insatisfeita. Pois podemos sim, por um tempo, querer mudar para agradar a pessoa ao nosso lado, mas uma hora cansa ser quem não somos!

Uma frase que tenho usado na minha vida, repetida como mantra, é ‘similaridades, afinidades e combinações’. Do que adianta eu namorar um cara que odeia cinema, boteco, dançar e ainda torce para o Corinthians? Eu não saio muito, é fato, mas são as coisas que eu gosto de fazer e torço para o Santos!

Até amor eu tenho deixado em último plano, pois sei que dá para aprender a amar alguém. Então, quem atender minhas especificações, favor enviar currículo! Pessoas mudam quando querem. E porque querem. .. e demora. E ponto!

* Cama é essencial

Aliás, pele é fundamental. Existem pessoas que são mais ligadas em sexo, outras menos, mas todo mundo gosta.

É meio difícil você querer lidar com o casal da ninfomaníaca e o cara desligadão, e vice-versa. Porque isso pode causar frustrações, estrondos na auto-estima e o casal vai acabar brigando. Ou tomando chifre… o que a gente não tem em casa, procura fora.

Já diziam meus irmãos: dama na sociedade, puta na cama. Afinal quem tem que saber do que você gosta ou o que você faz, é o cara que está com você. Não alardeie, até porque homens fogem de mulheres que encaram sexo numa boa.

* As pessoas não se complementam

Na maioria das vezes somos nós, mulheres, que depositamos nossas esperanças e tudo o mais no outro. Acreditamos que seremos mais felizes com um cobertor de orelha, que teremos sempre companhia, que assim não seremos mais vistas como “solteironas”.

Nem sempre nos doamos 100% para nós mesmos, quanto mais para o outro. E como exigir isso? O bendito príncipe encantado não existe, acorda! Graças a Deus não vamos encontrar um homem que tenha todas as qualidades: às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama; as vezes ele é carinhoso, mas não é fiel; às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador; às vezes é um otário, mas cuida de você, se preocupa e te ama.

Tudo nós não temos, priorize o que você acha FUNDAMENTAL e invista. Também não precisa aceitar qualquer tranqueira, afinal você valhe mais que isso!

* Química

Tudo começa no beijo: se bateu e foi avassalador, se joga. É 99% de chances de ter a mesma compatibilidade na cama. E quando isso acontece, a transa pode ser um papai com mamãe mais básico que é uma delícia. Nem precisa ser o kama sutra, embora se for… ai, ai!

Se o beijo não bater e mesmo assim você insistir, boa sorte! Se não bater, uma tequila, cigarro e chocolate, please!

* Quando ACABOU

 Se ele não te quer mais, não force a barra: ele tem esse direito. Ninguém tem que ficar por obrigação, pena, dó… é pior pois você tem sem ter. Patético!

Se a pessoa está com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. Todo mundo tem dúvida, medo, reflete sobre a vida… e pode ser que não haja espaço para você no momento.

Não fique com alguém por medo da solidão: nascemos sós, morremos sós. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Até parece que vez ou outra não fazem sexo sozinhos – masturbação é uma delícia também!

Mas se ele REALMENTE gostar de você, ele volta. Sem precisar de pití, de escândalo, mil ligações, e-mails, torpedos. E se ele não voltar, siga sua vida também! Dói no começo, é ruim, mas a gente supera! Afinal qual é a graça de ter alguém ao seu lado por ter? BELIEVE ME… a vida é uma delícia quando temos inúmeras oportunidades.

* Gostar dói

Você vai se decepcionar, vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração, dor de cabeça, crise existencial. E acontece porque você não se namora, namora uma outra pessoa, com outros pensamentos, outras opiniões… e se vocês concordarem em tudo, garanto que aí não tem uma relação.

As coisas nem sempre serão como você quer, nem sempre você verá o filme que gosta ou escutará o elogio que espera. Homem é desligado e, por favor, não faça disso o fim do mundo. Se você é mimada, os únicos que têm a obrigação de te agüentar são seus pais, que te fizeram assim. Ou o seu melhor amigo, se ele for dotado de uma paciência fenomenal como o meu!

Mas o pior é quando surge o medo de se envolver: você olha para baixo e tem medo de pular. ACORDA MULHER!

Amor não tem garantias, se você quer sempre a mesma coisa, namore uma planta ou qualquer outro vegetal mais fálico: será sempre a mesma coisa, ele sempre vai escutar o que você tem a dizer e concordará em tudo. Lembrando que poderá ser descartado no primeiro sinal de apodrecimento.

E saiba que  nem todo sexo bom é para namorar, nem toda pessoa que te convida para sair é para casar, nem todo beijo é para romancear, nem todo sexo bom é para descartar… ou se apaixonar. Muito menos para se culpar… afinal do que vale a revolução feminina se você é igual à sua tataravó? Somos livres para experimentar, mas aproveite com moderação!

Afinal, quem foi que disse que se envolver é fácil? Mas atreva-se, arrisque-se e, se ainda tiver coragem depois de tudo que você leu, APAIXONE-SE!

À única que amei

Ainda lembro como se fosse hoje, a primeira vez que eu a vi. As pernas finas em um intenso caminhar, os ombros arqueados –  pequenos e prepotentes – o quadril estreito e a cintura marcada.

Seus passos eram ritmados pelo barulho do salto alto e suas mãos – pequenas – sempre seguravam um cigarro que fazia um gracioso movimento de vai-e-vem naquela pequena boca rosada.

Seus cabelos curtos deixavam a nuca à mostra e grudavam em seu rosto. Ela apenas sacudia a cabeça para que os fios não lhe tampassem a visão e quando o fazia, o mundo parava!

Era quando ela finalmente se expunha ao mundo: seu nariz arrebitado e perfeitamente delineado, cortava a paisagem, demonstrando quem ela era e para o que viera. Caminhava distraída, ou mergulhada em pensamentos, ou escutando música. O mundo era apenas um palco sob seus pés e ela passeava sem notar os olhares, as cabeças que se viravam para admirá-la. Não tinha consciência do seu magnetismo, da reação que provocava…

Com ou sem motivo, engraçava-se por algo e sorria. Uma verdadeira extensão de perfeitos dentes brancos, emoldurados por lábios volumosos, surgiam para irradiar alegria e espontaneidade em qualquer canto cinzento da Paulicéia desvairada. Era um riso sincero, doce, daqueles que te convidam a sorrir junto e te alegram somente pelo vislumbre.

Tudo nela era surreal, divino, como uma brisa fresca que lhe perpassa o vão entre a nuca e a ponta da orelha e agita todos seus sentidos.

Perdi-me de vez quando olhei para seus olhos. Grandes e amendoados. Zombeteiros, brincalhões e misteriosos. Eles bailavam, pairando em qualquer imagem que lhe despertasse atenção. Sonhavam acordados, encantavam, ludibriavam. E, então, ela pousou seus olhos em mim: eles riram, encantaram, seduziram antes mesmo da primeira piscadela. Ela sorriu e eu me aproximei.

Subjulgado por tantos olhares, me entreguei. Sem medo, sem olhar para trás, cada vez mais profundamente por meses a fio. Recompensado por ternura, olhares, sorrisos e sua beleza única. Sem nada exigir, sem nada ordenar… ela não precisava, era todo dela. Impelido por algum impulso bestial, talvez pela total satisfação – e assim uma inexplicável impaciência – eu a deixei para trás…

Arrependido, em menos de dois dias, voltei. Seu olhar me disse tudo que eu precisava saber: eu havia perdido. Não resisti, chorei… e ela seguiu em frente, sem ao menos olhar para trás. Sua doçura fora substituída por uma força maior; ela não era, afinal, desprotegida: era mais forte, algo que jamais havia visto e se tivesse… ah, se eu soubesse o tornado que tinha em mim.

Desde então, sua imagem vive a me acompanhar: a mulher da minha vida, a mulher que larguei, a mulher mais linda, a mulher que perdi… a única MULHER que realmente amei.

 

De José Castillo*

Bons sonhos

Um dia cinzento na Selva de Pedra e caminhando pelas ruas,  revivo o pesadelo de um maio há dois anos atrás. As mesmas ruas, os mesmos comércios, diferentes rostos. Mas assim, sem esperar a sensação me pegou de surpresa e eu parecia presa aquele passado.

É, com alguns sonhos também são assim. Estamos ingenuamente relegados à comodidade do nosso colchão, babando silenciosamente – às vezes não, em nossos travesseiros e imagens fundem-se para dar início ao um verdadeiro freak show. E nem são aqueles com o Freddy Krueger, o Jason ou et’s. São aquelas imagens calmas, pacatas que te relembram algo que você queria esquecer, ou cospem a verdade na sua cara.

A lista dos cinco piores sonhos nos últimos 4 anos:

5 – Sonhar que meu namorado morreu num acidente de carro

Por incrível que pareça, todos os namorados que tive, tiveram o mesmo tormento: eu, numa madrugada qualquer, ligando aos prantos, berros, sem deixar o coitado falar, gritando onde ele estava. Se estava vivo, se estava bem, se mais alguém tinha morrido. Hoje já não assusta tanto né? São todos ex’s… vai ver era o prenúncio de como sairiam ruidosamente da minha vida, todos eles.

4 – Sonhar com meu ex

Dependendo da situação, se ainda o amasse, por exemplo, poderia ser até bom. Mas se você, como eu, pede alguma resposta por meio dos seus sonhos e o falecido aparece…. no mínimo digno de um berro de indignação. Ainda mais se for o ex do ex do ex… haja!

3-  Ver  a pessoa que você ama com outra

Essa foi piada de mal gosto bem recente (fim de semana, diga-se de passagem). Um sonho tranqüilo, bonitinho até. Com um casarão e flores, aí motivada pela curosidade, você sai para vasculhar e acaba vendo o que não quer, pior: descobre o que lutou para esconder de si própria! Nem a verdade, nem o ciúmes que acaba te acordando e você fica sem entender nada. Mas passa o dia inteiro de mau-humor, com a cara fechada e se martirizando internamente. Difícil saber se era melhor estar dormindo ou não!

2 – Situações em sonho que podem de fato acontecer em vida

Exemplo? Gravidez! É batata para deixar qualquer mulher, hum.. mais relapsa com medicação, preocupada, com os cabelos em pé. O agravante surge com a seguinte pergunta: ‘quem é o pai?’. Então se você foi num clube de swing, bêbada, entrou no famoso labirinto e esqueceu do remédio… filha, reza! Mas se assim como eu, você só é paranóica mesmo, reza para garantir sanidade!

1 – Sonhar que estava grávida e que sua filha mais velha morreu

Esse foi demais: ultrapassou qualquer limite. Primeira noite de descanso, em julho que foi um mês ahhh, e tive o pior sonho da minha vida. Primeiramente me descobri grávida de 9 meses – com esse corpo – e que era do pai da minha outra filha (façam as contas antes de torcerem os narizes). Assim nasceu Miguel e voltei com meu ex!!!! Que logo depois me largou por ter lido meu diário (rs*)… fiquei com dois filhos para criar, mas extremamente rica (parte boa!). Tão rica que o casamento da minha amiga de Praia Grande estava sendo feito na minha casa, mas a belezinha usava um vestido tão feio, mas tão feio (era todo transparente, ele estava com um coque imenso e um buquê terrível nas mãos) que acredito que isso foi o estopim do ataque terrorista que sofremos. SIM!!! Minha casa inteira foi bombardeada e a minha filha mais velha morreu. Aí foi o fim… de tudo! Acordei sobressaltada, com a mão na barriga, procurando pela miha filha, chorando e morrendo de vontade de comprar um teste de farmácia.

Seven

Na numerologia 7 é o número da espiritualidade. Por aí dizem que é o número da sorte. Verdade, mentira, não sei… por motivos pessoais sempre foi um número que gostei bastante, algumas das melhores coisas da vida estão em 7, têm 7 ou somam 7.

Então, para descontrair e atualizar esse blog – que andava muito piegas e romântico – vai um meme, já que a doença dessa semana me deixou sem criatividade alguma.

_ Jogo dos 7_

* 7 coisas que tenho que fazer antes de morrer:

1) Dar uma vida MUITO boa para minha filha
2) Falar árabe
3) Viajar para fora do país (Disney, África do Sul, Grécia e Buenos Aires são os mais cotados)
4) Dançar tango
5) Ganhar muito bem fazendo o que eu amo
6) Publicar um livro (dois, três, quatro…)
7) Ter um relacionamento sadio

* 7 coisas que mais digo:

1) OK
2) “Gíiiiiiiiiii, qual título para essa matéria?”
3) Bom dia!
4) Puta que o pariu!
5) Meu nome, ao telefone
6) Filhaaaaa, sexta Mamãe tá com você, te amo!
7) Besta!

* 7 coisas que eu faço (MUITO) bem:

1) Meu trabalho
2) Cuidar da minha filha
3) Dançar
4) Palha italiana
5) Fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo no computador
6) Fingir que faço dieta
7) Ajudar as pessoas que eu gosto

* 7 coisas que eu não faço:

1) Deixar de ver minha filha aos finais de semana
2) Deixar de dizer o que eu penso
3) Negar ajuda a um amigo
4) Desistir
5) Topless na praia
6) Ouvir música sem dançar (pelo menos uma mexidinha na cadeira)
7) Dieta da maneira correta

* 7 coisas que encantam: (vou aproveitar coisas das pessoas que eu gosto)

1) Tudo na minha filha
2)  O colo da minha irmã
3) O apoio do meu compadre
4) A sinceridade da minha fada
5) A inteligência da minha russa
6) A doçura da minha árabe
7) Minha determinação

* 7 coisas que eu não gosto:

1) Ser assunto
2) Gente que julga (tô tentando mudar, tô tentando… )
3) Falar sem pensar
4) Joguinhos de sedução
5) Que fiquem chamando atenção no MSN
6) TPM
7) Arrogância

Beijo, outro e tchau!

This affair never will go so well

Hoje eu vou falar de amor. Ou do que eu supus que tivesse sido. Ou do que eu gostaria que pudesse ser.

Algumas situações ocorrem e você pensa ‘acaso’. Numa outra vez, ‘destino’. E quando surge, exatamente igual, pela terceira vez? Maluquice, imaginação, sinal, vontade? A ‘ história se repete’, talvez. Entre as três é impossível evitar a análise: o mesmo espaço de quatro anos, o mesmo espaço de meses (agosto-setembro), a mesma posição anual de paixonite (4ª), a mesma sensação, a mesma perda de respiração no primeiro olhos nos olhos. Quero dizer, nãos as mesmas, porém sempre e cada vez mais intensas.

Começou em agosto de 2000. Estava na terceira paixonite, a última daquele século, quando o percebi. Dez anos na mesma escola e só agora eu tinha visto meu grande amor. Sem um motivo concreto ele aparaceu em todos meus pensamentos e desejos e, então, pela segunda vez eu larguei meu primeiro namorado para me atirar naquela ilusão. A ‘ilusão’ durou exatamente 3 anos, 3 meses e 3 dias; como conseqüência duas tatuagens, um filho não-nascido e lembranças que ainda resistem.

Em 2004 estava decidida a me livrar desse fantasma e assim que passou a paixonite número três, conheci o pai da minha filha em um bar do Litoral. Sentei ao seu lado, fiz tipo, maltratei… tinha entrado nesse jogo para ganhar. Novamente meus pensamentos, atos e desejos foram tomados, de forma ainda mais arrebatadora. Outro furacão no qual me joguei no olho… e julguei ter ‘ganhado’. Depois de 3 anos, 2 meses e 9 dias a destruição só não foi total pois nossa filha me salvou.

Nesse ano, lutando para me reconstruir, ainda caí em algumas armadilhas. Acontece, é a vida! Na terceira paixonite, em julho, achei que a ‘tradição’ fosse ser quebrada. Não foi. Decidi, por vez, desligar o ‘homômetro’; de certa forma era bom estar sozinha, priorizando minha carreira, minha vida. É, não havia borboletas estomacais ou um cobertor de orelha, mas as constantes mudanças me mantinham ocupada.

Na mais decisiva, juntei minhas coisas e fui morar em São Paulo. Sempre escutei que é uma cidade extremamente barulhenta, perigosa e que as pessoas vivem correndo… eu nem desconfiava o quanto! E foi assim que o destino e o acaso se juntaram para que a história se repetisse uma vez mais.

Já estava sem ar, de tanto que eu corria, por conta do atraso, quando o oxigênio, de fato, me faltou. Meu coração batia tão forte, tanto pelo esforço quanto pelo disparate, que o escutava ressonar nos meus tímpanos. Ao encará-lo, retomei o fôlego para mergulhar em águas mais profundas: vesti minha máscara de simpatia, diversão e agradabilidade. Mas não era tipo, era o princípio da auto-sabotagem. E, por princípios, então, eu neguei: para mim, para o meu melhor amigo, para qualquer um. Fingi ignorar aquela maldita certeza, a sensação conhecida de longa data, o tremor, a excitação.

Mas elas berraram, em uníssono, e não pude deixar de ouvir: something in my heart told me I must have you. A gente pouco se fala e só nos vimos uma vez mais after THE night, mas eu já sabia o que aconteceria, eu já tinha vivido tudo outras vezes… eu sabia como acabaria.

Por isso, meu querido perdoe-me. Perdoe-me se por ventura você tenha sentido o mesmo, se por acaso eu tenha lhe causado tamanho furor. Perdoe-me, inclusive, se eu estiver errada – embora duvide – e esse tenha sido somente o início de uma grande amizade para você. Eu não posso mais quase não falar com você, eu não quero mais quase nunca te ver. Me é impossível não comparar as ‘coincidências’, que vão além dos fatos!

Eu não estou pronta para descobrir se serei um samba de uma nota só ou a combinação perfeita, como Sinatra e Elvis. Assim sendo, prefiro ser o gelo num copo de whisky a me embriagar de você…

Enfim, JORNALISTA

Minha primeira coletiva de imprensa foi um convite da minha editora de Moda & Beleza e não me empolguei, pois afinal nada tinha a ver com o meu dia a dia na Redação.

Mas assim que abri meu e-mail, meus olhos fecharam diante das letras garrafais que berravam BRAZIL’S NEXT TOP MODEL. Eu vibrei, gritei, pulei! Sou mega fã do programa.

Sem hesitar, respondi o e-mail e no dia, e hora, marcados estava lá. Foi o máximo dar de cara com o Pazetto e falar com a Fernanda Motta no hall, mas o melhor estava por vir.

Assim, com a maior cara de pau do mundo (para mim), ergui meu braço e lancei uma pergunta. Mais de 100 pares de olhos se voltaram para mim: eu tremia imóvel da cabeça aos pés, minha mão suava e uma onda de calor me engolia. Somente quando todos os entrevistados debateram e responderam minha pergunta, explodi no melhor orgasmo da minha vida (sorry, F.B.): eu era uma jornalista, enfim!

Depois disso, minha diretora de conteúdo também se animou e me mandou para outra coletiva, uma da Avon com a atriz Reese Whiterspoon (foto). Pirei: eu ia estar perto de uma das minhas atrizes favoritas! Ela fez Cruel Intentions, Sweet Home Alabama, Legally Blond… e eu havia imitado corte de cabelo dela inúmeras vezes.

Mas como eu tinha que manter o profissionalismo – algo que deveria ter levado mais a sério no evento na Daslu – fui preocupada com o tema abordado (luta contra a violência doméstica) e de como preparar uma matéria que não parecesse tão publicitária.

Muitas pessoas se encontravam no recinto apenas pela Reese, mas desde o começo da coletiva, percebi que havia bem mais que simplesmente ela. Não sou a pessoa com o maior desenvolvimento humanitário-solidário-filantrópico que existe, mas diante dos números, da realidade eu tive vontade de me tornar um ser humano melhor! Mas isso é outra história…

Por ser pop, Reese só responderia quatro perguntas e havia jornalistas de toda a América Latina. Sorteio foi o método escolhido: primeiro Estadão, depois Caras… parecia armação; e eu num frenesi para acompanhar as respostas da loirinha. Então quando chamaram Fulana de Tal, da Ciclana Tv, deixei minha caneta cair! O mestre de cerimônias teve que me chamar mais uma vez.

O nervosismo era tanto que a pergunta saiu em inglês mesmo, impecável ainda por cima, e me mantive sentada até perceber um pescocinho fino com o topo dourado procurando o rosto da voz. Me ergui e acenei. Ela respondeu com um sorriso de “there you are” e me disse “hi”.

A REESE WHITERSPOON DISSE ‘HI’ PARA MIM!!!!

Eu estava eufórica, louca para voltar à redação e no caminho estava orgulhosa de mim mesma. Só quem trilha seu caminho, consegue enxergar as pequenas conquistas. E eu nunca me senti tão jornalista quanto naqueles instantes.