Interpretação de texto

Uma coisa é ler um texto, outra – completamente diferente e mais complexa – é ler e entender um texto. E pegando pela última citação, temos um enorme número de analfabetos funcionais nesse Brasilzão… problema deles – e de vez em quando meu!!!

Eu, que há bem pouco tempo, corria atrás de uma vaga de emprego, enviei inúmeros currículos. Umas  vagas tinham exatamente meu perfil, outras eu tinha certa experiência, algumas mais, uma experienciazinha de nada… mas NUNCA, JAMAIS, mandei meu portifólio para o cargo de executivo de contas, por exemplo.

Para mim foi uma enorme surpresa quando meu chefe delegou a essa pessoa sem experiência em entrevistas de emprego (do outro lado da situação), a tarefa de entrevistar alguém para a vaga de estagiário (a) de Redação. Lá saio eu, desesperada para encontrar alguém e mostrar ao chefe quão empenhada sou e publico a vaga em outro blog. Pronto! Meu e-mail lotou mais rápido do que eu consigo devorar uma lata de leite condensado.

Encontrei pessoas de várias áreas de comunicação, com n habilidades diferentes, e um número ainda maior de pessoas que simplesmente desconhecem o que significa a palavra estágio. A “TIA” vai explicar: estágio é uma vaga de emprego para quem AINDA está na faculdade!

Parece ridículo, mas é verdade! Era gente com pretensão salarial absurda, gente achando ruim comigo que eu não tinha deixado mais claro que a vaga era para quem cursava faculdade (!!!), gente pedindo uma “ajudinha” – claro,  sou capaz mesmo de mudar as normas na Record…

Isso mostra, pelo menos para mim, quanto nossos jovens estão despreparados, como a educação nas escolas está ruim, como a linguagem rápida e a informação jogada de qualquer jeito podem afetar negativamente na construção do ser. Imaginem Machado de Assis lendo os e-mails que recebi!!!

Acho que quando passarem a lista de material de escritório aqui na minha sala, vou pedir algumas gramáticas para dar de presente!

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… até que se prove o contrário

Já me disseram que eu jamais deveria escrever sobre relacionamento, pois afinal o que sei sobre isso? Eu acho que não devo discordar dessa corrente de pensamento, mas não quer dizer que não tenha conhecimento algum…

Por bem ou por mal, aprendi bastante – fossem minhas experiências maldosas, fossem estas sentidas na própria pele. Acredito que toda pessoa deve ter uma “teoria do amor” que seja válida… obviamente eu não ficaria de fora.

O fato de ficar nos bastidores – criada com um bando de irmãos e ter conversas extremamente francas com amigos e meu pai – me deu um feedback  excelente. Pena que seja uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que me previno, sei do que somos capazes.

Eu desconfio. O tempo todo. Não acredito em lágrimas, em juras, em amor perfeito – mas acredito no poder de argumentação dos mesmos. As lágrimas são recursos bem femininos (embora já tenha me deparado com homens assim), mas capazes de MUITA coisa – quase tanto quanto o sexo. Um amor não é, nem nunca será, perfeito, porque toda relação tem altos e baixos, em algum momento de frustração um dos dois vai olhar para o lado e até deslizar. Simplesmente porque somos humanos, suscetíveis às falhas. Quanto às juras… esse é um campo extremamente delicado e letal. É impossível não se comover quando o ser amado te olha no fundo dos olhos, sorri, lhe promete lealdade, fidelidade e felicidade… é preciso ser alguém muito filho da puta para desconfiar disso tudo, mais filha da puta ainda para usar tal artimanha – e eu já vi os dois lados!

Outro item para ser colocado em xeque: mimos em excesso – e isso inclui, carinho, presentes, dedicação. Se a pessoa, mesmo que já seja carinhosa, te presentea demais, está fazendo TUDO para te agradar, é certeiro: tem culpa no meio dessa ilusão de felicidade absurda! Quem nunca ouviu a avó/mãe soltar a seguinte frase:”desconfie do marido que te dá muitos presentes”? Desculpem-me, mas é verdade (e vale o inverso também).

Mas e daí? E daí que nada disso importa, na verdade! Importa o que você sente, o que é capaz de suportar. Escutei uma frase muito verdadeira no fim de semana passado: “todos falam antes só do que mal-acompanhado, mas a verdade é que vivem mal-acompanhados com medo de ficarem sós”. Pessoalmente acredito em situações e situações… às vezes você tem um relacionamento maravilhoso e descobre que o cara te traiu… vale a pena jogar tudo para o alto por causa de um erro?

O que eu sei é uma única coisa:  não confunda a mensagem com o mensageiro; não importa quão descrente alguém (tipo eu) possa ser, acreditar que, apesar das falhas, existe amor ainda é a melhor maneira de viver. E tenho dito!

Soneto da confiança

De hora em hora de confianças e de quando sua pele me tocava,     

sutilmente seu corpo apoderava-se do meu.

Minha alma te abraçava,

culminando tal amor, tal entrega, em delírios de apogeu.

Um par de olhos negros que me fitava –

que êxtase chamá-lo meu –

e sem dizer nada, sequer uma palavra,

esse mesmo amor morreu.

Porquanto tais cicatrizes, de profundidade inenarráveis,

são fatos concretos da existência

duma’ lma que intimamente exala crueldade.

E mal termino de culpar sua atual  ineficiência

de me fazer crer  que tudo ainda seja verdade,

confronto-me com resquícios de lembranças indeletáveis.

3 pra 30

Sempre foi um fato da vida que mulher perto dos 30 começa a surtar – fosse nos seriados, nos livros, nas sátiras ou em filmes – e eu, como uma pessoa bem clichê, não poderia escapar dessa fatídica verdade. Cheguei a cogitar a hipótese de não escrever nada, de fazer diferente dos anos anteriores… pois há não muito tempo  (pelo menos não parecem assim para mim) eu tinha 15 anos e a vida era apenas o começo! Todavia, contudo e porém esse foi um ano sem parâmetros, inexplicável.

Depois de 1 ano, 9 meses, 3 semanas e 4 dias eu consegui ter minha filha ao meu lado novamente. Não há palavras para descrever a sensação!!! Não há sorriso que baste, não há o que não seja digno de brincadeira, não existe mau-humor. Eu, que desde sempre – e depois de vários relacionamentos fracassados – sonhei em ser amada, como nos filmes, hoje sou plena. Meu marido tem coragem para me amar exatamente como eu sou, e mais: APESAR de tudo que eu sou!  Enfim, construí MINHA FAMÍLIA!

Tenho amigos que me amam na mesma proporção e eu, a eles. São poucos, nem sempre estamos juntos… mas nos pertencemos, como só os anos e as distâncias podem suportar a VERDADEIRA amizade! Por último, e nem de longe menos importante, está minha carreira: consegui, finalmente, trabalhar com que eu gosto. São 9 blogs para gerar conteúdo, para editar; 9 pessoas com quem discuto os mais diversos assuntos. Na produção dos Legendários, sento junto com os roteiristas, um prato cheio para uma blogueira com aspirações maiores. Resumindo: sou paga para fazer o que eu amo e dar risada o dia inteiro – os roteiristas fazem parte do universo do Stand-up comedy.

Não obstante, aprendi a importância do “dar valor” e do perdão. Aprendi a ser mais paciente, a focar meus objetivos, a amar o que/quem eu tenho com confiança e sinceridade. Aprendi que temos na vida EXATAMENTE aquilo que merecemos, tanto para o bem como para o mal. Pois o que vem para o bem é recompensa de muito esforço, de muito sacrifício e o que tem de ruim, é simplesmente para te lembrar do que você é capaz, de quão forte você é e que se houver um reverso, você terá humildade para retroceder.

Estou sim surtada com o fato dos 30 estar chegando rápido demais, mas ao mesmo tempo segura de estar ao lado de pessoas que me conduziram e conduzirão sempre. Porque nenhuma vitória é conquistada sozinha; eu não teria resistido e conseguido 1/3 do que alcancei sem o apoio do meu marido, tampouco se não fosse por desejar tanto ter minha filha de volta. Eu teria desistido na primeira derrota se não fossem meus amigos mais antigos me lembrando do que sou capaz, se não fossem todos juntos torcendo por mim.

Essa conquista, essa celebração não é só minha… é de TODOS VOCÊS, que estiveram comigo, que fizeram desse último ano o melhor de todos. E que se é para ser assim, que venham lgo todos os “enta” de vida!!!

Obs: a vida – essa sim uma caixinha de surpresas – mostra que quando você passa a entender os outros e seus pontos de vista, você tem muito a ganhar. Na meia-noite eu ganhei uma festa surpresa de alguém que não esperava juntamente com pessoas especiais. Acho que não teria como meus 27 anos começarem de maneira melhor!

Galáxia paralela

É redundante dizer que inúmeras vezes já se escutou a frase “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos cachorros” ou “as dúvidas são mais cruéis que as duras verdades”. Em alguma situação com nossos colegas, familiares ou até mesmo de estranhos, parece que por sermos humanos – e todos farinhas do mesmo saco – existe em nosso código genético uma mólecula carimbada em negrito “você vai se decepcionar”.

E desde que deixei de olhar somente para o meu piercing no umbigo, percebi que cada um encara a realidade – gritante, massacrante, dolorida e inevitável – de maneiras diferentes. Existem os que vestem elmos, os que ‘jogam’, os que não se permitem viver por causa daquela maldita mólecula [sic],  que vivem demasiadamente, os que fingem que não é com eles e por aí segue.

Muitas vezes eu julguei e condenei alguém por ela simplesmente não encarar os fatos de frente, por estar se vangloriando demais, por não ser sincera com seus melhores amigos, por ser indiferente. E só depois de muito tempo percebi que ela poderia estar se defendendo da inveja alheia, por querer evitar especulações ou até mesmo por realmente desejar que sua vida fosse um pouquinho diferente do que é.  Eu mesma sempre criei histórias biográficas, sempre me vi em  determinada personagem, sempre sonhei fantasias acordadas antes de realmente dormir e já chorei muito quando despertava para a vida como ela é.

E quanto mais eu vivo para aprender, para me melhorar, mas  vou atrás do meu pequeno mundinho paralelo. Não é que eu não encare os fatos, as consequências dos meus atos ou algo do tipo – até porque para isso, seria mais fácil estar morta – mas me permito sonhar uma vida que não seja tão real, cheia de descrença e desconfiança. Há algum tempo venho tentando encontrar o melhor de mim e algumas lições são mais difíceis que as outras, mas a citada no post anterior é a mais dolorosa. Dolorosa porque te obriga a quebrar conceitos, certezas e, na maioira das vezes, a passar por cima de você mesma.

A maioria das pessoas são criadas pelo certo e pelo errado, mas ninguém avisa que dentro do grupo condenável existe o maldito termo justificável – o causador do caos. Porque se você é humilde o suficiente para deixar sua posição  e tentar ver pelo ângulo alheio, perceberá o ponto de vista dele. E aí é game over para você. Por quê? Você já recebeu o perdão de alguém? Lembra como é a sensação? Então o que te faz capaz de condenar alguém? TODO MUNDO, repito, TODO MUNDO tem uma podridão na seu currículo, o que te faria tão melhor assim? Seus belos olhos, cabelos escuros e boca de boneca ou seu nariz perfeito, seus cílios longos e seu sorriso alvo?

Desde que resolvi seguir em frente na busca do melhor de mim, tenho crises de insônia, falta de apetite, crises de choro e gritos estridentementes surdos berrando por cada poro do meu corpo. E digo que vale à pena, pois acredito que tudo na vida é questão de perdão – e para mim, mais sublime e mais importante que o próprio amor. E perdoar não é fácil, nem tão gostoso quanto ser perdoada, mas enquanto isso construo minha galáxia paralela e tento evitar – nos momentos que posso – a realidade sádica, irônica e cínica.

Ei garçom: mais algumas noites de insônia on the rocks, por favor!

Pelo amor ou pela dor

Apesar de eu ter essa frase tatuada por saber que tudo na minha vida (e na da Fada)  foi aprendido de uma forma ou de outra, nunca pensei nela como antagônica. Acredito piamente que o ser humano se descobre – sua força, sua capacidade – nos momentos mais tristes e solitários da vida e que pelo amor,  fortalece esses ensinamentos.

No entanto, há algumas semanas, percebi que a felicidade de uns podem custar muito para outros, mesmo sem querer. O que nos faz sorrir, vibrar e comemorar, pode ser as lágrimas de outra pessoa. Não porque fazemos de propósito, mas porque, indubitavelmente, tudo na vida tem seu preço. Eu não cheguei onde me encontro sem sacrifício, sem tristeza, sem pesar no coração ou um oceano de lágrimas. E esse período, contudo, foi feliz para algumas pessoas; não em detrimento de mim, mas por outras questões, outras vivências.

Eis que nessa madrugada começo a me questionar se existe uma felicidade pura, que não afete ninguém, se pelo menos  quatro pessoas conseguem exibir um sorriso diante da mesma situação. Se por essas palavras (amor e dor) rimarem, devem sempre coexistir, como imãs de polaridade idêntica.

Será que sempre alguém pagará um preço?

Por isso entendi que nossa alegria não deve ser “esfregada na cara” de ninguém, por maior e mais merecida que ela seja. Você gostaria de estar na pele do outro, se sua reação fosse inversamente proporcional? Pois é… colocar-se  no lugar de um terceiro é algo difícil de fazer, mas é necessário. Até porque você passa a entender melhor os sentimentos – seus e deles.

Meu estudos nesse campo começam agora, pois entre minhas muitas metas está ser uma pessoa melhor, para mim e para os outros. E aprenderei de qualquer maneira – seja pelo amor ou pela dor.