Quando passa a ser sério

 

 

Mais um dia como dona-de-casa e mais um filme na Tv. Mas não é qualquer filme, é o meu favorito: “O Casamento do Meu Melhor Amigo”; e não pude deixar de extrair algo importante.
Em determinado ponto, a personagem da Julia Roberts (Julianne) e do Dermot Mulroney (Michael) estão em um barco-restaurante e ele comenta sobre a importância de falar as coisas no instante em que elas acontecem, que há um instante para cada coisa ser dita e que depois daquele instante, tudo passa e a mesma coisa, ainda que seja dita, não é a mesma, não tem o mesmo impacto.

Há 10 anos me pergunto o motivo de Julianne ter desconversado, não ter falado que o amava, apenas hoje entendi que é o medo que a deixa paralisada. Talvez tenha demorado em compreender, pois sou conhecida por não ter medo de falar o que me vier à cabeça, de seguir meus impulsos. Então me deparei com certas questões: o que eu temo? O que a maioria das pessoas teme? Quando superamos um medo? Será que todo mundo tem medo de alguma coisa?

Nenhum medo é bobo, nem idiota, embora existam os medos comuns; de barata, rato, aranha, escuro, injeção. Mas quero falar daqueles medos que nos petrificam, que são difíceis de serem superados. Somente cada um de nós sabe o que nos deixa sem reação, que nos faz aceitar coisas que normalmente não aceitaríamos. A morte me vem à cabeça agora, mas todos nós morreremos mesmo, então…

Paralisa-me pensar na solidão. Não aquela que sentimos de vez em quando, mas uma permanente e dolorosa. Embora tenha amigos incríveis, eles têm vida própria. Embora eu tenha uma filha, filhos são criados para ganhar o mundo, não para grudar-se em nossas saias. É aquela solidão de não ter um companheiro, de não ter alguém que envelheça ao meu lado. É imaginar que meus dias passarão de lembranças, de rever minha juventude pelos os olhos da minha peuqena.

Porque as mulheres que casam não são como eu!

Às vezes me pego pensando se uma vida normal aconteceria comigo… e hoje, talvez pela primeira vez, eu percebi que não é uma vida padrão que me faria feliz, porque enfim eu vi que eu não sou uma mulher padrão. Posso parecer forte como um muro, mas qualquer um que olhe dentro dos meus olhos por mais de cinco segundos consegue ver que, de verdade, eu sou uma criança assustada, e que muitas das minhas reações explosivas não são nada mais que uma defesa.

Mas tem uma coisa que eu realmente não posso negar: cada vez que eu caio, cada vez que eu acho que a coisa vai mesmo pro saco eu tenho alguém que me chacoalha e que me lembra que a vida sempre caminha para frente. E um dia eu sei que eu vou acreditar nisso, até porque eu vou entrar em terapia de eletro choque se eu não acreditar – rs!

Uma vez eu li um cartão postal com um sapo e estava escrito “Un jour ton prince viendra” (um dia seu príncipe virá). Por mais que hoje eu não tenha nem o sapo, no fundo eu sei que a coisa vai andar… no MEU padrão e para frente!

texto escrito a quatro mãos: minhas e da minha irmã

 

 

 

 

 

De quando desistimos do príncipe encantado

 

Por gerações, as mulheres acreditaram – culpa de nossos ancestrais e da mídia – em príncipe encantado.

Crescemos esperando que ele chegasse num cavalo branco, pronto para nos libertar dessa vida que julgamos sem muita graça, porque não temos a boca da Angelina Jolie, os peitos da Pamela Anderson, os olhos da Mel Lisboa e a bunda da Juliana Paes.

Enfim, um verdadeiro tormento midiático que abala a nossa auto-estima, nossa segurança. Ah, e não venham me falar que, por mais narcisista que vocês sejam, isso não as atinge. Toda e qualquer mulher volta e meia está insatisfeita com algo nela própria.

Durante essa demorada espera, encontramos os também famosos ‘sapos’. São os caras que não nos interessam muito e geralmente acabam virando aqueles colegas de balada, ou um amigo de todas as horas.Se tivermos sorte, encontraremos muitos desses vida afora.

O problema são os ‘cachorros’. Qualquer mulher que tenha se atracado com um entende o que pretendo explicar. O cara te beija e faz sexo como ninguém, te leva para passear (mas só de noite), te liga umas 3 vezes por semana. Com o passar do tempo o celular está sempre desligado, anda sempre com uma desculpa esfarrapada, dá ‘perdidos’ e quando você se dá conta ele te trocou por outra (e para piorar eles namoram firme!). Geralmente mais nova, mais magra, mais gostosa, mais loira ou, para te matar de vez, mais baranga. Isso é o fim!

Aí no decepcionamos, juramos que nunca mais vamos nos apaixonar. Só saímos com as amigas, só curtindo balada. Pegamos um, dois e até três numa noite. O legal mesmo dessa solteirice é só ficar com alguém que achamos uma graça, afinal o lema é nada de compromisso. Viva a ditadura da beleza!

Mas com o tempo tudo começa a parecer vazio demais. Depois de uns meses, perde a graça sair todo final de semana e não ter algum motivo para ficar dentro de casa, num sábado à noite, assistindo a um DVD, comendo pipoca e tomando Coca-Cola.

Então resolvemos dar a chance para aquele carinha, mas ele tem um defeito que não estamos a fim de passar por cima. Afinal, relacionamento dá trabalho e não estamos no clima. Então, sabiamente, damos outras chances para as baladas. E é numa dessas que a vida pode nos sorrir outra vez, ou pela primeira vez, realmente.

Pegamos, e pegamos bem, aquele garoto que já estamos a fim há algum tempo. Então começamos a sair e aos poucos vamos nos conhecendo, viramos amigos e tudo parece estar indo muito bem, mesmo que não esperemos muita coisa dessa relação. Isso porque já veio alguém e disse horrores sobre ele. Nosso primeiro pensamento foi pular fora, mas de vez em quando somos teimosas e queremos pagar para ver. Então, sem dar ouvidos, seguimos em frente. Sem contar que também já foram falar sobre nosso passado e nem desconfiávamos. Quando descobrimos, ele nem deu trela!

Com o tempo nos descobrimos totalmente apaixonadas e num dia como qualquer outro, você escuta o tão esperado: ‘Vamos namorar?’. Nas atitudes dele percebemos que o bendito príncipe encantado está bem debaixo dos nossos narizes, ele REALMENTE não mede esforços para te ver feliz, ofende-se quando alguém fala mal de você, preocupa-se sobre seu futuro, te lembra da dieta que você ‘precisa’ seguir, faz questão de que você esteja sempre com seus amigos, conversa sobre as divergências ao invés de brigar, não se preocupa com uma ou outra dobrinha a mais, aceita suas manhas, te integra na família dele, deixa você dormir por tempo indeterminado na sua folga, te beija como ninguém, faz sexo com vontade, desejo, carinho e paixão.

E ele é apenas um cara de verdade (mas não é sapo), que também quer ser amado, que ri, que chora, que anda a pé. E o adoramos de qualquer maneira. Pois ele muda nossa vida de um jeito que nenhuma outra pessoa conseguiu. E voltamos a ter fé em relacionamentos, rezando para que depois da meia-noite ele não se transforme em.