But you

Rever filmes tem sido uma das minhas atividades favoritas.  Dá para reinterprentar, rever conceitos, ver um outro ângulo da história…

Ontem mergulhei no delicioso Juno, o qual havia assistido uma única vez. Mas tem coisas que não mudam, não é? E a cena e música final continuam com o mesmo significado, para mim!

 

 

I don’t see what anyone can see in anyone else BUT YOU…

 

 

Carta para minha filha

Quando descobri que estava grávida, chorei incessantemente por dias, semanas, meses. Eu não queria, eu não podia. Diante de tanta pressão para que você não nascesse, chorei mais, berrei mais, esbravejei mais que minhas forças permitiam, somente para deixar bem claro o quanto lutaria por você.

Por sua causa parei de fumar, parei de tomar café, parei de beber. Por sua causa engordei 25kg, Usei roupas estranhas e tomei inúmeros remédios e vitaminas. Você fez com que eu tomasse vacinas, tivesse desejos bizarros e muita prisão de ventre (sem mencionar os gases!).

Por sua causa mostrei minha perereca para inúmeros médicos e enfermeiras, tive enjôos terríveis e fiquei com vontade de tomar caipirinha de limão por mais de um ano. Você chutou minha barriga e costelas inúmeras vezes e todas foram doloridas. Por sua causa usei calcinhas ENORMES, comprei uma saia tamanho 44 (!!!) e dormia mais de 12h/dia.

Você roubou minhas horas de lazer, minhas noites de sono e a atenção que meu namorado me dava. MAIS: você roubou todas as atenções! Você me fez chorar de desespero, me sentir incapaz e me deu medo até de respirar um pouco mais fundo.

Você me ensinou que eu não sabia nada sobre vida, amor e responsabilidade… literalmente vomitou isso na minha cara. Por sua causa agüentei jatos de vômitos, boatos, fofocas, roupas com xixi – e algumas vezes com cocô também.

Desde que você nasceu eu não tenho o direito de ficar doente, de dormir tranquilamente ou de comer na hora que bem entender. Troquei minhas séries, jornais e novelas por Hi-5, Backyardigans e Disney Channel. Coloquei o Elvis, Sinatra, Axl, Beatles e Renato Russo de lado para escutar Atirei o pau no gato, Meu pintinho amarelinho e Pintor de Jundiaí. Verdadeiros hits no Baby’s Top 5.

Parei de comprar bolsas e sapatos para investir em fraldas, Nan e roupas que nem sequer passam na minha canela! Parei de comprar leite desnatado pois a senhorita só toma o integral! Tive que comer chuchu, beterraba, brócolis e abacate para que você imitasse. Alguns dias deixei de comer para que você não sentisse fome.

Mudamos de cidade, mudamos de casa… mudei de vida!

Em troca de tanta abnegação ganhei sorrisinhos, beijinhos, piscadinhas, upas e carinhos que mais pareciam tapas. Recebi tudo isso com os olhos cheios de lágrimas…

Ganhei responsabilidade, maturidade, compreensão e discernimento. Aprendi que não controlo droga nenhuma e que, muitas vezes, quem manda é você! Aprendi que todos os amores que conheci não eram amores, que toda ternura descrita em poemas não era nada e que música romântica de pagode ainda é música de corno.

Descobri que nada do que vivi, senti ou escrevi, valiam algo diante de tudo que você já me ensinou. Descobri que amor é o que sinto por VOCÊ, que estou completa AO SEU LADO e que é possível amar sem esperar nada em troca.

E mesmo diante de tanto sentimento, ainda vou errar algumas vezes, que já errei. E espero que quando você começar a entender a intesidade do que vivemos (não como mãe, ou filha, mas como pessoas), possa me perdoar.

É para ver seu sorriso, escutar você falar “mamãe”, te ver dançar e reaprender a beleza do mundo que eu luto todo dia. É você minha estrela-guia, minha companheira, meu colo, meus risos, minhas lágrimas.

É para seu abraço que corro, seus olhos que procuro e sua mãozinha que aperto quando tenho medo. É sua voz que escuto, suas pernas que me guiam e seu sono que me dá paz infinita.

É por você e para você, minha filha, que hoje – e sempre – eu vivo.