A vida deveria vir com trilha sonora

Escutei esta frase há muitos anos, de um grande amigo que sempre teve música para tudo. Hoje, procurando pela trilha de Guardiães da Galáxia (baixe aqui), decidi listar as músicas  que fazem parte do filme que é minha vida.

Deu mais do que esperava e como cada uma marcou de alguma forma, decidi compartilhar, relembrar e as listei por ordem de aparição no longa metragem que estrelo (rs*):

1 – Ursinho Pimpão: reza a lenda que meu avô, mãe e tia cantavam esta música para eu dormir. Verdade ou não, foi o primeiro presente que meu avô me deu… Ele morreu quando eu tinha 4 anos e desenvolvi um amor imenso por ursinhos de pelúcia. Toda vez que a escuto meus olhos extravasam saudade.

2- (I’ve had) The Time of My Life: minha mãe era adolescente e sempre gostou de filmes românticos. “Dirty Dancing” foi o filme da minha infância e já soube a coreografia da dança final de cor…

 

3 – Always on My Mind: ah… The King! Usando a explicação acima, eu passava horas vendo SBT e vi um filme sobre a vida do Elvis ainda bem pequena. Amo quase todas as músicas dele (como não?), mas esta é a que mais me marcou – ali, aos 6 anos, eu jurei que eu faria diferente do Elvis e deixaria claro todo meu amor.

4- Michelle: esta não é a música favorita dos Beatles, mas meu padrasto sempre a cantava para mim… e anos depois o pai da minha filha.

5 – Samba-enredo da Mangueira, 1994: éramos uma casa de mangueirenses e este hino calhou com meu aniversário de 11 anos – a primeira viagem que fizemos com a família Derubins Vargas Santos de Oliveira Pires completa. Um sonho meu e do meu padrasto era desfilar na Sapucaí, coberta com as cores no peito… “Me leva que eu vou, sonho meu, atrás da verde-rosa só não vai quem já morreu”. E eu vou, por nós dois, Celsão!

6- Say a Little Prayer: meu filme favorito ainda é “O casamento do Meu Melhor Amigo” e claro que eu sempre me identifiquei com a Julienne. Meu primeiro namorado me deu o cd  e, apesar de saber todas as músicas de trás para frente, esta é a que eu mais gosto.

 

 

7 – I’ll Be There For You: que eu sou viciada em séries não é novidade. Mas nenhuma marcou tanto a minha vida como “Friends”. Não só eu chorei copiosamente no final, como aprendi a valorizar meus amigos com ela e, anos depois, eu veria a vida imitar a arte.

 

 

8 – Total Eclipse of The Heart: escutei pela primeira vez no filme “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”. Eu não sei explicar muito bem o motivo de ela ter me marcado tanto, mas ouço no repeat umas 10 vezes!

9 – Only Yesterday: única música dos Carpenters que eu gosto, ela fez muito sentido na adolescência e foi a música que cantei durante toda a gravidez – e que a Manuela adora ouvir até hoje na hora de dormir.

10 – It’s My Life: Bon Jovi tem clássicos muito melhores, mas para a jovem adulta que eu era, a letra (que ainda cita Frank Sinatra) tornou-se meu hino. Toda vez que minha amiga vai ao show deles, e toca esta música, ela me liga para que eu possa escutá-la ao vivo.

11 – Perhaps Love: eu soube, no dia que escutei, que eu queria viver um relacionamento que se encaixasse nessa letra. #metasdevida

 

 

12- The Reason: a música-modinha de 2004 marcou o fim do meu primeiro relacionamento sério e o começo do segundo.

14- The Winner Takes It All: cresci com Abba (como não adorar Dancing Queen?), mas eu amo o sentimento impresso em cada palavra dessa letra. Eu gosto muito de escrever sobre sentimentos intensos e  motivo pelo qual sou apaixonada por essa música está aqui.

 

15 –  Manuela: acho que não preciso explicar muito, né?

16 – Iris: a mesma amiga que me liga por causa do Bon Jovi me dedicou esta música em um dos textos mais lindos e sinceros que eu já li.

17 – Times Like These: Foo Fighters sempre vai ser Foo Fighters, mas esta música, para mim, é imbatível. Ela reflete minha visão da vida.

18 –  You know I’m No Good: Amy, diva, me definindo como ninguém.

 

 

19 – Anyone Else But You: o refrão explicava, para todos que não entendiam, o motivo de eu ter começado a namorar meu melhor amigo.

 

 

20 – Verdade: porque Zeca Pagodinho é Zeca Pagodinho! Ela marcou o namoro citado acima e meu aniversário de 26 anos (que foi incrível)  –  foi cantada especialmente para mim, ao vivo, pelos meus queridos amigos do Sambô.

21 – You’re Still The One: enfim, no alto dos meus 20 anos, eu tinha o segundo maior sonho da minha vida: amar muito e ser muito amada. Na hora de escolher a música do meu casamento, que definisse o casal, não poderia ter encontrado uma mais perfeita.

22 – Olhos nos Olhos: desconheço música que consegue falar de rejeição, recalque e superação, após uma separação, com tanta beleza e poesia. Chico, seu lindo! ❤

 

 

23 – Queen of Hollywood: conheci The Corrs aos 16 anos e gosto de quase todas as músicas, mas esta veio em um momento que  precisava lembrar do que eu realmente sou feita!

E vocês, têm músicas para vida? Deixe nos comentários!
Adoro conhecer novas melodias!

 

 

Only love can break your heart

A temperatura caiu. A chuva cessou. O frio se instalou. A rua, à noite, quase sempre vazia, quase sempre tão fria, estava ainda mais vazia, ainda mais fria. E era seguro passar por ali. Protegida pelo sobretudo preto e echarpe de ursos coloridos, ao som de The Corrs e aquecida pela fumaça que queimava na ponta do Marlboro Blue Ice – este que agora é o novo cigarro que eu me ponho a queimar freneticamente, quando tudo aperta. Seja saudade, seja fome.

Era o estar só para me sentir segura. Eu, que passei tantos anos acreditando que precisaria de alguém para me sentir bem… Talvez, na verdade, seja apenas como muitas outras coisas que não experimentei na vida por medo de gostar demais. A liberdade adquirida, o prazer da minha solidão escolhida; um sabor doce que me permite andar por aqui, por ali e por aí. Sem rumo, com prumo.

E eu quase não escutei os passos, entre uma canção e outra; eu quase não senti o perfume enquanto o odor de nicotina e menta adentravam minhas narinas e eu quase não olhei, mesmo quando seu braço levantou – involuntariamente – para se fazer notar. Em uma cidade cinza, numa noite cinza, é quase impossível não ser ofuscada pelo brilho azul que emana dos seus olhos. E mesmo que eu quisesse evitar, você exibiu seu melhor sorriso, como se saído de um comercial de clareamento dental.

E foi só por isso que me senti ligeiramente tonta e meu corpo se aqueceu mais rápido do que se eu tivesse sido jogada na fogueira – tanto faz se da Inquisição ou de São João.

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Eu achei que no dia em que nos encontrássemos outra vez, eu estaria curada. De você. De nós. Da mania que eu tenho de te empurrar para longe de mim, quando quero me envolver nos seus braços, me aninhar no seu peito. Sem medo, sem vergonha, sem tempo de acabar. Acenei com a mão esquerda, sem tirar o cigarro da boca, e sorri com fumaça de mil toxinas. 

Você saberia se algo tivesse mudado, eu teria te procurado. Faria a madrugada virar dia, a semana ser feriado. Esticaria as horas, daria a taça do Copa para o Brasil e São Paulo seria a festa sem fim, um Carnaval sem fim, onde não acabaria amor nenhum. Sem desculpas. Porque a gente insiste em achar desculpas para nos iludir, mesmo sabendo que quando a gente quer, não há desculpas – apenas vontade de fazer, de ser.  Mas era tudo igual em mim – essa mania de manter o orgulho inteiro e o coração em pedaços. E você já não queria mais lidar com isso.

Protegida pelo sobretudo preto e echarpe de ursos coloridos, ao som de The Corrs, eu seguia. Sem rumo, sem prumo. O frio que resolveu entrar por todos os poros, gelava pulmões e coração. E resolvi acender mais um Marlboro Blue ice – este que agora é o novo cigarro que acendo quando tudo aperta. Especialmente a saudade.

Quem é essa “velha” no meu espelho?

Toda vez que alguém da minha família descobria mais alguma tatuagem, ou um piercing ou um corte de cabelo radical que eu adotava, logo soltava a expressão “essas coisas da juventude”. Era o suficiente para estragar meu humor por uma semana, afinal estava tentando apenas ser feliz e não uma adolescente tipicamente rebelde, levada por modismos e prazeres no meio da dor.

Para ser sincera, eu nunca me tatuei ou me furei pensando na dor ou que apareceria mais que qualquer outra pessoa da minha idade; minhas tatuagens contam histórias únicas e pessoais, meus piercings são apenas enfeites que até hoje (10 anos depois) eu acho atraentes. Todavia, bem no finalzinho do ano passado,  tive um pequeno vislumbre do que os “jurássicos” familiares tentavam dizer. Junto com namorado,  filha, sobrinha e amigas corajosamente me enfiei em um estúdio de arte corporal para dar mais um adorno ao meu corpo. Era um piercing no nariz, nada de mais para quem já havia feito no mesmo local outras três vezes.

Nada demais? Seria, se eu não tivesse começado a suar quando lembrei a dor que era, se  quase não tivesse desmaiado quando – para tomar coragem – assisti outra garota passando pelo que eu estava prester a passar. Com  a mesma coragem que sentei na maca, pulei dela em segundos. Obviamente não faltaram coros de “amarelou”, “fraquinha” e “medrosa”. Mentalmente mandei à merda os os 11 pares de olhos que me encaravam e desafiavam. Fazer o que?

Se tal fato fosse há 3 anos, tenho certeza que eu teria ido em frente, passado por algo que não queria, apenas para provar que eu era forte o bastante para continuar. E algo que parece bobo, pôs uma nova perspectiva na minha vida: quantas vezes não fazemos algo por insistir que não voltar atrás é sempre o certo a fazer? Quantas “mutilações” – físicas, psicológicas, mentais – nos permitimos para nãos sermos vaiadas, para fazermos parte da turminha, para tentar provar algo para nós mesmos? Porque quando se é jovem o bastante para ser jovem, o amanhã não importa mesmo. Vai vir alguém é bradar o tal juízo… ahã! Que atire a primeira pedra quem nunca fez algo desse tipo na vida, uma cagada.

Pensei ter dado um exemplo errado a minha filha, mas não. Eu fui forte o suficiente para mostrar que as pessoas mudam de opinião, que não importa sob que pressão você esteja é sempre importante se respeitar, que modismos são modismos e coisas de jovens são coisas de jovens. Quando me olhei no retrovisor – e suspirei com saudades do piercing que jamais estaria ali outra vez – demorei um tempo para reconhecer a pessoa no espelho. Coco Chanel sempre dizia: “já não sou o que eu era, devo ser o que me tornei”.