Entra jeans maldito, entra!

São poucas as pessoas que conheço- principalmente as mulheres – que não se importam com a aparência (leia-se peso). Não sei dizer quão traumático foi passar boa parte da adolescência parecendo uma lanterna japonesa em tamanho über plus!

E não que após uma enorme guerra com a balança , eu tenha de fato vencido. São batalhas diárias e constantes, há 13 anos. Na maioria das vezes a balança leva a melhor, mas às vezes dou um murro bem no meio da cara dela. Contudo, essas batalhas são extenuantes, cansativas, chatas… e por mais que eu vença, existe um grande sentimento de derrota. Afinal, quem não gosta de comer?

Me descabelo de inveja daquelas pessoas com biotipo e metabolismo abençoados; são magros de ruindade mesmo, só para jogar na cara do resto da humanidade o grande privilégio que lhes foi concedido. Você já viu uma dessas magrelas (não as anoréxicas, as que são assim por natureza) se acabarem em saladas, grelhados, gelatina diet e frutas? Não! Elas comem Mc Donalds, tomam litros de refrigerante e ainda terminam a refeição com um pedaço de pudim ou bolo de chocolate… DE.SES.PE.RA.DOR!

E aquelas que nem malham? Posso começar a cortar meus pulsos?

Vivo contando notas (hoje, por exemplo: almocei um pratinho de canja, um pedacinho de frango grelhado e uma quiche pequena – estava morrendo de vontade…. pronto, me fodi! Meu jantar vai ser miserável), acordando antes das 6 da manhã para malhar, passando vontade e o ponteiro da balança teima!

Por um lado, antes me sentia mais culpada por não ter o corpo certinho no lugar, estilo Paola Oliveira. Mas, sem dúvida, as pessoas de mídia se dedicam muito mais a esse culto do que eu; não passo horas em academias (até porque meu emprego não depende disso), às vezes nem malho para dormir um pouco mais ou passar o tempo com minha família, não me submeto a tratamentos estéticos experimentais ou à cirugias plásticas, evito comer o maior número de besteiras, mas de vez em quando escorrego.

Não acho que ninguém deva buscar um corpo de capa de revista, até porque Photoshop na vida real ainda não existe. Acredito que todo mundo deva se amar do jeito que é, do mesmo jeito que dá para melhorar algumas coisas: uns quilinhos a mais (para saber o peso ideal, sempre vá ao médico), um cabelo ressecado, unha mal cuidada. Pequenas coisas que, no final, fazem uma enorme diferença.

No meu caso, só estou fazendo com que minhas 5 calças jeans voltem a entrar, coisa que menos 4kg resolvem. Ou seja: nada para morrer por, mas que me dá direito suficiente de xingar todos esses abençoados que não precisam passar por isso. E tenho dito!

O Universo feminino é assim:

Hoje é O dia!

Você tem aquele encontro especial. Então se levanta da cama feliz da vida, canta, brinca e, em 1 minuto, resolve o resto do seu dia: cabeleireiro, manicure, depiladora, massagista e compras… que a maratona comece!!!

Não são nem 11 horas e a primeira parada é a depilação – afinal o vermelhidão não pode ficar até o fim da tarde – e dali você segue para massagista, manicure e pedicure.

Duas da tarde e você resolver tomar uma sopa de nabo para não sobrar uma gordura naquela calça jeans. Depois da refeição você se dirige ao shopping e começa: experimenta uma, duas, dez, treze roupas diferentes até achar a que gostou (essa me deixou meio vagabunda, mas não está vulgar… é ela!).

A lingerie até que foi fácil, afinal tem que ser pequena para não marcar (e fácil de tirar). Mas os sapatos… quase uma hora para escolher! Na hora do pagamento você parcelou em 5x sem juros para não pesar no orçamento (mas valeu cada centavo, ele vai A-M-A-R!), olhou para o relógio e viu que estava atrasada para o cabeleireiro.

Saiu pelas ruas como se fosse arrancar o pai da forca e só parou, pois aquela amiga que você não via há 10 anos te brecou. “Fulanaaaaaaaaaaa! Como você tá lindaaaaaaaaaa! O que tem feito? Blablalá…”.

Por 15 minutos você só escuta patati-patatá e força um sorriso bege, até que resolve falar: “Beltrana, tenho que ir nessa, mas me liga hein? Tô morrendo de saudades! E você está belíssima para quatro filhos!” (Nossa, ela tá uma vaca de tão gorda, tomara que tenha perdido meu telefone!)

Chegou ao salão e o Fófi estava pontualíssimo (ai, pelo menos isso!). Você cortou as pontas, deu banho de brilho e fez uma escova: Angelina Jolie beijaria seus pés! Voltou pra casa, tomou um banho – com touca para não estragar o cabelo – aplicou máscara, separou roupa e acessórios, tirou a máscara, escutou o telejornal e começou a se maquiar.

Celular toca: ele avisando que está quase chegando. Você corre, se arruma, gargareja com Listerine e a campanhia toca: “Você está maravilhosa!”. “Ai, obrigada! Me arrumei rapidinho, cheguei tarde da academia, peguei a primeira roupa que vi, passei só um rímelzinho e mal penteei os cabelos… (se ele soubesse o trabalho que deu, é bom me achar maravilhosa mesmo)”.
“Vamos então?”

O restaurante que ele escolheu é ótimo! O vinho está na temperatura ideal, a música é agradável, a conversa flui bem (ele é o cara dos meus sonhos; como pode estar solteiro ainda?). “Eu estava pensando em pedir massa, você no se incomoda não é? Não suporto uma mulher que deixa de comer por causa de dieta!”
“Não, não, que dieta? Eu vivo à base de macarrão, batatas fritas, hambúrgeres, pizzas. Salada não leva a nada! (depois eu passo uma semana só tomando suco de melancia).

Depois da sobremesa e você dispara um “vamos ao meu apartamento?” (o que, na verdade, é bem melhor, já que homem é porco!). Vocês mal chegam ao seu flat e ele te pega no colo, te joga na cama e começa a beijar seu corpo todo (isso, assim, como eu imaginei!).

Tira sua roupa, sapato e lingerie numa velocidade assustadora, nem pára para olhar (mas eu paguei tão caro!). Direciona sua cabeça para o morteiro, te deixa lá por uns 10 minutos e sem avisar, te arrebata: “Não está uma delícia benzinho, hum? Não é assim que você gosta hein? Fala, fala!!”

“É, nunca ninguém fez assim (nossa, ruim desse jeito nunca mesmo)”. Depois de tudo terminado – não levou nem 20 minutos – ele avisa que precisa ir.
“ Te ligo depois, a gente tem que repetir a dose hein!”
CLARO! Liga sim!” (vai esperando seu panaca!)

A porta se fecha e você pensa na decepção que o cara foi (nunca mais dou presse merda! É por isso que tá solteiro). Você pega o que sobrou do vinho, assiste um pornô, põe as mãos para funcionar e, aí sim, dorme feliz!