Um brinde à Bruna Surfistinha

Atualizando meu Reader, me deparei com (mais) um brilhante texto da minha querida Gisela Rao, em seu blog Vigilantes da Auto Estima.  Suspeita não sou, afinal a mulher tá aí no mercado há anos, escreveu e dirigiu revistas, portais, tem livros publicados… mas enfim, o tema me interessou por falar da Bruna Surfstinha. Quando comecei minha carreira, e tinha como chefe a Gí, eu gravei duas matérias com a Bruna. E mais do que isso: passei horas ao lado dela, escutando, absorvendo, conhecendo, aprendendo. Eu me diverti horrores!

Bruna e Eu, em agosto de 2008.

Eu não sei quem aí leu os livros ou assistiu ao filme (que super recomendo e se ainda não deu, vai dar um tapa na cara de muita gente), mas logo no início aparece um  ocorrido na escola e que fez com que os colegas de classe a descriminassem. Muitas mulheres “tiveram a sorte” de serem as santinhas e de não passar por essa apurrinhação. Mas qual garota, mais “foda-se para o que pensam, quero ser feliz”, não foi tachada de puta, galinha, vagabunda? Não só pelos homens, mas principalmente por mulheres, pelas tais santinhas. E são essas as mais recalcadas, travadas, mal amadas por si mesmas que procuram os conselhos, que voam em cima dos livros, da própria Bruna ou de qualquer informação que possa fazer com que elas se sintam mais sexualmente desejadas pelos seus parceiros. Algo como joga a pedra na Geni depois de ela ter salvado a cidade inteira, sabem? Uma hipocrisia nojenta e sem tamanho!

“Eu fico me perguntando o que incomoda mais na gente: o sucesso alheio ou o fato dela nos lembrar o quanto ainda somos sexualmente travados? Na minha opinião, os dois. Na opinião do jornalista Larry Rohter (“Aquela que controla seu corpo pode irritar seus compatriotas”) é mais a segunda opção. Para ele, que estuda o Brasil há anos, as mulheres brasileiras têm essa fama de sexy, mas ainda existe muita inibição, desconhecimento do corpo, e certas travas (… clique aqui para ler na íntegra)”

Qual é a semelhança em fazer sexo por dinheiro ou a torto e a direito porque gosta? É um choque, é moralmente vergonhoso! Vergonhoso para quem mesmo? Ah, quase me esqueço dos falsos moralistas, dos hipócritas e das recalcadas! A verdade é que se fosse fácil encarar o preconceito, a pressão, ser prostituta seria fácil (e aí, para que faculdade, né?)…  ser “puta” também! Uma mulher que explora um talento nato, ou que faz o que gosta, não está impune das conseqüências que a sociedade impõe. Não prego aqui que todas devem sair transando com o primeiro que aparecer apenas para chamar a atenção, mas se for o que você quer fazer, o que você gosta de fazer, vá em frente… o que te impede?   Eu já fui, me arrisquei, experimentei, gostei, repeti inúmeras vezes; sofri represálias, perdi possíveis namorados, já fui chamada de tudo que é nome… e quando olho para trás, não posso me sentir mais feliz por ter vivido, descoberto, sentido (amor, prazer, luxúria, dor).

Tudo o que fiz me levou até aqui, assim como a Bruna.  E é por isso que essa foto é um pequeno troféu, porque eu nos respeito e nos admiro!

Ah, e se você precisar de umas diquinhas… assiste aos vídeos que gravei com ela!

 

 

Ps: Um pequeno aviso para as “moralistas” de plantão: o que seu parceiro não tem em casa, COM TODA CERTEZA DO MUNDO ele vai procurar fora 😉

Uma história de amor. Sexo. E virada de mesa

Gisela Rao que me perdoe o plágio, mas a estranheza de adentrar todas as suas intimidades – psicológicas, físicas, neuróticas e sexuais –  através da leitura de ‘Tchau, Nestor’, só poderia me levar à reflexões. A primeira foi me sentir na pele das pessoas próximas que lêem o blog, dado que meu contato com a Gí é diário, mas isso é outro post…

Pela nossa proximidade e semelhanças, talvez, esse livro tenha sido uma enorme viagem. Toda leitura nos dá novas visões; ensina, explica algo. Com Mama Rao não seria diferente.

Página 130: “(…) Por que precisamos ser boas demais ou alegres demais ou gostosas demais para conquistar o objeto de nosso desejo? Por que não podemos ser harmônicas e tranqüilas e verdadeiras e comuns como somos quando conhecemos nossos amigos, que nunca nos cobram nada e nunca cobramos nada deles? (…)”.

Simples: porque queremos exaltar nosso melhor, todas as qualidades que temos, e as que fingimos ter (ah, fala sério! Que mulher está de bom-humor durante a TPM? ). Assim desviamos o foco dos nossos defeitos, jogando-os embaixo do tapete, contudo, esquecendo-nos que uma hora eles formarão um aglomerado que saltará aos olhos e criará divergências que podem findar o relacionamento.

Sim, as pessoas têm experiências, traumas, neuroses, fases e medo de rejeição. Simples, exatamente, dessa forma.

Deveria haver uma lei onde todo mundo mostrasse, primeiramente, sem medo ou vergonha, todos seus defeitos. Seria mais fácil, mais prático e, quem sabe, menos indolor, inclusive. Gostou? Ótimo! Não gostou? Beijo, que eu tenho pressa de ser feliz!

Mas não, o casal entra em joguinhos, tests drive, para tentar mostar o quanto são especiais, diferentes dos outros, como a vida ao lado dela (e) é mais divertida, menos difícil. B-O-B-A-G-E-M!!! Relacionar-se é o que de mais complicado existe e uma hora a máscara cai (todas elas).

Já ouvi ‘conselhos’ de inúmeras pessoas, inclusive da Gisela, sobre os procedimentos ‘corretos’: seja mais assim, menos assado; não aja como você mesma; homem não gosta disso; não fale aquilo; não vai dar para ele logo de cara… e blá, blá, blá, blá, blá.

Todavia, a vida ensina que não existe fórmula única e mágica para um relação começar/engrenar/funcionar/durar. Que o jogo, mais cedo ou mais tarde – e com um pouco de sorte – vai resultar num empate. Ou muito provavelmente na derrota esmagadora de uma das partes.

Aviso, portanto, a quem interessar possa, que joguei a toalha e parei DEFINITIVAMENTE com essa brincadeira. Cansei de ser quem não era, nem nunca fui, para poder chamar de ‘MEU‘ e depois viver num inferno. Cansei de guardar opiniões e não bater de frente com medo de perder algumas ‘amizades’. Não é porque não me importo, mas porque finalmente descobri o que EU quero.

Assim sendo, por que deveria me mostrar diferente para o meu objeto de desejo? Já cantaria Ana Carolina, em sua deliciosa rouquidão: “(…) e não mudo minha postura só para te agradar“. Quem quiser ficar comigo, tem que gostar APESAR dos defeitos ( “I told you I was trouble…”); do contrário, amar somente as qualidades, não será virtude alguma, como também uma incômoda e gigantesca ilusão.

NINGUÉM é constituído exclusivamente de negatividades, fato. Nem eu. E se você conseguir passar pela tempestade, garanto que o pote de ouro no fim do arco-íris é extremamente compensador.