teu sorriso é o que vou guardar comigo

 

ela era um rosto entre muitos. mas não era qualquer rosto, também não era uma Grace Kelly, Audrey Hepburn ou qualquer desses ícones de beleza que saltam aos olhos. ela era um rosto tão dela, completamente dela. e o sorriso? este rasgava o rosto, de ponta a ponta, exibindo muito mais que muitos dentes.

desde que a conheci tem um algo engasgado no peito. à primeira vista, toda vez que ela sorria, eu sentia uma vontade quase incontrolável de ser o motivo. mesmo que ela endurecesse as feições, assunto ou outro, abria os olhos, surpresa, e, sem saber, revelava uma certa tristeza, meiga até, daquelas que você quer abraçar e dizer que tudo vai ficar bem. porque você quer que ela não sinta nada além do que você também está sentindo.  e então, não mais que de repente, foi uma vontade insana de beijá-la e ficar de vez ao lado dela. e ela me deu o primeiro sorriso de muitos que seriam só meus, de mais ninguém.

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estar com ela era tão simples como devorar um pote de pasta de amendoim. ela era o furacão que me dava paz. ela bagunçou todos os meus planos e eu me senti realmente sortudo por isso. eu também fiquei confuso. eu fiquei o quanto pude, da melhor maneira que pude: por inteiro. tempo é sempre algo relativo quando o que existe é verdadeiro – e avassalador. mas somos todos estragados por dentro. ela era mais do que eu podia lidar agora. ela não, a situação. como é possível cair aos pés de alguém quando ainda se está de joelhos?

eu vi o sorriso morrer em olhos espremidos segurando as lágrimas, mesmo que ela tentasse olhar fixamente para a xícara de café. e vi quando ela veio certeira em minha direção e me envolveu  em um abraço. com força e que me atingiu de um jeito que só ela sabe. ela sorriu no meu pescoço, eu sei, eu senti. ela respirou fundo, sorveu meu perfume e abriu outro sorriso. era um sorriso diferente, eu não acho que tenha visto em mais ninguém em toda minha vida. ela me disse que não estava triste. ela disse que eu tinha que ir porque era melhor assim: sem mágoas como herança. era um sorriso de empatia, daquele tipo que entende a dor do outro e dá espaço para que as feridas sarem e os traumas se minimizem

eu vi ela ir, provavelmente secando as lágrimas ou procurando um cigarro. ela não olhou para trás. eu não fui atrás dela, como disse que iria caso ela fugisse de mim. eu sabia que tinha encontrado alguém com quem queria fazer planos a longo prazo, assistir filmes no sofá e ficar admirando. mas fiquei parado olhando ela ir. porque eu sabia que ninguém a segurava. ela era dela, completamente dela, mesmo quando ela quis ser minha.

desde que a conheci tem um algo engasgado no peito que vai ficar, assim como a lembrança desse sorriso, que não para de surgir na minha mente. é o que vou guardar comigo.

 

. josé castillo .

Bright mornings

Acordar cedo é mais perturbador que simplesmente levantar da cama quando gostaria de passar mais horas com ela, abraçada aos meus travesseiros, confessando segredos por intermédio dos meus sonhos. É a única hora de silêncio e quietude do meu dia, onde converso apenas comigo em questões filosóficas egocentristas, cujo filme da minha vida passa em pequenos takes e atemporalmente. Talvez por isso seja tão raro esse despertar quando a manhã ainda confunde-se com a madrugada na qual adormeci…

Há alguns dias estou presa na cilada do saudosismo, perguntando-me da necessidade das pessoas na minha vida. Visitando profiles, revisitando meus cd’s de fotos, vasculhando minha memória… quantas gente, tantas histórias. Pulei da cama hoje cedo – para ser sincera, arrastei-me –  indagando o porquê delas terem passado por mim. É incontestável que cada uma (essas nas quais tenho pensado) deixou uma marca, por menor que seja.

É engraçado observar como mudamos: nossas vidas, nossas histórias, nossos rumos, nossas conquistas. De como um dia planejamos algo e saiu tudo diferente. Uns casaram-se, outros tiveram filhos, mais alguns saíram do País. Contudo, algumas companhias perduraram, assim como permaneceu aquela alegria contagiante do momento que nem lembro, mas ficou registrado numa fotografia; da ingenuidade do começo da adolescência, dos sotaques e gírias compartilhados; das brincadeiras Morro acima; das festas madrugada adentro e de como aos poucos cada um foi partindo…

Chega quase a ser triste, mas a verdade é que durou o tempo necessário para ficar somente boas lembranças. Obviamente, algumas delas seria bom ainda ter por perto, ao alcance de um telefonema, de uma passada de carro na porta da casa apenas para dar uma risada. Mesmo que ainda estivessem perto, eu já não disponho de tanto tempo como há 10, 5 ou 2 anos atrás. Minha vida fez um giro de 547º. Porém, dá uma vontade de reunir essa turma toda numa endless party… ou como costumavam ser as nossas: um final de semana inteiro, trocando o bíquini por um shorts e camiseta, voltando para o bíquini e indo assim até o churrasco de domingo à noite.

Hoje são outras pessoas, outros pensamentos, outras manias, outras disponibilidades, outros tempos. E com isso outras marcas, outros aprendizados, outros conceitos, outras questões neuróticas (por minha conta). Cada um vai preenchendo meu álbum de sorrisos, colos, momentos, broncas, brincadeiras. São os pequenos grandes prazeres que fazem toda a diferença…

E é meu sorriso nessas manhãs – um sorriso que quase ninguém vê – que explicita toda a felicidade de ter pessoas como vocês na minha vida.

Baba baby, a criança cresceu!

Outro dia estava pensando em situações ridículas na minha vida e cheguei à conclusão que por algumas delas, todo mundo deve ter passado. Acredito que a maioria das mulheres – quando eram meninas – um dia teve uma paixonite platônica por um homem mais velho. Primo distante, amigo do irmão, professor, etc.

Quando tive paixonites por amigos de irmãos já não era tão pequena assim (de idade!), mas aí me lembrei de um professor do Colégio. Eu devia ter uns oito anos quando o vi pela primeira vez: era o homem mais lindo do mundo! Era alto, magrelo, mais velho – bem aquele tipo de adulto mega legal que as crianças adoram – e um professor bacana.

No auge de toda minha paixão, meu desejo era que ele me achasse a melhor aluna que já teve, que me elogiasse, que me achasse uma criança adorável … infantil, não? Mas era tudo que eu sabia pensar naquela época…

Quando retornei ao colégio – tive que estudar em outra escola por um tempo – ele ainda estava lá, ainda mais lindo e legal do que antes. Eu já sabia que agora eu podia desejar beijos, mas era gorda, desajeitada, um patinho feio. Se nenhum menino da minha idade olhava para mim, como esperaria que ele olhasse? Então a paixonite foi posta de lado.

Ele saiu da escola, não sei por quais motivos, então não pôde ver o cisne que virei quando adentrei o colegial. De rebotalho à princesa, passei a ter todos os homens que desejei. Todos mesmo? Quando meu melhor amigo disse isso – alguns meses atrás – parei para pensar meio embriagada e concordei, mas não sei por que motivo recordei-me desse professor.

Imaginei como e onde ele estaria: teria casado? Filhos? Ainda lecionava? O que estaria fazendo? Será que ele tinha engordado (afinal meu gosto por magrelos mudou – graças – sou fã nº. 1 de pançudinhos!)? Será que estava grisalho? Quantos anos ele teria agora? Será que se ele me visse, se lembraria de mim? E se me olhassse como mulher e não como a aluna, me desejaria?

Em minha mente abestalhada, fantasiei um encontro. Esbarramos-nos no shopping, aquele polido pedido de desculpas e o olhar de reconhecimento. Ele olhava bem dentro dos meus olhos e abriu o sorrisão de sempre. Sim, ele estava grisalho, com barba, mais gostoso. Era charmoso, simpático, cheiroso. Fomos tomar um café, conversamos, disse da minha filha, ele da ex-mulher e de como queria ter filhos. Conversamos por quase duas horas e o olhar dele chegava a incomodar, era profundo, penetrante. Despedimos-nos, anotamos contato de MSN e um beijinho – no rosto – de tchau!

Ainda acho que sempre resta um “q” de criança em mim! Olha quanta maluquice…

Mas por essas ironias da vida, acabamos nos encontrando. E minhas simulações estavam mais para previsões! De lá até ontem à noite, conversávamos quase todo dia e, julgando que ele já soubesse, contei sobre minha paixonite. Ele deve der dado muita risada, ocultado pelo monitor, mas foi educado e reagiu surpreso à minha confissão. Conversamos mais um pouco, falamos do que eu queria para o meu futuro, ele, dos planos dele. Tudo um simulacro, eu queria acreditar. Desejei que ele me desejasse, que m…

Ops, tenho que parar de escrever agora, o interfone tocou…

Ps: são 4 horas da manhã, esqueci de desligar isso aqui!

Ps1: eu relamente tive todos os homens que desejei.