Aqui jaz Lolytha Kiddo

Quando era criança aprendi que deveríamos ser sempre sinceros, falar a verdade, não enganar ou usar as pessoas. Mas, então eu cresci e vi que poucas pessoas aplicavam essas lições, sobretudo em relacionamentos. Perdi as contas que – por causa do meu físico – fui humilhada, rejeitada, ridicularizada. Como se eu fosse apenas um objeto insensível… diversas vezes, escondida, chorei de raiva, de pena de mim; vomitei meu coração, mastiguei-o novamente pois eu ainda queria acreditar nas pessoas, no amor.

Mas então eu mudei, física e emocionalmente, e me vinguei. Não sei de quem ou porque, pois eu não colecionei sequer uma vitória. E assim, achando que era mais fácil fingir de uma vez não ter sentimentos, que era liberal da cabeça aos pés, que evitando expor que ainda era a mesma criança, não me magoaria. Ledo engano…

Não só tive que lutar constantemente para manter viva minha lenda pessoal, como para esconder de mim mesma que eu sou. Assim diria a pessoa com maior prioridade para falar de mim “uma menina maravilhosa, que se mostra somente para alguns quando você os permite enxergarem através dos seus grandes olhos castanhos quando os espreme para sorrir colocando a ponta da língua entre os dentes. Você tem cabeça de criança, sorriso de criança, coração de criança; não precisa se fazer de forte toda hora só porque o mundo te magoou demais… você é mais do que isso: meiga, carinhosa, sincera, divertida, companheira, o amor da minha vida”.

Sim, depois que tudo virou névoa foi quando mais abusei da minha personagem, foi quando mais precisei de forças para mostrar que isso não me abalaria, que eu se sendo assim eu tinha perdido tudo, porque continuar? Mais quatro anos de Lolytha e o resultado aparece agora: eu cansei!

Cansei de manter uma moldura, uma máscara, uma couraça que usa e abusa de si mesma como se pouco valesse. Não só pelos outros, mas por mim mesma a cada mentira que tentava me convencer, a cada verdade que deixo morrer em meus lábios por medo de rejeição, por não querer esse exemplo para minha filha. A vida consiste de altos e baixos e corajosa é quem a enfrenta sem precisar de armaduras, que agüenta as facadas, as pauladas, os corações vomitados de cara limpa e alma imaculada.

Cansei de fingir que não me importo, que não me apaixono, que sou para ser amante e não para casar, que sou apenas um ser sexual. Eu admito de uma vez por todas que sou frágil, que gosto de ser mimada, amada, bajulada. Que gosto de atenção, de amor, de carinho; que quero um namorado para me fazer companhia nessas noites frias da Paulicéia. Que esteja feliz de ME conhecer, de estar ao MEU lado, que veja filme, vá ao barzinho ou que faça nada e seja legal.

Ainda sou a mesma criança de 10 anos atrás que acredita em amor, que tem ternura, carisma, que tem planos de relacionamento. Ainda temo a solidão, me apavoro com rejeição e sei que vou chorar escondida, ou não, algumas vezes, que vou vomitar coração, fígado e pulmões pelo mais uma vez mais, mas não me permito mais ser levada por sonhos ou ilusões, enfrento a realidade de ser uma mãe solteira com o o temperamento mais oscilante do mundo. No entanto sei o que eu quero e mereço; despir-me assim, me expor da maneira que realmente sou terá conseqüências, mas não pode ser pior do que viver de ficção.

Duas lágrimas de adeus e um minuto de silêncio para quem riu, encantou, ludibriou e seduziu sem pensar nas (in)conseqüências. Para essa mulher que divertiu e escutou os amigos, que foi a mais fiel escudeira diante de tantas batalhas internas, que nunca desanimou ou se amedrontou diante de um desafio…

Que ela possa nos deixar lembranças memoráveis e viva sempre no coração dos que a conheceram, pois ela, sem dúvida, era ÚNICA. Sobretudo que vez ou outra ela possa ser lembrada em rodas de amigos, alegrando os corações daqueles que ela deixa e que tanto a amam. E quem sabe, assim por ventura, num lampejo, ressurja para mostrar sua faceta e fazer o que melhor sabia: sacudir os sentidos, abalar estruturas e deixar apaixonado o homem que ela escolher…

 

[ E eu queria tanto que fosse você ]

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Para a válvula de escape

  

 “Como seu próprio nome diz, você serve para consolar na hora que tudo parece estar estourando e preciso fugir daquele caos. É uma abnegada, em meio aos meus desesperos eternamente efêmeros, surge na exata hora que eu necessito: não importa se é de madrugada, domingo ou feriado. Te encontro assim que preciso e nem preciso te gritar via celular. Que todas as pessoas soubessem do seu enorme benefício e companheirismo, e assim sendo, não tivessem medo de conferssar-te, de utlizar-te. Um mundo sem máscaras, reais ou virtuais.

Por intermédio seu, encontro minha face mais infiel, porém. Ao meu lado você teve várias e várias versões; não me mantive fiel, perdoe-me. Sou o tipo de pessoa que enjoa fácil e busca outros prazeres, sobretudo em meio à dor.

Você já foi meus Marlboros, meus chocolates, meus amores, meus cafés, meu narcisismo, meu blog, meus flogs, minhas baladas, meus porres, meus xingamentos, meus momentos de solidão, meus atos deliberados de rebeldia a agressão verbal. E agora é meu José!

Diante da mutação da vida, tive que te adornar conforme minhas necessidades, não restou alternativa. Somente nos seus braços encontro o pouco da sanidade e paz de espírito que ainda me restam.

Talvez eu seja uma covarde que não saiba caminhar sozinha, que teme que isso aconteça. Talvez eu seja honesta ao confessar que todo mundo precisa de alguém, independentemente do orgulho que alimento. Talvez eu seja tantas coisas que eu não saiba…

Sou eu – e os meus comigos – meu constante tormento. Você sabe bem do que falo: você é quem guarda todos meus segredos, você é a mão que afaga meus cabelos – e minha alma – quando todos os outros estapeariam meu rosto se me conhecessem de verdade.

Mesmo sendo-te infiel, és minha lealdale diária. Por isso, lhe devo satisfações e confesso que nossa amizade durará muito tempo. Nada mais justo do que antecipar suas prováveis futuras formas e te poupar dos dissabores:

José (essa será minha única constante), horas diante do teclado construindo meu mundinho fictício necessário, baladas ocasionais eu que eu dance até meu pé sangrar, milk-shakes, noites em claro olhando fixamente para o teto, corrida e muito tempo ao lado da minha filha e, novamente, meus Marlboros light. Chocolate engorda e quero continuar emagrecendo!

E se nada disso me adiantar, venha ao meu encontro com uma alternativa realmente eficaz. Antes que eu sucumba, antes que eu morra e continue a existir.”