É redundante dizer que inúmeras vezes já se escutou a frase “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos cachorros” ou “as dúvidas são mais cruéis que as duras verdades”. Em alguma situação com nossos colegas, familiares ou até mesmo de estranhos, parece que por sermos humanos – e todos farinhas do mesmo saco – existe em nosso código genético uma mólecula carimbada em negrito “você vai se decepcionar”.
E desde que deixei de olhar somente para o meu piercing no umbigo, percebi que cada um encara a realidade – gritante, massacrante, dolorida e inevitável – de maneiras diferentes. Existem os que vestem elmos, os que ‘jogam’, os que não se permitem viver por causa daquela maldita mólecula [sic], que vivem demadsiadamente, os que fingem que não é com eles e por aí segue.
Muitas vezes eu julguei e condenei alguém por ela simplesmente não encarar os fatos de frente, por estar se vangloriando demais, por não ser sincera com seus melhores amigos, por ser indiferente. E só depois de muito tempo percebi que ela poderia estar se defendendo da inveja alheia, por querer evitar especulações ou até mesmo por realmente desejar que sua vida fosse um pouquinho diferente do que é. Eu mesma sempre criei histórias biográficas, sempre me vi em determinada personagem, sempre sonhei fantasias acordadas antes de realmente dormir e já chorei muito quando despertava para a vida como ela é.
E quanto mais eu vivo para aprender, para me melhorar, mas vou atrás do meu pequeno mundinho paralelo. Não é que eu não encare os fatos, as consequências dos meus atos ou algo do tipo – até porque para isso, seria mais fácil estar morta – mas me permito sonhar uma vida que não seja tão real, cheia de descrença e desconfiança. Há algum tempo venho tentando encontrar o melhor de mim e algumas lições são mais difíceis que as outras, mas a citada no post anterior é a mais dolorosa. Dolorosa porque te obriga a quebrar conceitos, certezas e, na maioira das vezes, a passar por cima de você mesma.
A maioria das pessoas são criadas pelo certo e pelo errado, mas ninguém avisa que dentro do grupo condenável existe o maldito termo justificável – o causador do caos. Porque se você é humilde o suficiente para deixar sua posição e tentar ver pelo ângulo alheio, perceberá o ponto de vista dele. E aí é game over para você. Por quê? Você já recebeu o perdão de alguém? Lembra como é a sensação? Então o que te faz capaz de condenar alguém? TODO MUNDO, repito, TODO MUNDO tem uma podridão na seu currículo, o que te faria tão melhor assim? Seus belos olhos, cabelos escuros e boca de boneca ou seu nariz perfeito, seus cílios longos e seu sorriso alvo?
Desde que resolvi seguir em frente na busca do melhor de mim, tenho crises de insônia, falta de apetite, crises de choro e gritos estridentementes surdos berrando por cada poro do meu corpo. E digo que vale à pena, pois acredito que tudo na vida é questão de perdão – e para mim, mais sublime e mais importante que o próprio amor. E perdoar não é fácil, nem tão gostoso quanto ser perdoada, mas enquanto isso construo minha galáxia paralela e tento evitar – nos momentos que posso – a realidade sádica, irônica e cínica.
Ei garçom: mais algumas noites de insônia on the rocks, por favor!








As festas de final de ano tem seus próprios cheiros, sabores, sentimentalismos e recordações…
É interessante sob quais efeitos podemos começar a questionar nossa vida, a vagar no tempo e espaço pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo…