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Galáxia paralela

É redundante dizer que inúmeras vezes já se escutou a frase “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos cachorros” ou “as dúvidas são mais cruéis que as duras verdades”. Em alguma situação com nossos colegas, familiares ou até mesmo de estranhos, parece que por sermos humanos – e todos farinhas do mesmo saco – existe em nosso código genético uma mólecula carimbada em negrito “você vai se decepcionar”.

E desde que deixei de olhar somente para o meu piercing no umbigo, percebi que cada um encara a realidade – gritante, massacrante, dolorida e inevitável – de maneiras diferentes. Existem os que vestem elmos, os que ‘jogam’, os que não se permitem viver por causa daquela maldita mólecula [sic],  que vivem demadsiadamente, os que fingem que não é com eles e por aí segue.

Muitas vezes eu julguei e condenei alguém por ela simplesmente não encarar os fatos de frente, por estar se vangloriando demais, por não ser sincera com seus melhores amigos, por ser indiferente. E só depois de muito tempo percebi que ela poderia estar se defendendo da inveja alheia, por querer evitar especulações ou até mesmo por realmente desejar que sua vida fosse um pouquinho diferente do que é.  Eu mesma sempre criei histórias biográficas, sempre me vi em  determinada personagem, sempre sonhei fantasias acordadas antes de realmente dormir e já chorei muito quando despertava para a vida como ela é.

E quanto mais eu vivo para aprender, para me melhorar, mas  vou atrás do meu pequeno mundinho paralelo. Não é que eu não encare os fatos, as consequências dos meus atos ou algo do tipo – até porque para isso, seria mais fácil estar morta – mas me permito sonhar uma vida que não seja tão real, cheia de descrença e desconfiança. Há algum tempo venho tentando encontrar o melhor de mim e algumas lições são mais difíceis que as outras, mas a citada no post anterior é a mais dolorosa. Dolorosa porque te obriga a quebrar conceitos, certezas e, na maioira das vezes, a passar por cima de você mesma.

A maioria das pessoas são criadas pelo certo e pelo errado, mas ninguém avisa que dentro do grupo condenável existe o maldito termo justificável – o causador do caos. Porque se você é humilde o suficiente para deixar sua posição  e tentar ver pelo ângulo alheio, perceberá o ponto de vista dele. E aí é game over para você. Por quê? Você já recebeu o perdão de alguém? Lembra como é a sensação? Então o que te faz capaz de condenar alguém? TODO MUNDO, repito, TODO MUNDO tem uma podridão na seu currículo, o que te faria tão melhor assim? Seus belos olhos, cabelos escuros e boca de boneca ou seu nariz perfeito, seus cílios longos e seu sorriso alvo?

Desde que resolvi seguir em frente na busca do melhor de mim, tenho crises de insônia, falta de apetite, crises de choro e gritos estridentementes surdos berrando por cada poro do meu corpo. E digo que vale à pena, pois acredito que tudo na vida é questão de perdão – e para mim, mais sublime e mais importante que o próprio amor. E perdoar não é fácil, nem tão gostoso quanto ser perdoada, mas enquanto isso construo minha galáxia paralela e tento evitar – nos momentos que posso – a realidade sádica, irônica e cínica.

Ei garçom: mais algumas noites de insônia on the rocks, por favor!

Apesar de eu ter essa frase tatuada por saber que tudo na minha vida (e na da Fada)  foi aprendido de uma forma ou de outra, nunca pensei nela como antagônica. Acredito piamente que o ser humano se descobre – sua força, sua capacidade – nos momentos mais tristes e solitários da vida e que pelo amor,  fortalece esses ensinamentos.

No entanto, há algumas semanas, percebi que a felicidade de uns podem custar muito para outros, mesmo sem querer. O que nos faz sorrir, vibrar e comemorar, pode ser as lágrimas de outra pessoa. Não porque fazemos de propósito, mas porque, indubitavelmente, tudo na vida tem seu preço. Eu não cheguei onde me encontro sem sacrifício, sem tristeza, sem pesar no coração ou um oceano de lágrimas. E esse período, contudo, foi feliz para algumas pessoas; não em detrimento de mim, mas por outras questões, outras vivências.

Eis que nessa madrugada começo a me questionar se existe uma felicidade pura, que não afete ninguém, se pelo menos  quatro pessoas conseguem exibir um sorriso diante da mesma situação. Se por essas palavras (amor e dor) rimarem, devem sempre coexistir, como imãs de polaridade idêntica.

Será que sempre alguém pagará um preço?

Por isso entendi que nossa alegria não deve ser “esfregada na cara” de ninguém, por maior e mais merecida que ela seja. Você gostaria de estar na pele do outro, se sua reação fosse inversamente proporcional? Pois é… colocar-se  no lugar de um terceiro é algo difícil de fazer, mas é necessário. Até porque você passa a entender melhor os sentimentos – seus e deles.

Meu estudos nesse campo começam agora, pois entre minhas muitas metas está ser uma pessoa melhor, para mim e para os outros. E aprenderei de qualquer maneira – seja pelo amor ou pela dor.

Quem paga o motel?

Assim como todo tema que se refira ao assunto sexo, a conta do motel é algo que divide opiniões – e como eu sempre resolvo dar as minhas, sinto-me um extraterrestre diante de tanta coisa que ouço e leio por aí.

Para ser bem sincera, quando iniciei minhas atividades extracurriculares de filha única criada com seis irmãos, motel era um pavor para mim. Ficava imaginando que meus irmãos saberiam, que meu pai ou meu parasto poderiam me ver, que meus amigos tomariam um susto, minhas amigas me reprovariam e o recepcionista do estabelecimento saberia que eu estaria transando! Enfim, uma verdadeira paranóia cujos resquícios perduram (francamente, que mulher acha confortável ficar na fila do motel enquanto algum funcionário volta e meia aparece para falar com o cara que está dirigindo?).

No começo desse  ano 3 casais de colegas foram para o mesmo quarto de motel e se divertiram bastante, pelo que eles contaram. Não que isso me deixasse pasma, mas sim o fato de uma das meninas ter transado com seu melhor amigo e dito que não dividiria a conta (BEM alta) de maneira alguma. EU FIQUEI EM CHOQUE! Alguém vai para o motel sem vontade ou obrigada? NÃO! Pela narrativa a Joana* adorou ter transado a noite inteira com o Caio*, divertiu-se horrores com os amigos e disse que foi sensacional! Mas ficava repetindo a frase: “Ní*, cobra lá dele porque eu me recuso a pagar isso, não sou vagabunda!”.

As machistas que me desculpem, mas sinceridade é fundametal – e perdoem-me o trocadilho: vão tomar no cu! A mulherada lá do passado queima sutiã, reinvidica direitos iguais; uma geração mais recente vibra com a conquista do mercado de trabalho, celebra a liberdade sexual e na hora de pagar motel dá uma dessa? Vai entender. Motel não é como restaurante, que se você não gostar do prato, pede para trocar. Na hora do rala-e-rola o que está ali, está ali – ajoelhou vai ter que rezar!

Aí vem a mulherada dizendo que isso é obrigação de homem, que é gentil da parte dele e blá-blá-blá. Queridas, vocês também transaram/treparam/meteram/foderam/fizeram amor! Rola toda uma preparação quando o cara dos sonhos te chama para sair? Claro que rola, mas e daí? Isso só reforça minha opinião que você quer dar para ele tanto quanto ele quer te comer! Se ele te convidou para uma noite especial, se tem todo um clima por trás, ok. Também não estou pregando que somente mulheres devam bancar o bel-prazer, mas é absurda essa ideia de que vai tudo  – perdão pelo trocadilho outra vez – no cu do cara (tem quem curta…).

Eu já rachei conta, já paguei (porque era uma coisa que eu queria fazer para um ex), já fui bancada. Algumas vezes  curti mais que outras, mas quem está na chuva é para se molhar, mesmo! Para ser justa e dizer a verdade,  só fico muito fula de pagar motel quando o serviço é que nem restaurante ruim: você pensa 20 vezes antes de pagar os 10% do garçom!

Se você é um cara que vive bancando essa conta, ou uma mulher que gostaria de economizar um pouco nesse setor (porque pagar sozinho é péssimo para ambos) é só ler essas dicas de como pagar menos no motel e incrementar a relação!

E, por favor, não me passe por aqui e escreva um livro defendendo toda a inocência feminina! Esse mundo tá tão cheio de puta  enrustida como de cafa fofinho. E tenho dito!


*Obviamente os nomes foram trocados!

Não é que hoje eu resolvi deixar a pouca modéstia que me resta de lado (rs*), somente plagiei o título dado pela Ju. Eu sempre curti moda e desde que vim trabalhar em São Paulo fiquei mais antenada, seja com o que se vê nas passarelas, seja com o que vemos na rua. Isso não quer dizer que eu seja uma fashionista, uma pessoa ultra mega moderna ou que meu figurino seja alinhadíssimo com as últimas tendências.

Isso – posso dizer -  se deve ao fato de me vestir conforme meu humor e minha conta bancária (algo que sempre espantou a Fada, e a mim, é habilidade de encontrar roupas bonitas e bacanas por preços baixíssimos – meu vestido de Natal custou R$ 25). Por conta disso, meu  guarda-roupa é repleto de peças básicas e alguns coloridos neutros; minha aposta para ousar são – e sempre serão – os sapatos e acessórios. Quanto mais diferentes forem, melhor!

Eu tenho uma obssessão por todo e qualquer adorno que se refere à cabeça e, acreditem, sempre foi muito zuada pela família e amigos. Desde pequena sou apaixonada por fedoras, toucas, boinas, presilhas, laços, bonés, tiaras e casquetes. Mesmo quando ninguém usava chapéus, eu já tinha uma coleção! E a vida de Sampa te permite explorar suas vontades com mais frquência que outros lugares, porque moda para mim é isso: você usar o que gosta, o que fica bem em você, com estilo e passar longe do ridículo.

Tenho enorme admiração por pessoas que criam moda e saem do lugar comum, inventando, fazendo exclusividades e propondo alternativas. Recentemente me apaixonei por três mulheres incríveis, cujas peças ou já estão no meu vestuário ou na minha wish list:


O Sra. Caseiro tem todo meu carinho especial porque eu vi essa marca crescer. Criado por Renata Caseiro, quando ela decidiu transformar o hobby em algo lucrativo. Nem sei quantas peças vi se transformarem, quantas comprei e quantas ainda vou comprar.

Com linha Pet, Kids e Adultos você pode encontrar tiaras, fivelas, colares, grampinhos, bolsas, carteiras esportivas, broches, bandejas, artigos de decoração e chaveiros.  Flores são sua marca registrada, mas eu sou APAIXONADA pelas bolsas e tiaras-faixas. Difícil encontrar um modelo igual ao outro!

Se você quiser conferir, siga esse caminho!

Minha mais recente paixão vem lá de Ribeirão Preto. Conheci as criações da Ju Padilha (a moça do começo do post)  na noite de Revéillon quando fui presenteada por uma amiga com umas das muitas tiaras criadas no Interior. O talento e a sensibilidade que essa moça tem são simplesmente de tirar o fôlego: tanto as tiaras quanto as presilhas lembram casquetes, tem um ar retrô. Mas tão moderno e delicado que é impossível ter um acessório apenas (eu já tenho 3!). A Ju trabalha com inspirações como os azuis de Van Gogh e terra depois da chuva.

No blog dela você encontra -  além das maravilhosas tiaras -  camisetas, presilhas, canecas e MUITA arte. Estou na torcida para que a arte da Ju saia de Ribeirão e ganhe o mundo!

Com uma pegada mais urbana e descontraída, vem os acesórios criados por Tate Coelho. Só de conhecê-la você já saca que existe um ‘q’ de diferente. O Ateliê Menina das Flores é todo feito em casa, somente pela Tate, e daí vem sua exclusividade e originalidade. Muita cor e objetos simples que se transformam em adornos que transformam qualquer produção.

A linha segue o ritmo da grande moda e, portanto, existem as coleções primavera-verão e outono-inverno. Entre pulseiras, brincos, relicários, grampos e tiaras, você também encontra cachecóis, cintos, toucas e broches feitos de crochê. Para diversificar ainda mais: carteiras, porta-moedas e porta -Ipods. Sem contar algumas peças de roupa… e no aguardo para o lançamento da primeira coleção da Tate, ainda esse ano.

Você pode ver os produtos aqui ou ir até a Loja Endossa, que fica na Rua Augusta (SP).

Fica a dica!

Não tenho bem certeza se paramos para pensar em aspectos da vida toda virada de ano, se os fatos coincidem ou se chegamos em um ponto que é preciso se auto-esbofetear e acordar para a vida.

Minha Fada predileta – assim como nossa turma – costuma dizer que eu tenho um dedo certeiro para escolhas erradas. Durante muito tempo discordei, acreditando firmemente que as pessoas que considerava amigas, também eram as minhas. Mesmo quando elas aprontavam, mesmo quando me magoavam…

Tem uma Infeliz(e) que já me roubou, se aproveitou de onde eu morava, já me virou a cara inúmeras vezes e eu lá, firme e forte, defendendo esse ser. Uma Fulana que todo esse “bando”  – e mais alguns outros -  diziam que ela tinha inveja de mim e  os encarava pasma, pois a tal nunca teve – sob qualquer ótica – motivo para isso.

Foram anos mesmo, dando murro em ponta de faca, discutindo com meus AMIGOS, defendendo essas duas. Mas então você percebe a diferença entre falar mais tempo com uma pessoa pelo Msn do que ao vivo e de falar com a outra somente por mensagem instântanea; percebe que amizade não é ser escondida dos outros e depois ser “presenteada” com inúmeras fofocas; e, tampouco, exigirem que você seja diferente do que você é porque essa pessoa não gosta! A bem da verdade, nunca fui santa… se por santa você quiser dizer alguém que segue seu comportamento. Verdade absoluta: tudo na vida são escolhas, eu fiz as minhas. Mas nunca para prejudicar ou magoar deliberadamente. Acho hipócrita que as pessoas esperem uma postura de nós que sequer elas mantém!!!

Mesmo com todos os fatos e falações, eu ainda lutei e chorei pela amizade delas, pois me faziam falta, de fato. Aí foi aquela coisa de se amar e respeitar um poquinho mais, sabe? Não preciso de fofocas, de falsos sentimentos e que eu mude para alguém gostar de mim. Amizade é gostar até com os defeitos; não concordar com as atitudes, dar bronca, rusgas são absolutamente normais. Precisei escrever para ter a certeza, HOJE, que não é tanto faz. Simplesmente não faz. Melhor: Infeliz(e) e Fulana não fazem mais parte de mim, da minha vida… e tudo tem sido, e fluído, melhor desde então!

Ter poucos e EXCELENTES amigos (embora faltem 2 homens e 2 mulheres na foto) é o que eu desejo para mim mesma e até para as pessoas citadas, para aquelas que eu não suporto e, também, para as que  não conheço. Porque somente com AMIGOS a gente consegue ser a gente mesma, ser feliz e ter pessoas que estarão conosco em qualquer situação; ao alcance de um teclado, de um telefonema, de um abraço. São essas pessoas que te carregarão pelos anos, pelas lembranças, pelas conversas de bar em bar.

Aposto que muita gente descobriu isso antes de mim, mas antes tarde do que nunca!

Toda vez que alguém da minha família descobria mais alguma tatuagem, ou um piercing ou um corte de cabelo radical que eu adotava, logo soltava a expressão “essas coisas da juventude”. Era o suficiente para estragar meu humor por uma semana, afinal estava tentando apenas ser feliz e não uma adolescente tipicamente rebelde, levada por modismos e prazeres no meio da dor.

Para ser sincera, eu nunca me tatuei ou me furei pensando na dor ou que apareceria mais que qualquer outra pessoa da minha idade; minhas tatuagens contam histórias únicas e pessoais, meus piercings são apenas enfeites que até hoje (10 anos depois) eu acho atraentes. Todavia, bem no finalzinho do ano passado,  tive um pequeno vislumbre do que os “jurássicos” familiares tentavam dizer. Junto com namorado,  filha, sobrinha e amigas corajosamente me enfiei em um estúdio de arte corporal para dar mais um adorno ao meu corpo. Era um piercing no nariz, nada de mais para quem já havia feito no mesmo local outras três vezes.

Nada demais? Seria, se eu não tivesse começado a suar quando lembrei a dor que era, se  quase não tivesse desmaiado quando – para tomar coragem – assisti outra garota passando pelo que eu estava prester a passar. Com  a mesma coragem que sentei na maca, pulei dela em segundos. Obviamente não faltaram coros de “amarelou”, “fraquinha” e “medrosa”. Mentalmente mandei à merda os os 11 pares de olhos que me encaravam e desafiavam. Fazer o que?

Se tal fato fosse há 3 anos, tenho certeza que eu teria ido em frente, passado por algo que não queria, apenas para provar que eu era forte o bastante para continuar. E algo que parece bobo, pôs uma nova perspectiva na minha vida: quantas vezes não fazemos algo por insistir que não voltar atrás é sempre o certo a fazer? Quantas “mutilações” – físicas, psicológicas, mentais – nos permitimos para nãos sermos vaiadas, para fazermos parte da turminha, para tentar provar algo para nós mesmos? Porque quando se é jovem o bastante para ser jovem, o amanhã não importa mesmo. Vai vir alguém é bradar o tal juízo… ahã! Que atire a primeira pedra quem nunca fez algo desse tipo na vida, uma cagada.

Pensei ter dado um exemplo errado a minha filha, mas não. Eu fui forte o suficiente para mostrar que as pessoas mudam de opinião, que não importa sob que pressão você esteja é sempre importante se respeitar, que modismos são modismos e coisas de jovens são coisas de jovens. Quando me olhei no retrovisor – e suspirei com saudades do piercing que jamais estaria ali outra vez – demorei um tempo para reconhecer a pessoa no espelho. Coco Chanel sempre dizia: “já não sou o que eu era, devo ser o que me tornei”.

… e esse foi, exatamente, o nosso:

*Para o meu novo objeto de desejo:

“Venho por meio desta, sem rodeios, informar que é VOCÊ quem eu quero! E assim sendo, exponho meu lado mais humano e menos lendário: fraco, medroso e receoso. Sim, por meio desse pedaço de papel exponho demais o que era para ser segredo… mais um grande defeito meu: não sei guardar os MEUS segredos! Não sei bem te dizer quando começou, nem os motivos, mas é fato: quero você TODO, sem pudor algum.

Quando me dei conta, pensava em você! Tudo bem, sempre nos falamos, rimos, conversamos sobre nossas vidas e até hoje o meu interesse por você era nulo. Acontece que sou uma menina dada à epifanias: penso tanto em algo, fico obcecada e – puft! – acontece… e você virou minha recente epifania. Acho que começou quando passei a escutar muito sobre você, quando quis te conhecer ainda melhor, dividir seus segredos.

Só não imaginava um INTERESSE puramente e somente SEXUAL! Ah, você duvida? Então vou dar um exemplo: na hora do banho, pensei em você: como seria bom suas mãos me ensaboarem, vasculhando cada canto do meu corpo, procurando, buscando algo escondido num labirinto de 1,58m. E então você acharia minha boca, me tiraria o ar e sem esperar nem um centésimo a mais, me deitaria no chão gelado, misturado ao seu corpo quente, proporcionando-me sensações ÚNICAS. Nem eu imaginava o poder que tinha em minhas próprias mãos!!! Aí pensei: “puta que pariu, o que é isso Michelle? O ******* é seu amigo!”

- “Mas que se foda, agora ele foi MEU”, retruquei comigo.

Deu para perceber ou você precisa de mais exemplos? Penso em você quando troco de roupa e você poderia estar ali como voyer, quando vejo uma cena de beijo bem dado (o que provavelmente terminará em sexo), quando surge uma onda de tesão do nada e como você poderia dar conta muito bem (é como sua fama corre benhê). Qualquer coisa que me lembre sexo, me lembra você! Hoje escolhi uma calcinha pensando como você gostaria de tirá-la! Ai, minhas epifanias!!!  Acho que no nosso próximo encontro vou de colegial, talvez de Tiazinha, de gueixa… acabei de me lembrar que vamos nos encontrar num cinema! Nossa, que excitante, mas as cadeiras devem ser desconfortáveis!

Viu? É isso que me passa pela cabeça! Assim como a política acaba em pizza, o encontro amigável de Vargas e ****** tem que acabar em sexo! É fato consumado, pois quando a politicagem vai terminar em salada? O medo e o receio ficam por conta da nossa amizade; ela não é de tão longa data assim, mas para mim é valiosa. Não quero que ela se perca pelo óbvio ululante – eu li essa expressão na biografia do Nelson Rodrigues e uso bastante – eu amo você, meu amigo. Não quero ser a fuck buddy de algumas vezes, nem a de sempre, muito menos sua namorada… correria riscos desnecessários! Nesse exato momento, que você tem essa carta nas mãos, desejo dividir uma cama redonda de motel de beira de estrada, com luzes vermelhas – pois o vermelho, que para mim representa tesão/desejo proibido – é sua cor favorita – numa fantasia erótica bem ordinária.

A fantasia tem que ser tão ordinária quanto a realidade, pois além disso você até gosta um pouco do meu namorado. Mas afinal isso contaria? Pois meu namoro anda tão morno… (hey, nem pense em erguer essa duas sobrancelhas aí – como você sempre faz – numa cara fingida de espanto! Se não tem sexo não é culpa minha, ou senão meu ego não estaria nas alturas!). E além do mais, quero você uma vez apenas, para matar minha vontade, meu desejo… e aí que acontece meu dilema: nossa amizade outra vez!

Talvez ela mude, talvez não. Não sei se arrisco, já fiz demais em revelar esse segredo para você! Mas dois meses é tempo demais para mim, preciso gritar o quanto te desejo: QUERO e quero AGORA! Com toda nossa perversão, com tudo que for pedido, sem vergonha, só sexo por sexo, sem hora para terminar. Nessa cabeça atolada de imagens do seu corpo peladão, passa um curta em que você nem terminou de ler tudo, já pegou a chave do seu carro, colocou o cd da sua banda favorita para tocar no rádio do seu carro e está vindo para Rio Claro, só para fazer valer cada palavra minha! Mas, infelizmente, isso é apenas no meu campo de visão imaginário. Essa é uma daquelas cartas que não devem ser mandadas, nem relidas; escreve-se, corrige os erros, lê uma única vez e a rasga em mil pedaços!

E só para garantir, deixa o fogo do isqueiro consumi-la toda. Como você me consumiria, se disso soubesse…!”

* Essa carta tem quase três anos… e quanta coisa aconteceu nesse tempo! Hoje comemoramos um ano de namoro, praticamente casados: vivendo sob o mesmo teto, dividindo muito mais que o tal edredom vermelho! E posso dizer, sem sombra de dúvida, que eu NUNCA fui tão feliz!

Se eu soubesse que teria que ter passado por tudo que passei para estar nos seus braços, eu teria me lançado quantas vezes fossem necessárias naquela empreitada desvairada, louca e politicamente incorreta. Afinal cada um acha a felicidade à sua maneira… e só assim eu achei VOCÊ!

Meu Preto, meu melhor amigo, meu amor: FELIZ UM ANO DE NAMORO!

” Querido Papai Noel,

sei que faz muitos anos que não nos falamos, nem ao menos um simples olá. Não vou dizer que é tudo culpa do meu crescimento e de como, depois dos 8 anos, a maioria das crianças leva o primeiro baque na vida – você não existe! A verdade é que desde muito cedo eu me desiludi com as pessoas, com as mentiras, com a hipocrisia e as falsas promessas. E assim, joguei no lixo tudo que era pregado para que um dia, quem sabe, talvez, o senhor tivesse a bondade de aparecer na sala da minha casa e realizar meu desejo.

Então eu – por muitos anos, a maior parte da minha vida – não obedeci meus pais, não comi salada, não aprendi o desapego material, não fui dormir cedo (mas se o Sr. contar que dormir 7h da manhã conta, ok) e toda aquela infindável lista que os pais desfiam nos 11 meses do ano que antecedem o Natal.

Preciso ser sincera e dizer que muitas vezes o chamei de cretino, gordo, retardado e outras coisas mais. Porque, para mim, o Sr. sempre foi o Papai do Céu que se fantasiava de velhinho e então a sua onipotência, onipresença eram mais do que justificadas! Ah, sim, minha revolta? Você deve ter assistido também tudo o que passei e por serem lembranças dolororas, prefiro passar adiante. Mas a gota final foi achar que o que me separava da minha filha era tudo o que eu já tinha aprontado nessa vida!

Meu namorado só não chamou um terapeuta porque ele viu que eu estava realmente falava sério! E então, eu resolvi mudar: há pouco mais de um ano eu te vi vi assim, enorme, do lado do meu trabalho. E olhar seu rosto fez com que eu acreditasse em tudo que eu acreditava quando era criança.

Verdade seja dita: minha vida melhorou muitro, obviamente não sem algumas perdas. Perdi amigos que eu gostava mesmo, perdi aquela obsessão por cuidar do meu corpo, muitas vezes perdi a estribeira e cai numa crise de choro sem fim. Em compensação algumas amizades foram reforçadas e hoje elas são essenciais, ganhei o melhor homem que encontrei na vida (sinceramente, ele mudou muito de quando o conheci e hoje ele e uma das pessoas mais fantásticas, íntegras e de bom caráter que conheço), realizei meu sonho de trabalhar na Globo, voltei para academia e tudo quase está perfeito!

Quase pois minha filha ainda está lá e eu, aqui. E hoje nós duas conhecemos a dor da saudades… e por ela sentir, dói muito mais esses dias do que doía antes, sabe? Essa ligação, mesmo com tudo o que tenho, é a única que me mantém viva, batalhando, lutando e melhorando. Aos poucos estou aprendeno a ser menos material, a respeitar mais os outros e seus sentimentos, evito ficar longe de fofocas, intrigas e falsidades, sou mais sociável e educada, como salada, durmo na hora que tenho que dormir, não esculhambei minha relação (bem pelo contrário, nunca tive um relacionamento tão sadio na minha vida), cuido dos meus amigos e rezo toda noite!

Eu sei que o Senhor já sabe de tudo isso, mas todo final de ano eu fico um pouquinho melancólica e nostálgica, então gosto de recorda r tudo que passei. Mas como toda boa carta que se enderece ao Papai Noel, essa tem um pedido de presente de Natal: o senhor já sabe né? Pois é isso, somente e exclusivamente isso que eu quero pra mim… e tudo bem se só chegar em fevereiro, pois é meu aniversário.

Espero que essa você consiga ler esse blog a tempo e julgue que já seja a hora; tomara que eu o encontre no meio da sala da minha casa, para batermos um papinho  e eu contar para minha filha que agora eu realmente tenho o número do seu telefone!

Com amor, M. V.”

365 dias de sonho!

baloonAs festas de final de ano tem seus próprios cheiros, sabores, sentimentalismos e recordações…

Estava passeando pela Faria Lima e uma característica da época me pegou de surpresa, entorpecendo todos meus sentidos. Como um ano havia mudado tanta coisa na minha vida!

Desde maio de 2008 tive esperanças de melhorar como pessoa, como profissional, como companheira. Acumulava esperanças de um emprego melhor, de um futuro melhor, de um salário maior, de trazer minha filha para São Paulo.

Observando o enorme Papai Noel que fica na frente do Shopping Iguatemi, pensei nas coisas que havia conquistado e naquelas que ainda eram objetivos.

Foi como tirar um peso dos ombros me permitir refletir –  sozinha, sem nenhum conhecido por perto - chorando como uma criança que vê o sorvete inteirinho cair no chão. Para quem foi educada para acreditar que não era boa em nada, eu estava indo longe e bem! Eu tinha realizado meu sonho da época da faculdade, eu tinha conseguido um cargo melhor, um salário maior… e por que, diabos, eu não parava de chorar?

Porque antes a esperança era somente isso: esperar que as coisas acontecessem, esperar que tudo se resolvesse no seu tempo e aprender a conviver com os sonhos, com as desilusões, com as saudades, com as novidades, com mais saudades. E depois que a espera termina, a esperança fica tão próxima, tão palpável que dá medo de acreditar, dói sonhar com o futuro próximo. Pois o tombo pode ser maior!

E aí não existe preparação, costume, lágrimas que aguentem. Doía respirar o cheiro de esperança que o Natal traz, doía pensar nas luzes brancas que podem não iluminar os dias ali na frente, doía pensar que fevereiro logo chegaria. E pode ser, na verdade é, loucura, mas eu tenho certeza que aquele Papai Noel gigantesco olhou para mim e piscou aquela piscada de “estamos juntos, vai dar tudo certo!”. Abracei a perna dele e pedi um único presente, como se fosse uma criança de 3 anos.

Tomada por outro torpor, outras sensações, cheiros e sabores, lembrei porque o Natal sempre me deixa extrema e secretamente exultante de felicidade!

Pequena reflexão!

DSC00155 É interessante sob quais efeitos podemos começar a questionar nossa vida, a vagar no tempo e espaço pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo…

Meus dias têm passado rápido demais, algumas vezes parecem vazios, de tão cheios e hoje, pela primeira vez em algumas semanas, eu tive tempo. Entrei numa daquelas lojas que vendem de tudo um pouco, peguei um carrinho e comecei a enchê-lo com tudo que eu queria comprar. À  medida que a pilha aumentava, meu desespero mudo aumentava também…

Não só porque meu cheque especial iria para a estratosfera caso eu finalizasse a compra, mas por perceber que minha vida ainda não estava conforme havia planejado três anos atrás.  Ao me dar conta disso (e devolver todas as mercadorias), minhas feições eram as mesmas de uma criança que ganha roupa no anivesário.

Eu, que sempre fiz de tudo para realizar meus desejos e sonhos, estava silenciosamente à beira de um ataque de nervos, de desespero, de choro. Há um mês parecia que finalmente terminaria de montar essa quebra-cabeça de zilhões de peças. Há um mês realizei o sonho que alimentei desde que entrei na faculdade e hoje senti meu mais importante desejo esgueirar-se novamente. Não porque eu não tenha agarrado meu sonho com firmeza e força, não porque eu havia desistido de lutar, mas porque pareceu-me ser essas conjuções estelares com o alinhamento do Zodíaco em conjectura com as ironias da vida que resolvem te testar, te exigir um pouco mais de sacrifício.

Passei 25 anos da minha vida atropelando pessoas, montando estrategemas, me expondo, me auto destruindo, fazendo jogos meticulasamente calculados parecerem atitudes espontâneas porque eu era capaz de tudo pelos meus desejos. Ok, foram atos egoístas, egocêntricos e talvez eu não devesse me orgulhar disso… pois depois a vida veio cobrar os sacrifícios – se tivessem me pregado na cruz seria menos dolorido.

Então com o tempo livre você é capaz de ver qualquer coisa com mais clareza – antes que sua visão seja deturpada pela ociosidade – e eu vi que eu já não sou quem fui…

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