Soneto da confiança

De hora em hora de confianças e de quando sua pele me tocava,     

sutilmente seu corpo apoderava-se do meu.

Minha alma te abraçava,

culminando tal amor, tal entrega, em delírios de apogeu.

Um par de olhos negros que me fitava –

que êxtase chamá-lo meu –

e sem dizer nada, sequer uma palavra,

esse mesmo amor morreu.

Porquanto tais cicatrizes, de profundidade inenarráveis,

são fatos concretos da existência

duma’ lma que intimamente exala crueldade.

E mal termino de culpar sua atual  ineficiência

de me fazer crer  que tudo ainda seja verdade,

confronto-me com resquícios de lembranças indeletáveis.

Antiguidades…

Eu sei que vou chorar,
a cada ausência tua eu vou chorar,
mas cada volta tua há de apagar
o que esta tua ausência me causou.

Mais um adeus,
uma separação.
Outra vez solidão,
outra vez sofrimento.

Volta, querido…
tenho os olhos cansados de olhar para o além.
Vem ver a vida…
sem você, meu amor, eu não sou ninguém.

Que é pra acabar com esse negócio
de você viver assim.
Vamos deixar desse negócio
de você viver sem mim.

Não, não seja a vida sempre assim:
escravizada a uma ilusão,
como um luar desesperado
que chora dentro do meu coração.

De tudo, ao meu amor serei atenta.
Quero vivê-lo cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu encanto;
e rir meu riso e derramar meu pranto.

Se você quer ser meu namorado,
você tem de vir comigo em meu caminho.
E talvez meu caminho
seja triste para você.

Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos,
os seus braços meu ninho
do silêncio do depois,
do infinito de nós dois.

A felicidade é como a gota
de orvalho numa pétala:
brilha tranquila
e cai como uma lágrima de amor.

A minha felicidade está sonhando
nos olhos do meu namorado.
Passando, passando,
oferecendo beijos de amor.

São tantos seus encantos
que para os comparar
nem mesmo as belezas que têm
as auroras do mar…

O amor é uma agonia,
é uma alegria
e de repente
uma vontade de chorar.

Eu sem você
não tenho por quê,
porque sem você
não sei nem chorar.

Andam dizendo na noite
que eu já não te amo,
que eu saio na noite
e já não te chamo.

Que eu ando talvez
procurando outro amor.
Mas ninguém sabe, querido,
que este céu não existe.

Pois vai curtir teu deserto, vai.
Porque o perdão também cansa
de perdoar
depois que já perdeu a esperança.

Pois tudo que nasce
tem sempre um fim triste.
Até meu carinho,
até nosso amor…

_Idos de 2000, durante uma aula de literatura sobre dadaísmo – versos de Vinícius e Tom. Tem dedicatória sim, mas não vale a recordação…