We are all born superstars

Hoje é o primeiro dia de fevereiro. Não tem como não fazer a contagem até o 13º (dia, não salário; embora já precise dele de novo, hahahaha!). E desta vez parece que o inferno astral pegou de vez, parece que acabou a fase do errar, do “mas eu só tenho 20 e poucos anos”, da loucura doce consentida, da imaturidade ainda permitida, da falta de preocupações… Tudo parece chegar ao fim, nas grandes proporções, com um peso tão grande, que me vejo mais como a menininha que estava prestes a completar 15 anos há bem pouco tempo!

Me pego pensando na insatisfação com meu trabalho, com meu corpo, comigo como mãe, como esposa. Me pego chorando as cobranças, as críticas que me dou e minha eterna voz alta que berra muito para fazer diferente, mas, no fundo, faz sempre igual.  Até ver um deficiente físico “caminhando” de muletas, até ver um senhorzinho distribuindo panfletos, até ler casos como da Isabela Nardoni, até assistir um programa sobre traições, até escutar tantas e tantas coisas que eu passei e superei. Eu poderia estar pior, mesmo. Mas eu também posso ser melhor… Por que deveria me nivelar apenas por baixo?

E daí se aos 30 eu sonhava desfilar na Mangueira, aprender tango, caber na calça 36 e falar árabe? A vida se desenrolou de outro jeito e minhas prioridades mudaram com ela! Hoje eu tenho uma família (e olha que não achava que teria!); hoje prefiro não viver à base de proteína e clara de ovo, justamente para poder comer comidas gostosas que a forma física cultuada me vetava; hoje prefiro fazer os esportes que me trazem prazer do que aqueles que me deixarão super magra; hoje trabalho em um lugar que eu amo e onde eu quero CRESCER!

É clichê, eu sei, mas a mudança que queremos ver tem que começar com a gente mesmo! Como ser reconhecida? Como saber que estou criando minha filha bem? Como me tornar uma pessoa agradável e gentil para se ter por perto? São as perguntas que tem em deixado acordada durante noites, são metas que tracei e é isso que desejo para os 29 anos: a capacidade de me surpreender. Não com a vida, mas comigo mesma! Não quero pensar “diante do que você passou, você se saiu muito bem!”. Isso já foi, isso pautou minha vida até aqui. Eu quero outra história, melhor escrita. Quero ser o melhor que eu posso ser, pois assim conquisto o que acredito merecer!

E como eu vou fazer isso é o que pretendo descobrir enquanto o inferno astral me obriga a olhar mais para mim mesma…

“I’m on the right track, baby, I was born to survive// Don’t hide yourself in regret just love yourself and you’re set // I’m on the right track, baby, I was born be brave!”

Tomar ou não tomar? Eis a questão

Minha roomie vive reclamando que não temos um espelho suficientemente grande em casa… mentira dela! Temos um espelho do tamanho ideal onde se consegue ver quase todo o corpo, o porém fica por conta dos defeitos e excessos que ele mostra. O bendito fica bem em frente à porta do meu quarto; por mais que eu o evite, assim que acordo, ainda adormecida, dou de cara com ele e com a triste realidade.

Digo triste realidade pois sou uma dramática exagerada, mas já dizia Mamãe que nós temos que nos amar… como vou me amar com uma protuberância abdominal que insiste em saltar de qualquer vestuário? E os braços que parecem as coxas do Cristiano Ronaldo??? Ok, ok, é mais uma hipérbole, mas sabe quando incomoda? Na verdade me dei conta disso no Carnaval, quando dentro do vestiário do clube (e por um milagre, sozinha) me deparei com aqueles espelhos dantescos e pude me analisar…

Cara, como meu namorado transa comigo? Eu procurei qualquer parte no meu corpo que fosse atraente… não achei nenhuma. Eu havia engordado 5kg – ou mais – minha cintura inexiste e meus peitos aumentaram consideravelmente. Não vou mencionar o resto da tragédia, afinal ninguém merece, mas só de ver a barriga se pronunciando, foi o começo do fim.

No maior dos meus radicalismos cortei todos os doces (já são 32 dias sem), resolvi seguir uma reeducação alimentar e comecei a caminhar/correr no Parque Ibirapuera. Não vi efeito nenhum em quase um mês… até meu amigo me relembrar, com uma crítica of course, como eu estava sequinha no Natal e agora andava bem roliça. Quase entrei em desespero! Para quem passou a adolescência sendo tachada de mascote do Santos Futebol Clube, Hipopó e filha da Silvia Popovic, o peso é algo torturante!

Decidida, procurei uma amiga que toma sibutramina, um remédio bastante utilizado para emagrecer. Não que ela fosse gorda, pelo contrário, mas ela sempre esteve seca. Magrinha, barriguinha chapada, braços fininhos, gambitinhos equilibrando o resto do corpo… LINDA! Fui lá para saber tudo sobre a droga. Durante a narrativa, tive imensa vontade de também ser uma drogada. Queria sentir fome alguma, boca seca para tomar bastante água e ver o peso dimunuindo frequentemente. Claro que não existe milagre é também é preciso fazer exercícios e uma dietinha saudável, mas eu estava convencida!

Procurando no Google eu só li relatos horríveis de pessoas que emagreceram, engordaram o dobro depois; tinham enxaquecas péssimas, viraram dependentes da droga. Pensei: “FUDEU!” e resolvi não tomar nada. Por ironia do destino, em duas semanas numa correria doida, perdi 2kg. Na minha opinião, e na do maldito espelho do meu apartamento, ainda faltam 4kg (isso seria eu ainda mais magra que no Natal). Repensei minha decisão outra vez: será que valia a pena arriscar??? São só 4 quilinhos, depois eu paro, juro que paro!

Mas lembrei de uma amiga da faculdade que emagreceu 30 kg com o Vigilantes do Peso (nos encontramos semana passada, ela está belíssima!) e pensei na força de vontade que meu namorado está tendo para emagrecer. Se ele, que ama batata frita, pizza, macarrão, hamburger e não come frutas e verduras, não precisa de remédios  por que eu preciso? Pelo amor né? Ele quer perder 4 vezes mais quilos que eu!

Ainda não cheguei à conclusão alguma, pois tomar ou não tomar é tão difícil quanto ser ou não ser. Porque ou você luta contra a mídia, capas de revistas, você mesma e seus preconceitos e assume seus 3kg a mais que te impedem de ser chamada para participar de um Big Brother ou você entra no esquema e paga o preço.

É reconfortante saber que meu namorado me deseja mesmo que eu não tenha 50kg, mas para eu me amar um pouquinho mais eu preciso disso. Louco não é? No fim é melhor entrar no esquema dele (dieta + exercício) porque ainda conseguimos passar um tempo juntos. Definitivamente meu remédio não é para perder peso, mas para me livrar de neuroses!