A verdade liberta, por mais que doa

Ao longo da vida nos deparamos com diversas situações e as enfrentamos dependendo do grau de conhecimento que temos. Não apenas da vida em si, mas de nós mesmos. A gente até sabe, na prática, como seria o modo “mais correto” de agir em uma ou outra situação, mas leva-se anos para entender que nem sempre estamos, de fato, preparados para certas coisas – mesmo que já tenhamos passado por algo semelhante.

Atire a primeira pedra quem nunca teve reações exageradas, quem nunca chorou quando não deveria ou gargalhou até faltar o ar em um momento ainda menos propício. Vivemos nos preparando, até que algo acontece e reagimos assim, espontaneamente. Com os mecanismos de defesa que construímos ao longo da jornada não é diferente.

Às vezes saímos armados da cabeça aos pés, exibindo um elmo reluzente, escudo ultra resistente e uma lança pronta para atravessar o “oponente” sem dó, nem piedade. Às vezes deixamos toda a indumentária em casa, mas ao sermos pegos desprevenidos, nos cobrimos com qualquer coisa que esteja ao nosso alcance. E isso cansa. Mas também cansa se magoar, decepcionar e sofrer. São ciclos que vão deixando marcas – às vezes superficiais, às vezes profundas – e vão montando a personalidade (inseguranças, neuroses e traumas) de cada um.

O processo para atenuar as cicatrizes é pessoal, cada qual tem seu modo. Tentei de tudo um muito, inclusive culpar o outro e a conjunção estelar para não responder algumas perguntas – afinal, não são raras as vezes que mexer na própria ferida é algo doloroso demais. E a gente inventa teorias, cria respostas prontas e segue a vida.

Mas a vida sempre acerta as contas e numa noite de uma quinta-feira qualquer, um estranho me atingiu com a pergunta que mais evito, bem no meio da cara, com a força de um mamute. A gente culpa aquela que sempre culpamos (“é a vida, às vezes funciona, às vezes não”), desconversa e sorri para evitar desconforto.

Mas uma vez atingida dessa maneira não há como voltar atrás. Não é fácil admitir as próprias falhas, a vulnerabilidade, os medos. É doloroso pensar em paixão/amor e perceber que não eram os outros, mas você quem estava emocionalmente indisponível e não conseguia se manter inteira quando o coração estava em pedaços. É difícil pensar em arriscar de novo quando você sabe tudo que pode perder.

Ao longo da vida nos deparamos com diversas situações e as enfrentamos dependendo do grau de conhecimento que temos. Não apenas da vida em si, mas de nós mesmos. E, embora, a vida não espere que você esteja pronta para encarar seus medos, dar um salto de fé torna tudo mais libertador.

Inclusive o coração.

. escrito em outubro de 2014.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s