The show must go on

Olho São Paulo do alto, como nunca havia olhado. Na companhia do Marlboro Light queimando entre os meus dedos,  eu tento alcançar aquela estrela – tenho a mania de sempre querer ir além do que realmente posso.

Encaro a brisa gelada somente de peito aberto. Admiro e estou sendo admirada, enquanto calada – algo raro – tento cadenciar um milhão de pensamentos que só se organizam quando me ponho a correr. Mas eu estou parada, estou aqui – não estou? – exatamente onde quero estar.

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Bebo as  luzes, palavras, carícias. Mas não me embriago. Com nada. Eu sorrio como há muito não via, assim de forma nua e crua. Sinto-me etérea. E sinto teu calor, teu cheiro e teus dedos me procurando. Músculos retesados e êxtase à paisana. Toda São Paulo vista do alto agora é meu cenário.

E então tudo passa a ser tato…

Meus seios estão em tuas mãos. Teu quadril se encaixa no meu ângulo e tua boca percorre meu 1,62 de altura. Eu não tenho pressa, nunca tive. Você me pede para que eu te peça. E eu te olho nos olhos e  digo: faça com que eu apenas sinta.

E, no entanto, a verdade é que eu quero me mostrar como é que se joga – all in é como se ganha e eu estou cansada de blefes. Eu quero volúpia, quero sensibilidade em cada milímetro do meu corpo. Quero me lembrar de quem fui anos atrás. Quero resgatar meu eu.

E eu me entrego como quem pula de paraquedas. E no ritmo compassado de amantes de longa data que nunca seremos, o gemido vem. Profundo e silencioso. Eu aproveito cada ato do meu espetáculo. Fica quietinho, fica. Mas não se controle. Só espere um pouco mais. Quero vangloriar-me de estampar dois sorrisos débeis em dois rostos tão distintos. E te entrego meu ventre de bom grado, diferente de como Geni deu-se ao seu carrasco.

De cima do palco a visão é ainda mais linda. E a labareda que começou na ponta do pé, passa por panturrilhas, coxas, nádegas, coluna, ombros, nuca e apaga-se num uníssono alto e curto. Desabo esgotada, arfando. Jogo meu corpo para o lado e me espreguiço languidamente.

Saio de fininho, sem fazer barulho. Vou até a varanda, finalmente toda nua, exposta. Acendo mais um cigarro e me perco na fumaça. Eu toco a estrela – a mania que tenho de sempre querer ir além do que realmente posso, nunca me impediu de chegar lá.

Eu sorrio. Eu admiro a noite de São Paulo e suas luzes. Eu respiro fundo e absorvo meu cheiro. Eu sorrio. Sorrio meu sorriso-Lolytha de ponta a ponta do rosto que há meses eu não via. Eu sorrio porque eu sinto.

Eu finalmente sinto.

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