Um dia de cada vez, ou até que a TPM nos separe!

Olha, às vezes só rindo – ou chorando, ou sendo bipolar – para entender  os fatos da minha vida. Tudo bem, eu aceito que tenho dívidas BEM altas com o destino, vida, Deus… dêem o nome que preferirem, mas eu tenho. No entanto, preciso começar do começo… pois nenhuma mudança vem do nada – muito menos uma crise (mais uma!) de consciência.

Estou eu, na Redação, a fazer hora para assistir Divina Comédia Stand Up (com Danilo Gentilli) e uma tela no MSN surge. Gente, qualquer hora eu tenho um infarto com esses pop-ups monstruosos!  Sério, naquele dia, naquela hora, naquela TPM, encarar o caso do meu ex-namorado (ou melhor explicando: a mulher que deu início a derrocada da minha auto-estima, da qual ainda estou me recuperando – a auto-estima, não a mulher) foi demais. Mas eu havia decidido conquistar um lugar no limbo, pelo menos, e escutei o que ela tinha para me falar. Por favor, alguém tem um estilete? Valium? Não, ninguém? Tudo bem, eu me conformo com duas barras de chocolate, batata frita e Marlboro Light. Mas no outro dia falei com ela, e mais um, e mais outro ali, e assim está indo….

Serei sincera: eu até a espero no Messenger acredita? Eu gosto de conversar com ela e não sei o motivo ao certo. Acho que porque isso fez com que eu entendesse melhor que todo mundo deve ser ouvido e conhecido antes de um julgamento, porque ela era um fantasma e encará-lo me fez enterrar todo meu último relacionamento de uma vez por todas, porque me sinto mais humana, mais humilde e alguém melhor. Ok, aí seria só tirar proveito não é? Não, eu me preocupei mesmo com ela, no dia que ela estava triste…

Nesse exato momento a Fada vai surgir e dizer que eu tenho a séria patologia de precisar ser amada por todo mundo. Amore, believe me, essa era uma pessoa que eu não fazia a menor questão. Mas ela é legal! Tá bom Fada, me dê um ou dois do seu Lexotan… sim, algo MUITO estranho está acontecendo comigo.

Eu tinha resolvido assumir que estava apaixonada, mas descobri que não estava. Era carência. Aí fiquei quieta. Mas ao escutar que o avô de 83 anos da minha estagiária e a sogra da minha mãe estão namorando… Querido do balcão, me passa 3 fatias enormes desse bolo de bem-casado? Sim com bastante açúcar, por favor! Tem como pôr chantilly? Não só no capuccino? Um duplo por favor!

No meio da Faria Lima, sentada, chorando, comendo, bebendo e fumando. Praguejando ‘n’ coisas que não entendia, que não queria ver. Parecia (?) uma criança mimada cujo presente foi negado… eu estava reclamando do que na minha vida afinal, porra? Toda ação gera uma reação e eu ainda estava pagando as minhas… fair enough!

Eu vi tantos casais bizarros naquela semana e me olhei, eu não estou tão mal. Mas relacionamento tem mais que isso, bem mais. E justo naquela madrugada simulei minha teoria ‘do ser interessante de início era pior, pois quando me conheciam mesmo eu era um porre’, tinha ido pôr água abaixo, explicada nos melhores detalhes e versão que já escutei de mim. E nem era a Fada. Mas algo continuava ‘errado’…

Diante da orgia gastronômica, tóxica, filosófica e egocêntrica, meu corpo estendeu a bandeira branca. A vesícula estava espremida, o fígado retorcido, o estômago doído, o coração partido, o pulmão pesado e a cabeça… eu ainda tinha uma?

[ Fada, você poderia vir até aqui nesse instante agora? Me traz o pó de Pirilimpimpim, pelo amor de Deus!!! Eu vou tomar uma decisão drástica AGORA: ai, me enfiei no primeiro ônibus com destino a Rio Claro para pôr a cabeça em dia! Além do Lexotam, tem Gardenal? Eu acho que eu não estou atinando! Socorro… ]

Esse clima bem seco, essa certeza da distância da praia, da capital (às vezes acho que seria tão bom me esconder para sempre, mas tem algumas pessoas que amo tanto em ambos lugares e eu sou uma viciada em amigos), o céu todo estrelado, a loja de milk-shake, o hamburgueiro na esquina de casa, o velhinho do pudim de pão… eu quero que o fim de semana dure mais! Minhas neuroses, com exceção da minha mãe, meio que somem aqui.

Enfim, eu parei e pensei uns pontos, pois precisava selar o compromisso comigo mesma. Eu larguei o cigarro (Fadaaaaa, me interna!), vou continuar tentando ser alguém melhor e eu vou me alimentar decentemente (ok, ninguém me socorre). Cansei de fingir que fazia dieta, fingindo que não comia, que não sentia fome. Eu devorava pacotes inteiros de bolacha, tomava sorvete, devorava latas de leite condensado, comia pipoca… e com remorso vomitava tudo escondido. Foi quando o alarme de 10 anos atrás ressonou: mais soros, mais vitaminas, mais tristeza, mais desespero dos meus amigos, mais terapia (tudo bem, isso seria benéfico, mas…) E o resultado? 3 kg a mais do que considero ideal, falta de fôlego e ego no subsolo.

Fora a estética que preciso no meu trabalho, minha saúde e auto-estima estavam indo pelo ralo, literalmente. Eu aprecio quem vive bem com seu corpo, mas obviamente eu não sou asssim. Minha auto-estima esconde-se sob a capa de gordura sim, ai como queria que fosse diferente… Eu sei que beleza passa e que não é fundamental, por isso tomei outras decisões, outras reações. Me livrar dos meus vícios foi a mais libertadora, sem dúvidas… um dia de cada vez!

Talvez, mesmo com a melhor das intenções, eu não resolva todas minhas paranóias. Eu vou me questionar ‘o que ela tem que eu não tenho?’ pelo menos uma vez mais. Eu queria que essa coisa passasse sabe? Não estou na caça desenfreada por alguém, mas tem dias que tudo que eu queria era um abraço apertado e um peito para eu me aninhar que não fosse embora logo depois, muito menos evaparosse depois do objetivo conquistado. Como minha TPM vai berrar daqui uns dias,  vou dizer que preciso de alguém, que vou morrer sozinha criando gatos; entrarei num choro compulsivo, entoando o mantra ‘ninguém me ama, ninguém me quer’. Difícil isso de ser mulher viu? Melhor não prometer nada que eu não posso controlar com a  força de vontade!

Estou na luta pela perda dos 3kg que estão me deixando em estado depresso-depreciativo permanente, pela vontade de engolir vegetais e água e pela liberdade dos meus pulmões. Quero ar puro, cheiro de sabonete, organismo enriquecido e barriga zero. Assim meu ego fica com 2, 20 m de novo (já diria Compadre), minha auto-estima eleva-se e minha saúde agradece. Até que a próxima TPM dê sinal e eu abandone tudo, temporariamente.

Não é fácil: parece que faltam partes de mim. Esse é o problema dos vícios não é? A gente acha que consegue se libertar a qualquer hora e passa mal quando vê um bolo de chocolate, sua quando olha o maço de cigarro ou chora quando se olha no espelho. Gente, porque escrevi isso aqui tudo? Que baboseira! É a abstinência, só pode… sem cigarro, frituras ou doces há 48 horas! Será que consigo atinar? Desculpa não escrever mais, estou indo tomar meio litro de café… árabe!

Beijo.

 

[ Ah sim, o estupim da revolução: as conversas no MSN. Afinal se a mulher que ‘me destruiu’ diz que me acha uma mulher de fibra, melhor que eu leve isso em frente, certo? ]

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6 comentários sobre “Um dia de cada vez, ou até que a TPM nos separe!

  1. Ofereço então 1.74m de abraço apertado e sincero (muito menos do que os seus 2.20m!)! Nem sei porque estou escrevendo isso, mas como são 6:24h da manhã de domingo, me dou o direito de escrever qualquer coisa.

  2. Ola querida, é eu gosto de conversar com vc tb. E ainda me é estranha a sensação de ter sido uma peça tão importante na sua vida, mesmo sem ter dito a menor consciência disso.
    Continue com fé e força nas suas metas, sim vc tem fibra, trabalha, mora longe da familia e ainda tem a filhota linda!!

    Se ame sempre em primeiro lugar, o cara “certo” ou sem tantos defeitos aparece no momento ideal 😉

    Abraço apertado (virtual) e muita força pra combater os vícios!

    =)

  3. Incrível pq qd estamos de tpm o mundo desaba, ainda bem que só por alguns dias, livre-se de seus vício mulher, vc consegue! =)
    Beijos

  4. Prefiro comentar pessoalmente, se bem que sobre esse seu texto não quero comentar nada… Rs!
    A gente se fala melhor na sexta.

    Bjos!

  5. HAUIAHAUIAHAUIAHUIA
    Vc bolou um mantra idiota! Não gostei. Não foi isso que a gte combinou.
    Recite-o longe de mim.
    Vício é uma das coisas que faz minha bela vida ser sustentável.
    E eu não estou pensando ainda em me tornar buda.
    No mais, é isso.
    Racional mode on.
    Beijos. 😉

  6. ok, ok. pelo seu texto, quem não me conhece (será que quem conhece tmb? rs) vai achar que sou uma fada junkie cheia de remédios e verdades cruas. ok, acho que sou mesmo.
    quero saber quem é a mulher do msn. eu tenho que te perguntar uma coisa que esqueci no domingo.
    passo por várias coisas no texto, inclusive a TPM por questões inexplicáveis, e às vezes o que a gente pensa a solução, não é.
    a gente tem tudo mas sempre parece que falta. tem uma frase da camille claudel que diz “il y a toujours quelque chose d’absent qui me tourmente” (há sempre alguma coisa ausente que me atormenta)… é a síntese dos meus dias.
    quanto aos vícios a gente sabe que no fundo não queria nenhum deles, por melhores que sejam mas fazer o que: as grandes edificações precisam de uma canalização por onde passe o esgoto que produzem.
    clarice dizia que “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”
    estou citando demais hoje né. é que estou aqui na terra do nunca vivendo meus dramas também.
    amo.bjo.

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