Para o desavisado II

Se você chegou aqui procurando uma história de amor, veio ao lugar errado.

Não quero falar de como você passou uma noite inteira me olhando, do nosso primeiro beijo, do cinema que fomos, do restaurante que você me levou, das conversas, do seu rosto admirado quando me via, da sua gargalhada, do meu sorriso pateticamente bobo quando via um sms seu ou de como me viciei em Armani Code.

Quero relatar o emocionante reencontro que você me proporcionou:

Após 10 anos deixei ressurgir “meu eu” que tanto lutei para enterrar: jeito meigo, modos desarmados e educados, sorriso doce, ares romanceados, comportamento divertido, conversas francas na medida certa. Conforme você sentenciou: BONEQUINHA!

Levei alguns dias para absorver a idéia, mas enfim ergui a bandeira branca à minha identidade conflitada, após passar uma tarde inteira com um dos meus melhores amigos a filosofar sobre nosso existencialismo egocêntrico e permanentemente neurótico. Sim, admiti ser uma bonequinha. E o pior, das mais típicas!

Finalmente acreditei estar pronta para mostrar a todo mundo o que concedo a uma parcela ínfima – e privilegiada – do meu círculo social. Mas eu disse que não era uma história de amor e, portanto, a queda veio… e de muito alto.

Quando tinha 17 anos, fui trocada por uma loira de 13. Nossa, meu mundo caiu e resolvi sucumbir (claro que houve fatores mais decisivos que esse, mas a troca foi um empurrão)! Hoje, aos 25, ser “trocada” por uma loira de 40? MERDA!!!

Atentem ao detalhe: minha mãe tem 40 (e 3). Minha mãe é loira… deixo essa explicação para Freud, numa outra oportunidade.

Um fora nunca é agradável. Auto-estima, ego e orgulho são jogados penhasco abaixo e se você for uma neurótica como eu, ficará maaaaaaal por uns dias. Não sei dizer o que doeu mais e resolvi não me importar. Desisti de entender, nem quero esperar para ver o que vai ser. Talvez seja melhor assim…

Pois diferente disso, meu super subconsciente mega auto-destrutivo acabaria por deixar cada um de nós em um canto.

Você, provavelmente, iria para balada com os amigos e beijaria uma morena de cabelo curto bem gostosa. Eu, certamente, estaria enrolada nos meus edredons, acumulando bitucas de Marlboro Light, ingerindo litros de Coca-cola Light, assistindo “O casamento do meu melhor amigo” pela zilionésima vez e praguejando por não me apaixonar de vez pelo MEU melhor amigo e ter uma vida feliz!

Apesar de tudo, quero deixar meus agradecimentos a VOCÊ: muito obrigada, mesmo. Esse reencontro de mim comigo mesma me fez rever atitudes, pontos de vista, pensamentos, certezas. E se um dia a gente se encontrar por aí, preste MUITA atenção… nem sempre o que se vê, é o que se tem!

(Viu? Eu disse que não era uma história de amor, mas eu preferia que tivesse sido…)

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2 comentários sobre “Para o desavisado II

  1. Ai, que medo!!! Eu realmente não acredito que uma pessoa consiga ser tão arrebatada em tão pouco tempo. Tampouco acredito que deve ser tão grande a queda, se foi tão pouco o convívio e o real conhecimento entre duas pessoas. Uma história de amor leva tempo para ser construída, ou melhor, leva tempo até se tornar AMOR de fato!!! E um tombo leva meses, talvez anos, para ser tão grande. Baixar a guarda pode ser tentador quando estamos diante de uma situação com a que não temos familiaridade, mas é uma estupidez até termos CERTEZA de onde estamos pisando… Eu sempre me surpreendo com estas suas reações tão intempestivas…

  2. ahhhhhh, adorei. adorei, adorei, adorei. escreve numa coluna diária, por favor?

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