
Vem gato - aqui no meu regaço – e sob minhas garras de aço, deixa teu corpo se entregar. Vem, que eu deixo marca minha em costas tuas e dessa maneira, assim, a menininha mostra-se de forma nua e crua. Aplaca essa volúpia que você libertou e deixa que eu te recompenso. Porquanto esse tesão me consome, devolve-me ao pior dos vícios… mania essa de querer precisar de você, do teu corpo.
[ Este comportamento passivo-agressivo cada vez mais nos confina à sordidez que somos. E quando sinto teu cheiro - ah, este cheiro que aguça meus sentidos - e sinto teu calor, quero macular-me por toda a eternidade do nosso extâse. A visão do teu corpo subindo no meu, fazendo com que os músculos das tuas costas saltem, inicia a poesia de Sade prestes a começar ]
Pega meus seios em tuas mãos e os abocanhe, como se quisesse arrancá-los do meu tórax, enquanto enlaço minhas pernas nos teus quadris, com pressa de ser arrebatada. Sugue toda minha saliva e a espalhe por todo meu corpo, prolongando-se nas reentrâncias acima dos 37ºC. Delicie-se com meu gosto e puxe-me pelos cabelos, erguendo-me para beijar minha boca, deixando-me sem ar. Encare-me nos olhos e não diga nada, faça com que eu apenas sinta.
[ Acelero o meu processo de auto-destruição, entregando-me - sem questionamentos - em submissão e obediência, embora estas não me sejam pertinentes. Nem bem abro os olhos, uma ânsia me sobe à garganta, não só preciso pensar que mereço estar debaixo do teu corpo, mas também sob o comando das tuas mãos. E então, o que era adoração transforma-se em ódio, tesão em nojo, vontade em obrigação. Minha cabeça em torpor, apenas gira e é como se eu fosse outra pessoa... Lolytha ]
Saia de cima de mim, pois é minha vez de mostrar como se joga. Você não é páreo para mim neném. E da ponta da tua orelha direita até tuas coxas, tranformo cada milímetro de pele em ponto erógeno. Ajoelho-me como uma Cinderela escravizada, pagando quantos boquetes forem necessários até tuas pernas tremerem. Mal escuto tua súplica, monto de uma vez só – num pulo digno de um puma – e tua cara de prazer é meu troféu.
[ Nesta hora recordo de mim como a putinha de coração de ouro que costumava ser, quando a vida de sexo vazio era divertida. Nem parece que foi a muitos anos e hoje, sem saber, você resgata todo meu lado perverso e devasso. Vem logo, mete logo, goza logo, sai logo pois cansa fingir prazer e aguentar teus olhos fechados, teu corpo suado. Neste instante tua mente está longe das minhas reflexões e você se julga impune pelo crime que acabou de cometer ]
Bate na minha cara e me chama de vadia, porque assim é mais gostoso. Pede que eu te arranho inteiro, para registrar a marca da tua conquista. E entra no ritmo compassado – como amantes de longa data que nunca seremos – sincroniza teu corpo junto ao meu, para sentir toda a magia do sexo bem executado. Pega-me por trás e acaba com a pureza remanescente nesta pecadora infâme. Explore cada parte de mim com o vigor e brutalidade de um bandeirante.
[ Há a necessidade de render-me de todas as formas, de sucumbir a toda esta degradação. A dor física neste exato momento me é irrelevante. Não sinto nada, a não ser meu orgulho e amor-próprio serem sugados para o esgoto que abriga todas as pessoas sem-caráter e imorais do mundo. É onde vou permanecer, já não tenho como voltar atrás ]
Sei que essa tara do universo masculino não lhe escaparia. Aproveita então a posição concedida somente a você, todavia não se julgue assim tão especial. Espera um pouco mais, controle-se. Quero vangloriar-me de estampar um sorriso débil pós-coito no teu rosto. Não pense, apenas tome meu ventre para ti, como se disso dependesse toda tua felicidade. Encaixe-se no ângulo das minhas pernas, aperte-se contra minha carne desnuda e inicie teu gingado repetitivo de vai-vém. Nessa troca de fluídos corporais, misturados com sons indecifrávies, compita comigo em busca de um bem comum, como se fôssemos inimigos mortais. Até não aguentarmos mais, até as labaredas começarem a subir pelos dedos dos pés, por panturrilhas, coxas, nádegas, colunas, ombros, nucas e apagarem-se num uníssono alto e curto. Desabamos esgotados, satisfeitos pela efemeridade de um orgasmo.
[ É tudo tão falso, ilusório como a sensação de felicidade provocada por algums gramas de cocaína nas minhas narinas. O cheiro deste sexo enoja-me e esforço-me para não vomitar. Posso ver minha marca em tuas costas, em tua barriga, em teu peito e nas tuas coxas. Meu rosto ainda arde, contudo é minha alma e meu coração que se encontram destrúidos. Viro para o lado, meio que aceitando teu abraço, para esconder a amarga lágrima de arrependimento que passeia pelo meu rosto. A vida era linda antes de você se mostrar, eu era feliz. Hoje - viciada no teu gosto - sou a sombra do que construí. Retrocesso de mim, sou apenas eu ]
Beijamo-nos com ternura e tua mão desliza pelos meus cabelos. Sinto-me protegida, aninhada em teu peito, com teus braços envolvendo-me, como se, realmente, pudesse amparar-me em você. E o sorriso que me dá, é o mais lindo que já vi: branco, alvo, puro. Olho nos teus olhos, beijo a ponta do teu nariz e suspiro… seria poético eu, você e meus cigarros, sozinhos no mundo. Quase consigo apalpar essa névoa de sentimentos. Quase acredito quando você diz que me adora, que me ama.
[ Dois ou três filetes de sangue marcam o lençol que testemunhou a obscenidade deste ato. Enquanto observo as marcas do sacrifício, julgo-me próxima à rendição que eternamente busco. Você não entende nada disto, prefere não ver o que é tão claro quanto o dia que acabou de nascer. Preciso de nicotina e cafeína, desesperadamente. Preciso fugir e gritar que enfim estou livre; livre de você, desta pessoa que você desperta, de nós dois. Entretanto, justo neste (maldito) momento - quando me vislumbro fora desta jaula de libertinagem e hipocrisia- sinto teu sêmen corroendo meu útero seco, igual a um câncer. Nem bem inicia-se a metástase que é você, já não penso em mais nada. A não ser em emporcalhar-me outra vez em suor, saliva, gozo e esperma, no mais baixo nível de depravação ]
Gisele,
Li o texto, muito bem desenvolvido, mas uma coisa me entriga, porque é comum todos ligarem o sexo, sordidez do ser humano.
Associar o comportamento normal das relações sexuais, ao comportamento anormal e doentio em ralação ao sexo.
Neste seu texto é bem forte isto.
Creio q é normal gostar da fruta, e s lambuzar ao comê-la, apreciar os sons, os cheiros, os gostos, os sabores, os amores….., nada de anormal em usar os sentidos humanos no ato sexual, a final p/ isto, tmb foram feitos assim.
Onde as pessoas normalmente s despem de todos os limites, preconceitos, e se entregam p/ fazer bem feita a coisa boa, q nós dá prazer, faz parte e de nossa natureza humana.
Porque confundem as coisas naturais, com as coisas imorais.
Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa, a final…!!! Bela definição…..
Bjs…
Exceto por aguns excessos na lingüagem achei bem interessante. Essa dupla, múltipla personalidade que por vezes controla a gente – num intervalo de segundos – é a grande sacada do postado. Postado igual fica o homem leitor, diante da tela do computador, sonhando sua Lollyta.