Nenhum medo é bobo, nem idiota, embora existam os medos comuns; de barata, rato, aranha, escuro, injeção. Mas quero falar daqueles medos que nos petrificam, que são difíceis de serem superados. Somente cada um de nós sabe o que nos deixa sem reação, que nos faz aceitar coisas que normalmente não aceitaríamos. A morte me vem à cabeça agora, mas todos nós morreremos mesmo, então…
Paralisa-me pensar na solidão. Não aquela que sentimos de vez em quando, mas uma permanente e dolorosa. Embora tenha amigos incríveis, eles têm vida própria. Embora eu tenha uma filha, filhos são criados para ganhar o mundo, não para grudar-se em nossas saias. É aquela solidão de não ter um companheiro, de não ter alguém que envelheça ao meu lado. É imaginar que meus dias passarão de lembranças, de rever minha juventude pelos os olhos da minha peuqena.
Porque as mulheres que casam não são como eu!
Às vezes me pego pensando se uma vida normal aconteceria comigo… e hoje, talvez pela primeira vez, eu percebi que não é uma vida padrão que me faria feliz, porque enfim eu vi que eu não sou uma mulher padrão. Posso parecer forte como um muro, mas qualquer um que olhe dentro dos meus olhos por mais de cinco segundos consegue ver que, de verdade, eu sou uma criança assustada, e que muitas das minhas reações explosivas não são nada mais que uma defesa.
Mas tem uma coisa que eu realmente não posso negar: cada vez que eu caio, cada vez que eu acho que a coisa vai mesmo pro saco eu tenho alguém que me chacoalha e que me lembra que a vida sempre caminha para frente. E um dia eu sei que eu vou acreditar nisso, até porque eu vou entrar em terapia de eletro choque se eu não acreditar – rs!
Uma vez eu li um cartão postal com um sapo e estava escrito “Un jour ton prince viendra” (um dia seu príncipe virá). Por mais que hoje eu não tenha nem o sapo, no fundo eu sei que a coisa vai andar… no MEU padrão e para frente!
