
Ele que te mimou, ninou, cuidou, protegeu, brigou quando necessário, escutou, apoiou, riu ou chorou contigo e amou mais do que qualquer outra coisa até aqui.
Então, no meio daquela multidão, está tudo vazio. Vazio, esse preenchido por Marlboros light, litros de café e capuccino, músicas gravadas nos cd´s que ele se preocupou em fazer para te agradar, fotos, palavras desconexas, Lexotans e comida.
De preferência leite condensado com Nescau ou no sorvete de flocos com granulado. Aí você pensa nas coisas que fez, ou deixou de fazer, para que estejam separados. E não encontra respostas para um maldito por que.
É uma dor pior que cauterização, que tatuagem na bacia. Como se, primeiramente, a alma fosse arrancada igual band-aid, depois esticada como fio de náilon e, por fim, cortado com a habilidade do Jack Estripador. Seu corpo sangra em lágrimas. Dói mesmo. Incomoda como uma queda sem fim; coração, estômago e cérebro na boca, prestes a caírem, caso não toque o chão… e você não toca.
Os sonhos sonhados juntos, o futuro planejado que nem chegou, promessas quebradas, juramentos desfeitos… Diante de qualquer fresta tenta-se enxergar uma luz – de esperança que esse pesadelo termine – no fim do túnel. Mesmo que nenhum dos dois saiba onde este fim está… ou se, de fato, esta história teve um ponto final.
O que acontece é que morremos um pouco a cada dia. Pois nos acostumamos a não ter mais… é isso, acomodação dos fatos. A gente adapta-se a viver uma vida ordinária, sem muita graça. Carregada por sorrisos amarelos, dores nas almas, programas às vezes sem importância. E o que você queria era apenas estar deitada na sua cama, aninhada no peito dele contando alguma piada idiota, fazendo voz de neném.