
“Passaram-se 13 meses, cansei de fugir. Eu disse 13 meses?”. Não era uma surpresa, de fato; 13 era seu número – a perseguia desde seu nascimento: o número de tatuagens espalhadas pelo seu corpo emoldurado, o número de calças jeans no armário, a quantidade de vezes que tinha viajado pela Europa (afinal ser órfã e única herdeira de ex-rotaryanos tinha que ter uma vantagem) e o número deles… “como será que ele está?”, tão logo surgiu tal pensamento, abriu os olhos com força, como se quisesse acordar de um pesadelo.
Arrumou-se, fez o check-out e horas depois chegava em casa. Tudo lhe parecia estranhamente diferente e igual ao mesmo tempo. Resolveu pegar o carro e dar uma volta, afinal era outono e a paisagem estava cinematográfica.
Passeou pelo Centro, próximo ao lago, aos bares, passeou por quase tudo. Mas sabia aonde exatamente queria/precisava ir.
Mark havia sido incisivo: se ela fosse embora o perderia. Ela não titubeou, foi-se. Era necessário tentar ajeitar a si mesma antes de qualquer coisa. Nem um adeus, nenhum abraço, tornaram-se estranhos no instante que ele a pressionou. E ela se foi…
Passou na Rua 9, nada. A casa estava fechada, em total estado de abandono. “Não foi somente o Mark que abandonei, foi toda nossa história”, admitiu. Uma pequena, tímida, lágrima morreu-lhe na bochecha. Mas era preciso seguir em frente.
Aproveitou para admirar cada canto DAQUELE trecho caminhado embaixo de chuva, pedalado contra o vento, vivificado na história DELES. Quando se aproximava da numeração 1413, Noelle dirigiu cada vez mais devagar, preparava-se para encarar talvez o olhar mais severo de sua vida, ou qualquer outra reação semelhante.
Entretanto não era para aquela cena que ela estava preparada. Com uma freada brusca, carro, olhos e coração haviam parado. Estavam pétreos e uma enxurrada de lágrimas molhavam sua face…